Vencer o mundo

Data de publicação: 16/04/2018

Por, Andre Luís Kawahala e Rita Massarico Kawahala       

Não é preciso parecer diferente ou ter um estereótipo peculiar para ser casal em Cristo. Jesus é o modelo, mas não um molde. O casal tem sua própria identidade de discípulos
Há mais de dois mil anos, um homem que muitos acreditaram ser somente um grande profeta, um taumaturgo que passou fazendo o bem e, embora nada tivesse feito de mal, foi crucificado entre dois ladrões. Foi intriga política, foram ciúmes, foi por falar a verdade mais pungente a respeito da hipocrisia religiosa e sobre a exploração perversa de uma elite social, que se aproveitava da pobreza e discriminava quem vivia sob o peso dos erros e pecados, sem dar a eles a chance de se aproximarem da redenção divina. Já naquela época faziam do Templo e das sinagogas as alfândegas que não são, e supostamente queriam controlar quem estaria perto de Deus e mereceria o Reino. Com esses não havia diálogo, nem acolhida, nem discernimento e muito menos integração à vida dita “normal” do cotidiano daquelas vilas e cidades.
E mataram a Jesus também porque Ele não só denunciou, mas deu testemunho caminhando entre os marginalizados e excluídos, ouvindo-os, acolhendo-os, ensinando-os, curando e dando esperança. E o mataram. Aquele profeta morto, depois se soube, tomou consigo os pecados de todos, expiou-os diante de Deus, ressuscitou dos mortos em corpo glorioso, primícias dos salvos, e subiu aos céus para ocupar seu lugar de direito, de onde virá a julgar os vivos e os mortos. Era Ele, o “Eu Sou” de Moisés, o Leão de Judá, o Cordeiro de Deus, o Filho Único e amado, o Messias. E o Ressuscitado! E quem o reconhece e não o nega já está no Caminho, porque aceita a Verdade e deseja uma Vida plena iluminada pelo Espírito Santo.
Mas e o kico? - Como diz o povo: “o kico tenho a ver com isso”? Porque a seção Ser um deste mês começa com algo que todos já sabemos? E o que isso tem a ver com a vida conjugal? Primeiro, tudo o que já se sabe por definição e muitos falares, nem sempre é lembrado, quiçá refletido e, em raros casos, vivido. Quem conhece essa história verídica de amor e crê nela e, principalmente, acredita em seu protagonista – o Deus Uno e Trino – vive sua relação como espelho do amor divino. E o próprio Deus se espelha neles esse amor (cf. exortação apostólica Amoris Laetitia, 121) e se alegra com a alegria daquela filha e daquele filho que encontraram a Cristo olhando para o Céu, mas também olhando um para o outro.  Essa é a conversão de Páscoa que verdadeiramente se espera de cada casal, de cada família.
Viver Jesus Vivo - Não é preciso parecer diferente ou ter um estereótipo peculiar para ser casal em Cristo. Jesus é o modelo, mas não um molde. O casal tem sua própria identidade de discípulos.
Esposo e esposa que têm fé se reconhecem falhos e necessitados de Deus e de seu perdão. Por isso, perdoam-se mutuamente e também aos que os ofendem, juntos, como comunidade de amor. Perdoam os filhos, quando esses os desobedecem, sem deixar de educá-los.
Casal que se une em Jesus não é aquele que simplesmente segue regras e preceitos. Ele o faz, sim, senão tais regras e preceitos perderiam sua função. Mas eles estão sempre dispostos e disponíveis a curar em dia de sábado e a deixar diante do altar a oferta do sacrifício para fazer as pazes com alguém.
Não ensinam seus filhos com enganos e dão bom conselho a quem os pedir. Não julgam pecadores e supostos pecadores, porque essa não é sua função neste mundo. Sabem que todos merecem um olhar misericordioso de amor, um ombro amigo para chorar e um braço para se apoiar. E eles os oferecem.
Estão sempre a serviço de quem precisa, dentro e fora de casa, e não se negam a enxergar e a ajudar Jesus nos mais necessitados. Cuidam da vida humana, das criaturas e da criação. E ensinam que ser bom é fazer o bem à terra e à pedra, à planta e aos animais, e dedicar-se aos homens e mulheres numa ecologia integral, onde o humano também se reconhece parte do todo e não somente o consumidor dos bens dados por Deus.
Curar e construir - "Nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos a carregar os pesos uns dos outros" (exortação apostólica Evangelii Gaudium, 67), disse o papa Francisco. E essa é a missão de cada casal em Cristo dentro e fora de seu lar. É preciso confiar e ter a esperança que brota da fidelidade a Deus, pois assim, apesar das dificuldades e das aflições do mundo, a coragem se renovará na certeza de que Jesus venceu o mundo (cf. Jo 16,33). Portanto, cada casal firme no amor é convidado pela Igreja, através do papa, a ser médicos de um hospital de campanha, onde importa ter o zelo pelas coisas de Deus, mas sabendo que, para vencer o mundo com o Messias, também são de Deus os que caem e precisam ser cuidados por casais samaritanos que doam a vida com caridade para transformar o mundo em um lugar mais fraterno.




Fonte: Fc edição 976, Abril de 2017
Postado por: Família Cristã




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