Nas entranhas do mundo

Data de publicação: 25/05/2018




Por, Nathan Xavier
 
Localizado no sul do estado de São Paulo, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira concentra um dos maiores complexos de cavernas no Brasil

Quem já entrou numa caverna sabe que aquele ambiente transporta para outro mundo, como se não estivéssemos no planeta Terra. E não é para menos. Muitas delas possuem características próprias e ecossistemas completamente diferentes do ambiente externo que as cerca, além do espetáculo de formas, cores e dimensões. No sul do estado de São Paulo, próximo à divisa com o Paraná, encontra-se um dos maiores complexos de cavernas do Brasil, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), criado em 1958, abrangendo os municípios de Apiaí e Iporanga, e com quase 350 cavernas catalogadas, segundo a Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Destas, apenas doze são abertas para visitação, por questões de segurança mas também para preservar a exuberante Mata Atlântica original, praticamente sem intervenção humana. As araucárias, paus-brasil, palmeiras, orquídeas e bromélias são comuns. Há também muitas figueiras, cujas raízes podem ter metros de altura para fora da terra, e as árvores de maior porte chegam a ter 40 metros de altura.

Segurança - O espetáculo de beleza e imponência de cada uma das doze cavernas é garantido, sendo impossível, para o visitante de qualquer idade, não ficar boquiaberto diante de aberturas e salões colossais, de mais de 30 metros de altura, rios e cachoeiras dentro das cavernas e formações rochosas belíssimas, esculpidas graciosamente por milhares de anos pela natureza; ou mesmo se divertir ao passar por estreitos locais com água até a cintura. A regra é ir com calma, pois é impossível ir a todas as cavernas de uma vez, sendo recomendada a visita de três por dia. A calma também serve para cumprir duas das regras locais: é proibido fazer muito barulho e correr; primeira para preservar a delicada fauna interna das cavernas, e a segunda por questão de segurança. Aliás, nesse quesito, o mais preocupado pode ficar tranquilo, pois para visitar as doze cavernas é preciso seguir um rígido protocolo de segurança: não são permitidas bermudas, apenas calças compridas, tênis fechado e camiseta com mangas, além de capacete com lanterna. É ainda obrigatória a presença de um guia credenciado e os grupos não devem passar de 8 pessoas, que precisam seguir juntas, ou seja, caso uma desista no meio do caminho, todas devem voltar. Os guias precisam preencher os dados das pessoas no momento em que entram e saem de cada uma das cavernas em postos colocados logo na entrada, além de obedecer ao tempo de permanência no interior delas. Todos esses procedimentos são seguidos à risca, para evitar acidentes como os que ocorriam há alguns anos, muitos fatais, como bem lembram os guias antigos da região.
Não há limite de idade para as visitas, mas a direção do parque recomenda-as a partir dos 5 anos. Não é preciso dizer que crianças e jovens são o público perfeito e os que mais aproveitam. A única limitação é a disposição e o fôlego para a aventura, pois as cavernas têm terreno totalmente acidentado e, por vezes, é preciso andar agachado, usando as mãos, guiando-se apenas pela luz das lanternas. As visitas podem ser feitas durante todo o ano, mas no verão costuma haver mais movimento. No entanto, os guias tranquilizam os que forem fazer as visitas no inverno, aproveitando a pouca movimentação nessas épocas, já que a temperatura no interior das cavernas é a mesma, não importando o ambiente externo: em torno de 22ºC.

Formação - “As cavernas são um baú fabuloso de recordações da história do planeta e da vida”, diz o espeleólogo Clayton Lino, coordenador da Rede Brasileira de Reservas da Biosfera. Dentro desse baú, há informações sobre a história geológica da Terra, a formação da vida no planeta e a evolução do ser humano. Há muitas cavernas diferentes, algumas feitas até mesmo de gelo. No caso do PETAR, a formação geológica é calcária. “O calcário é uma rocha sedimentar”, explica Clayton, “isto é, forma-se através de carapaças e ossos de animais marinhos, que foram se depositando no fundo do mar e, com o tempo, compactados sob pressão. Com o movimento das placas tectônicas, essas camadas de calcário emergiram da água, dando origem ao que é hoje a formação geológica do PETAR”. Curiosas são as pistas históricas que o planeta deixa: “existe uma rara espécie de camarão que vive na Gruta do Lago Azul que pode ser encontrada na África. Portanto, é possível ter acontecido a separação dos continentes devido ao movimento das placas tectônicas”. Sabemos do que é feito o solo da região, mas como as cavernas se formaram? O ditado popular “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” cabe exatamente aqui.
“O calcário é uma rocha frágil à acidez. Dessa forma, um ácido leve o dissolve facilmente. E é a partir disso que as cavernas calcárias se formam”, ensina Clayton. A Mata Atlântica tem bastante umidade, causando muitas chuvas na região. A água da chuva, ao entrar em contato com a atmosfera, mistura-se com o gás carbônico, gerando um ácido leve, chamado ácido carbônico, que, ao penetrar no solo, dissolve o calcário. A água também é responsável por abrir mais ainda as imensas galerias internas, através dos rios que vão “cavando” a rocha por milhões de anos. É a água também a responsável por formar os espeleotemas, aquelas famosas formações rochosas dentro das cavernas, causadas pelo “pinga pinga” de milhares de anos.
O parque fica aberto o ano inteiro e a melhor época para visitá-lo é nos meses mais secos, entre abril e novembro. As opções de hospedagem são variadas: de hotéis, passando por pousadas e mesmo camping. Para esta última modalidade de acomodação, o PETAR dispõe de área dentro do parque, mas que deve ser reservada com antecedência por causa do número limitado de pessoas permitidas. Tendo disposição para caminhadas, é programa para toda família. Entrar numa caverna é como entrar numa máquina do tempo, onde o interior do nosso planeta é colocado à vista, expondo uma história que vem sendo construída, silenciosamente, há milhões de anos, bem debaixo de nossos pés.

Cavernas abertas ao turismo no PETAR
Núcleo Santana
•    Caverna de Santana: considerada a mais bonita. Com 8 km de extensão, mas apenas 800 m são abertos à visitação.
•    Caverna do Morro Preto: possui vestígios pré-históricos em sua entrada.
•    Caverna do Couto: conduto único de 600 m que atravessa o morro, até sair do outro lado, em outra abertura. A visão da mata de dentro da caverna é espetacular!
•    Caverna da Água Suja: possui uma enorme cachoeira interna, com quase 30 m de altura.
•    Caverna do Cafezal: uma pequena abertura na rocha conduz a um ambiente deslumbrante em seu interior.

Núcleo Ouro Grosso
•    Caverna Ouro Grosso: o percurso da caverna conta com travessia de cachoeiras e poços d’água, garantindo a diversão.
•    Alambari de Baixo: a travessia da caverna dura 1 hora e proporciona uma das experiências mais emocionantes que o visitante pode levar do PETAR. Sua entrada é gigantesca, com bela vista dos raios solares ao amanhecer.

Núcleo Caboclos
•    Trilha do Chapéu: leva às cavernas Mirim 1, Mirim 2, Aranhas e Gruta do Chapéu. São as mais tranquilas e ficam próximas à administração do núcleo.
•    Caverna Temimina: as dolinas (aberturas no teto) a tornam muito diferente, ótima para fotografias, mas uma das que possuem percursos mais difíceis. É a única caverna em que o grupo de visitação precisa ter no máximo 6 integrantes.

Núcleo Casa de Pedra: de difícil acesso, atualmente está fechada para visitação interna, sendo permitida apenas a observação da entrada, o que já garante a visita. Com um teto de 230 metros de altura, o que equivale a 72 andares de um prédio, é o mais alto pórtico de entrada conhecido do mundo.

A Caverna do Diabo é uma das mais famosas cavernas da região. Com 800 m de extensão abertos ao público, dispõe de sistema de luz, passarelas, escadas e corrimãos. Infelizmente sofreu por muitos anos intensa degradação ambiental devido ao turismo predatório. Localiza-se em outro parque, o Parque Estadual de Jacupiranga, no município de Eldorado, distante 22 km do PETAR.
As visitas às cavernas  devem ser marcadas com antecedência, pois muitas possuem horários restritos de visitação e controle do número de visitantes diários.


Ingresso: R$ 13,00 (os guias são pagos à parte).
Isentos de pagamento: menores de 12, maiores de 60 anos de idade e pessoas com necessidades especiais ou mobilidade reduzida.
Além das cavernas, a região possui trilhas para os amantes da caminhada ao ar livre, além de sítios arqueológicos, ruínas da primeira usina de fundição de chumbo no Brasil, boiacross e diversas cachoeiras e rios.
Telefone para contato: (15) 3556-2021.




Fonte: Fc edição 975 março de 2017
Postado por: Família Cristã




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