Depressão na adolescência

Data de publicação: 21/06/2018


Por, Cleusa e Alvício Thewes*

A transição da infância para a adolescência, carrega em si transformações, sofrimentos e dificuldades

Angélica, 15 anos – A adolescente mora com a mãe, o padrasto e duas maninhas. Frequenta o 1º ano do Ensino Médio. É aluna nota dez, porém é quieta, introvertida, do tipo sem amigos. Segundo a mãe, também em casa Angélica anda recolhida, há três ou quatro anos, ficando mais no seu quarto. Sempre vai dormir na alta madrugada, pois fica jogando no celular.
Falando sobre sua tristeza, Angélica diz que tem vontade de chorar, sente muita raiva e alguns medos.  No mês passado, durante um episódio depressivo, agarrou a navalha do apontador e, com ela cortou os braços.  Levada ao hospital, foi medicada e avaliada. Diagnóstico: depressão que requer cuidados e acompanhamento psiquiátrico, terapêutico e familiar.
A mãe da adolescente demonstrou surpresa com o diagnóstico clínico. Parecia não acreditar. Até então pensava que o comportamento da filha era próprio da idade e que logo passaria. 
Tobias, 14 anos – Mora com os pais. Cursa a 8ª série, mas raramente vai à aula. Além de não ir à escola, também se isola das meninas, dos amigos e dos familiares. Tobias esconde o lindo sorriso que sempre teve sob as muitas espinhas do seu rosto. E ele, sentindo vergonha e se considerando feio, esconde-se com suas espinhas.
O adolescente está em sofrimento e, por iniciativa própria, passou vários produtos no rosto. Na ânsia de acabar com as espinhas, usou produtos contraindicados para o seu tipo de pele, provocando ferimentos no rosto. 
Tobias precisa de ajuda, principalmente da própria família. Mas a mãe dele pensa exatamente como a mãe da Angélica: “Tudo vai passar”.

Adolescência e depressão – A transição da infância para a adolescência carrega em si transformações, sofrimentos e dificuldades.
Ao adolescer, a criança vivencia uma metamorfose, um desabrochar sem volta. Tornar-se adolescente é experimentar ganhos e perdas. As alterações evidenciam-se nas transformações físicas e emocionais. Em decorrência da intensa produção hormonal, o corpo sinaliza a chegada da adolescência e, com ela, o afloramento dos desejos. Nessa idade, deseja-se de tudo sem medir as consequências. Sexo, beleza, poder, namoro... Entre as modificações na aparência, surgem as espinhas no rosto e, nos meninos, a barba.
Tobias não suportou as espinhas. Entrou em sofrimento. Comprou produtos vendidos livremente e os aplicou no seu rosto. O resultado foi desastroso. Seu rosto ficou cheio de feridas e então Tobias se isolou. Já as meninas, na adolescência, entram na menarca, menstruam, as formas do seu corpo começam a se definir.  Seios, coxas, quadris e pernas rosto, adquirem formas de mulher. Os meninos querem desenvolver músculos, e as meninas salientar um visual estiloso e elegante.
Os medos da Angélica são medos da vida, exteriorizados na incapacidade de aceitar as perdas da meninice e os ganhos da mulher que desabrocha dentro de si. Insegura, com medo do futuro, desenvolveu um quadro tristeza, timidez e depressão profunda, chegando a tentar o suicídio, forma extremada de manifestar o sofrimento. Isso tem explicação. Vivendo no isolamento, seus conflitos se agravaram a ponto de se tornarem insuportáveis.
A rotina dos pais exerce forte influência sobre os filhos. Nas famílias humildes, que lutam pela sobrevivência, contando os trocados para pagar as contas, os filhos, muitas vezes, têm medo de adultecer e encarar os desafios do futuro.
É na adolescência que os jovens carecem do apoio dos pais para construírem identidade própria e se tornarem autoconfiantes. Mas os pais, ou estão ocupados demais e não prestam a devida atenção nos filhos, ou não têm habilidade para lidarem com os problemas deles. A mãe de Angélica percebera o estado psicológico da filha, mas não o compreendera. Deixou de buscar auxílio na época própria. A depressão evoluiu e levou a jovem a tentar o suicídio. Tobias, fechado em seu mundo, no seu quarto, diante do espelho, tratou das espinhas do seu modo. A família ignorava o seu dilema.
Adolescentes são criaturas frágeis. Necessitam de muito apoio e amor. A depressão juvenil é cada vez mais frequente e é vista como a doença silenciosa do século.  Os sintomas são visíveis. Tristeza, isolamento, insônia, irritabilidade, medo, desânimo, falta de apetite, desmotivação, evasão escolar... O que preocupa é a inabilidade de muitos pais de os perceberem.  Mas é relativamente fácil constatar os sintomas expressados pelos adolescentes e mais fácil ainda é procurar ajuda. Afinal, vivemos num mundo conectado, de farta informação.
Estatísticas apontam o suicídio como a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 e 19 anos. Os acidentes são a primeira causa, principalmente os automobilísticos. O índice de suicídios entre adolescentes triplicou nos últimos 30 anos.
Famílias, estejam alerta!
 
Adolescentes são criaturas frágeis. Necessitam de muito apoio e amor. A depressão juvenil é vista como a doença silenciosa do século




Fonte: Fc edição 979, Julho de 2017
Postado por: Família Cristã




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