A família como espaço de cura

Data de publicação: 02/04/2018


Por, Cleusa Thewes e Alvício Thewes

Mirela, 31 anos; e Carlos, 29 – Namoravam há oito anos quando decidiram se casar. Durante esse período, colaram grau no ensino superior, ela em Direito e ele em Biomedicina. Faltando seis meses para o casamento, Carlos manifestou dúvidas sobre os seus sentimentos por Mirela e rompeu o namoro. Mirela ficou em choque.  Todos os sonhos, as expectativas e os projetos do casal, e os seus particulares, desmoronavam ali, naquele instante. Abalada, fragilizada, sem perspectivas, Mirela deprimiu. A tristeza e a decepção enfraqueceram toda a família. Seus pais custaram a acreditar no fim do relacionamento. Os pais somaram o que lhes restava de forças e cuidaram da dor e depressão da filha. 
Para assimilar sua nova realidade, sarar a dor do coração e da alma, refazer seu projeto de vida, Mirela recolheu-se ao seio da família, onde contou com o apoio incondicional de sua mãe, que largou algumas tarefas suas para se envolver mais com a filha.
O amparo familiar é o medicamento de Mirela para o restabelecimento da saúde mental, da autoestima. Analisando o comportamento de Carlos, a família constatou que seu comportamento, nos últimos tempos, já vinha sinalizando descomprometimento, não percebido por Mirela, apaixonada, cega de amor.
Mirela encontrou junto aos pais a compreensão e a cumplicidade necessárias para retomar seus projetos e voltar à vida sadia. Ante o imprevisível acontecimento, sua casa se transformou, num lance quase mágico, em espaço de cura.

Maicon – É um jovem triste e desanimado. Aos 15 anos perdeu a mãe e, aos 17, também o pai.  Ele não entende por que a vida lhe impôs um luto tão feroz e está em busca de respostas, o que, diante do seu infortúnio, é compreensível e até faz parte do processo de cura. Sua mãe sempre fora ativa e alegre. Era ela quem administrava a economia doméstica e coordenava as tarefas do lar; o pai, por ser cadeirante, era cuidado por Maicon na maior parte do tempo.
Maicon chora suas perdas e está extremamente atrapalhado no cuidar de si mesmo e na administração e manutenção da casa. Sente falta e saudades da mãe. Ela enchia a casa de alegria, de vida, falando, cantando, incentivando, acolhendo. Que saudades desses momentos! Também lhe falta a saborosa sopa que ela lhe fazia. Ele se culpa por não dar conta dos afazeres domésticos da mesma forma como a mãe. Maicon tem, ainda, outros dois irmãos mais velhos, já casados. Eles e suas esposas se dedicam, na medida do possível, ao irmão mais novo, dando-lhe algum suporte emocional e financeiro.
 Maicon colocou todas as suas esperanças no ano de 2018. “Comecei mais animado. Vou viver a vida de forma mais leve e feliz, assim como mamãe sempre desejou”, declarou. Voltou, então, a organizar os estudos, a pensar em sua futura profissão e a cuidar do asseio da casa e do pátio. Até já aprendeu a fazer a sopa da mamãe. Recomeçou, também, a visitar amigos e a conviver mais com os irmãos.
Ele reconhece os cuidados que recebe dos manos mais velhos, com uma diferença. Eles cuidam dele à sua maneira e não como os pais cuidavam. Percebeu, em consequência, que, não obstante à perda, os pais lhe deixaram como herança uma família. Logo não se sente mais tão só.

Família, porta de chegada – A família de Mirela e a de Maicon tiveram a capacidade de se tornarem resilientes, bem como fortaleceram laços de amparo e cuidado, potencializando, assim, uma de suas facetas principais, a cura. Com isso ressignificaram o sentido do pertencimento familiar. E nada mais fizeram do que cumprir o seu papel, pois a família surgiu para curar a semente da vida e cuidar dela, e não apenas para acumular bens terrenos.
 O desvelo parental, este debruçar sobre a dor e a vida do outro, restabelece o equilíbrio emocional, reabilita a fragilidade diante do imprevisto, da doença, do trauma, das perdas... Atitudes de apoio, cuidado, compreensão e amorosidade capacitam a família e fortalecem os vínculos afetivos e de pertencimento. A família é o lar, a referência da segurança, o ninho do aconchego, o porto de chegada e de partida, o espaço da permanência. É também o lugar da simplicidade, da sabedoria, da profundidade dos sentimentos...
A família, no cotidiano, tece o ir e vir de cada membro, cuida do desabrochar deles para escolhas conscientes, enfrentamentos, superações, levando-os à maturidade. Na família, o âmago é tecido pelas coloridas experiências, alegres ou tristes, de cada um; na família, fazemos a síntese do nosso existir.
Muitos desafios tentam desviar ou diminuir o valor e o foco familiar, mas as histórias de Mirela e Maicon mostram que todos podem reencontrar sua saúde, física e emocional, num gesto acolhedor de pai, de mãe, de irmãos, de avós. Isso comprova e confirma que a família, aqui na Terra, é a porta de chegada, da morada e da partida da vida. Amém!





Fonte: FC edição 986 Fevereiro 2018
Postado por: Família Cristã




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