A missão é nossa!

Data de publicação: 28/06/2018


O Santuário Santa Edwiges é espaço de promoção da dignidade humana através do serviço pastoral em favor dos empobrecidos

No Santuário Santa Edwiges, zona sul da capital paulista, há muita vida eclesial e promoção do bem viver. Nesse local, a partir da proposta apresentada pela Congregação dos Oblatos de São José e impelidos pela convocação do papa Francisco, foram realizadas as Missões Josefinas, com o lema A missão é nossa!, entre os dias 8 e 16 de julho.
Esta edição das Missões Josefinas foi hiperurbana, com várias expressões e cotidianos diversos e próprios da região. O Santuário Santa Edwiges localiza-se à beira da Estrada das Lágrimas, uma via conhecida por ter sido o caminho do mar e presenciado os soldados se despedindo de suas famílias quando iam para a guerra, debaixo de uma centenária figueira, que pode ser vista até hoje no início da estrada. O santuário está situado entre os bairros Sacomã e Cidade Nova Heliópolis. Sacomã é um bairro com habitantes mais idosos, abriga os pioneiros da comunidade, contrário de Heliópolis, abarrotado por uma juventude que trabalha e estuda, arranjando-se em pequenas casas.
Famílias acolhedoras – Conversei com Elza que me contou um pouco sobre a sua vida e por que veio morar aqui perto do santuário: “Entrei naquela capelinha na beira da Estrada das Lágrimas para descansar da viagem que havia feito de Ibiúna (SP) até ali. Um homem me disse rezasse pedindo a ajuda daquela santinha, porque ela era forte, uma baronesa polaca. Pedi a Edwiges que intercedesse pela cura da minha filha, e fiz promessa de que se minha filha sarasse, viria morar aqui perto da capelinha. E hoje estou aqui!”. Elza é uma das fundadoras da Obra de Benemerência Santa Edwiges em 1968, atualmente conhecida como Obra Social Santa Edwiges (Osse).
Foram mais de 50 missionários de outras cidades, afora os que são agentes das pastorais, participantes dos movimentos e serviços do santuário, totalizando mais de 150 pessoas. A Equipe de Acolhida e Hospedagem preparou-se para a chegada e acolhida dos missionários advindos de vários lugares dos estados da Bahia, Paraná e São Paulo. Inúmeras famílias acolhedoras aguardavam ansiosas os missionários que ficaram hospedados em suas casas. Foi tão particular a maneira como as famílias os recepcionaram: sendo hospitaleiras, carregavam colchões, os carros saíam lotados com malas, havia alegria no encontro dos rostos que se olhavam e se agradeciam pela acolhida, uns a pé, outros de carro, iam para as casas das famílias acolhedoras.

Metas da missão – O santuário baseia-se em três eixos: a vida pastoral, a devoção a Santa Edwiges e as obras sociais. Por isso, o primeiro dia reservamos para mostrarmos aos missionários e à comunidade local o serviço de assistência social prestado pelas obras do santuário: a Casa da Criança Santa Ângela apresentou o espetáculo Poesia em cores, uma expressão corporal que nos levou a refletir acerca de uma vida mais poética, colorida, esperançosa e de esforços, ainda mais quando uma criança com deficiência pintava com os pés e dançava, mostrando a todos que a vontade nos faz ir além; a Osse, apresentou para a comunidade mais uma vez  o musical O Rei Leão. Hugo Alves, o coreógrafo dos dois espetáculos e jovem líder do santuário, diz que “é preciso ver e sentir como a arte pode transformar a realidade de crianças que precisam apenas de uma porta para poder enxergar o mundo com outros olhos”.
No dia seguinte, os missionários junto à comunidade celebraram numa missa o envio missionário de duas leigas oblatas de São José, para uma experiência internacional em Moçambique. Duas missionárias com serenidade e profunda consciência de terem sido chamadas por Deus. No terceiro dia da missão, todos os missionários fizeram uma peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, pedindo à Mãe as graças pelo bom êxito nas visitas missionárias. Simultaneamente às Missões Josefinas, acontecia a Semana de Espiritualidade, uma iniciativa com mais de 20 anos do santuário, que promove noites de reflexão e oração. Contamos com a presença do padre Antonio R. de Moura Neto, provincial dos Oblatos de São José, com o tema Espiritualidade Josefina; do cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, que falou sobre Vida cristã; de dom João Bosco Barbosa de Sousa, bispo de Osasco (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e padre João Paulo Risek, que abordou o Ano Mariano Nacional.
A intenção das Missões Josefinas era de fomentar na paróquia o espírito de missão. Ou seja, deseja-se que todas as pessoas da comunidade se sintam missionárias e intensifiquem a evangelização, anunciando a alegria do Evangelho.Assim, entendemos e podemos afirmar com essas Missões que a nossa vocação cristã nos impele a sermos portadores do espírito missionário, para que haja uma verdadeira conversão missionária em toda a Igreja. Portadores da alegria, simples e profunda, terna e verdadeira.
O Santuário Santa Edwiges é espaço de promoção da dignidade humana, através do serviço pastoral em favor dos empobrecidos. Por isso, nas visitas missionárias foram feitas fichas de atendimento para um posterior retorno dos assistentes sociais onde a realidade exigir; também houve momentos de oração e bênção das famílias e suas casas. Os missionários tornaram-se portadores de esperança para pessoas muito sofridas.
As crianças foram indispensáveis para a missão! Elas guiavam os missionários pelos longos becos, vielas, abrindo portões, lendo salmos, convidando para a missa. Missionários voltavam das visitas com um sorriso largo, apesar do cansaço, mas um cansaço que valia a pena. Quantos suspiros! Pessoas sentadas pelas escadas e bancos do santuário contando sobre fatos ora engraçados, ora angustiantes. Um jovem dizia: “Hoje o dia foi pacas; cada situação difícil, cara!”. E continuou falando sobre a experiência de se abrir para escutar um fato triste e não saber o que dizer. Só restou abraçar o outro num silêncio significativo, consolador.

Compromisso com a vida – Ruth Maria, uma jovem missionária, assim testemunhou: “Como missionária, eu aprendi que nunca estamos sozinhos. Aprendi que somos responsáveis uns pelos outros. Aprendi que a missão se faz todo dia, em todos os lugares. Aprendi que a missão é alegre, festiva, cheia de vigor e vontade. A missão não exclui, mas integra. A missão completa aquilo que falta. Minha alegria em ser uma jovem missionária é poder ir ao encontro do diferente. São tantos os aprendizados durante a missão. Aprendemos a olhar para as necessidades, os sofrimentos do outro. Quando fazemos isso, percebemos que o que pensamos ser o mais importante, o essencial para nós, na verdade não era tão necessário assim. A missão exige transformação, exige coragem.
Para finalizar a semana de missão, realizamos uma Noite Luminosa. Vários grupos de todos os recantos dos bairros vinham em direção ao santuário com velas acesas, cantando e rezando. No último dia, era a vez dos missionários fazerem a experiência do encontro com os romeiros, que todos os dias 16 de cada mês, buscam no Santuário de Santa Edwiges, Padroeira dos Pobres e Endividados, as bênçãos de Deus. É comovente quando se escuta o canto da ladainha os pedidos do povo de Deus que confia na intercessão da santa.
Enfim, quantos stories! Explico: vários aplicativos (apps) de smartphone atualmente vêm com o recurso de compartilhar algo que você esteja fazendo naquele instante, mas que ficam à vista apenas 24 horas. Ou seja, você compartilha um story, uma “história”. Assim também foi a experiência dos jovens que participaram das Missões Josefinas: muitas histórias vividas e amadas, mas que ficarão guardadas no app do coração e que muito colaboram para seu crescimento na fé. Pois todos agora sabem que, pelo batismo, “a missão é nossa!”.

Por,  Irmão Ismael Giachini Frare, osj




Fonte: Fc edição 980, Agosto de 2017
Postado por: Família Cristã




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