No limite

Data de publicação: 05/06/2018


Por, Nathan Xavier
 
Em entrevista ao programa The Tonight Show, do apresentador Jimmy Fallon, nos Estados Unidos, a atriz Demi Moore, 54 anos, confessou que passou por um período de estresse e, por isso, perdeu dois dentes. “Eu adoraria dizer que foi andando de skate ou algo muito legal, mas eu acho que é importante compartilhar porque o estresse, depois de doenças do coração, é uma das maiores causas de problemas nos Estados Unidos.”
No dia a dia recebemos muitos estímulos de variados meios: a poluição sonora ou visual, o trânsito parado ou a complexidade em enfrentar um transporte público lotado, e nem todas as pessoas encaram com calma situações como essas. Há também casos em que nossa personalidade pode ser o fator gerador de estresse, como perfeccionismo exagerado, pressa, querer manter tudo sob controle ou querer fazer tudo ao mesmo tempo. O estresse pode manifestar-se de diversas formas, bem como irritabilidade, tensão muscular, entre outras (veja boxe). Selma Bordin, psicóloga do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP), afirma que mesmo algo bom pode gerar estresse, como o nascimento de um filho, promoções no emprego ou mudança de casa.
Fuga ou luta – Ainda que a palavra tenha se tornado comum na boca das pessoas, a psicóloga faz um alerta para o verdadeiro estresse: “Normalmente, usam a palavra para significar que o dia foi corrido ou cheio de tarefas. Isso não necessariamente gera sinais de estresse”. Ela explica que o estresse em si não é ruim, pois, se não fosse ele, a raça humana provavelmente não teria chegado até aqui. Quando nossos ancestrais se deparavam com um perigo – um animal perigoso, por exemplo – precisavam se defender, seja fugindo ou seja atacando, e qualquer uma das reações fazia com que o cérebro automaticamente produzisse uma série de hormônios estressores – cortisol e adrenalina, por exemplo – , levando a pressão arterial a subir, os músculos a se contraírem, a frequência cardíaca a aumentar e a respiração a acelerar. No âmbito psicológico, esses mesmos hormônios estimulam a irritabilidade, ansiedade, frustração, tristeza, insegurança e o ressentimento.
A questão central é como a pessoa lida com esses sentimentos após o “perigo”, ou a situação estressante, também chamada estressor. Por isso que duas pessoas podem passar pela mesma situação e uma pode ter o estresse e a outra não. Há também mais um agravante: “Atualmente, vivendo em cidades e enfrentando problemas bem diversos dos da selva – como pressões para atingir metas –, o corpo continua preparando-nos para lutar ou fugir quando nos sentimos ameaçados. Mas, em geral, não partimos para a briga física, nem saímos em disparada. E toda a adrenalina, por exemplo, liberada em nosso sangue, fica sem função”, explica.
Evitando o estresse – Selma lembra que todo mundo tem um pouco de estresse, e as situações que o geram são importantes para nossa vida: “É preciso estresse para viver. É ele que nos faz levantar e ir atrás do que queremos ou precisamos, com algum grau de satisfação. O problema é quando se torna excessivo e supera nossa capacidade de adaptação ou quando persiste por muito tempo”, alerta.
Para enfrentar o estresse a psicóloga recomenda primeiro reconhecer o próprio limite, identificando aquilo que “pesa” mais sobre nós e aprendendo a dizer não ou, ao menos, negociar. “Entrevistei muita gente que trabalhava mais de 16 horas todos os dias, tentando uma produtividade maior. Não adianta. Se não descansarmos adequadamente, nossa capacidade de atenção, concentração, memória, julgamento e tomada de decisão ficará comprometida. E os 10 minutos necessários para compreender determinado relatório não serão suficientes. Precisaremos de 20”.
Outro item importante é aumentar nossa resistência aos fatores que nos estressam, mantendo nosso organismo saudável para enfrentar os desafios. Por isso, Selma aconselha a dormir bem, cuidar da saúde, comer de forma saudável, praticar atividades físicas, proporcionar-se momentos de prazer e relaxamento e evitar estimulantes como café e substâncias tóxicas como tabaco. Finalmente, se não for possível eliminar o que causa o estresse, aprender a se adaptar a ele. “Se seu problema é o trânsito, tente outros horários ou rotas alternativas. Se tiver que enfrentá-lo, faça da melhor maneira: ouvindo música, treinando o ouvido para idiomas. Precisamos resolver o que fazer com o problema que está lá e vai continuar por lá.”
Mas e se o problema for interno, de nossa própria personalidade? “Quando o jeito de lidar com as coisas é problemático, é aconselhável procurar um psicólogo”, orienta Selma. De qualquer forma, a regra de ouro é nunca se automedicar. “Não existe medicação para tratar estresse. Se ele for crônico e evoluir para um estado depressivo ou ansioso, encaminhamos para avaliação de um psiquiatra”, explica.





Fonte: Fc edição 979, Julho de 2017
Postado por: Família Cristã




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