Durma bem sem a apneia

Data de publicação: 16/07/2018


Por, Rosangela Barboza

A apneia é um distúrbio do sono que pode trazer sérios problemas para a saúde e prejudicar a qualidade de vida. O ronco é um dos sintomas.  Mas tem tratamento!
Quem já dormiu ao lado de uma pessoa que ronca sabe o quanto isso costuma ser incômodo. Para quem ronca a situação também não é agradável, pois  pode até virar motivo de piada. Mas não tem nada de engraçado. O ronco, na verdade, chega a ser um transtorno social por causa do barulho e, se não tratado, piora. “O ronco é o primo pobre da apneia”, brinca o otorrinolaringologista Carlos Henrique Ferreira Martins, da Clínica de Distúrbios do Sono, em Bauru (SP). “O ronco é um fechamento parcial da garganta durante o sono. Produz  ruído mas o ar ainda passa, enquanto a apneia fecha a garganta por  completo,  e a pessoa não respira”, explica o médico. “Na maioria das pessoas, quando o ronco se instala, depois de um tempo, a apneia aparece e, com ela, os prejuízos à qualidade de vida e à saúde.”
 A  chamada apneia obstrutiva do sono  é uma das 84 doenças do sono descritas nos códigos de classificação Internacional de  Doenças (CID) e ocorre  quando os músculos da garganta relaxam durante o sono e as vias respiratórias se fecham, impedindo a respiração adequada e reduzindo  o nível de oxigênio no sangue. “Com isso, o organismo sofre, e órgãos como coração, cérebro e rim são prejudicados”, alerta o médico.
A apneia faz com que a pessoa pare de respirar por alguns segundos, repetidas vezes durante a noite. Cada episódio de apneia dura no mínimo dez segundos, porém, dependendo da gravidade,  pode chegar até um minuto e meio. Assim, a apneia impede o sono profundo durante a noite, já o sono irregular, com problemas na oxigenação sanguínea, pode causar doenças graves, inclusive atingindo o sistema cardiovascular. A hipertensão arterial é apenas um dos problemas cardiovasculares que podem ser causados ou agravados pela apneia. E esta também costuma aumentar consideravelmente os riscos de morte súbita cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva, diabetes, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.  E, como se isso não bastasse, a qualidade de vida da pessoa também cai. Pacientes com apneia acordam cansados e mal-humorados, por causa do sono irregular.
O ronco, que abre esta  matéria, não é o causador da apneia, mas é um dos sintomas, e atenção: quem ronca tem grandes possibilidades de ter apneia. Além do ronco, outros sintomas são  sonolência excessiva durante o dia, dor de cabeça, diminuição da capacidade de atenção, perda de memória, irritação. Despertar abruptamente durante a noite com falta de ar ou acordar com a boca seca também são indicativos da doença.  Ressaltando: normalmente, o ronco específico de quem sofre com o distúrbio segue um mesmo ritmo: vai ficando mais alto até, de repente, ser interrompido por um período de silêncio, que é quando a respiração para, como  uma espécie de engasgo.

Causas – De acordo com dr. Martins, a apneia, motivada por questões fisiológicas,  costuma aparecer com o processo de envelhecimento, dos 40 aos  45 anos, em homens e mulheres. Estudos mostram que cerca de 40% da população tem apneia, a maioria homens.  “Isso porque o  tônus muscular é prejudicado  com o envelhecimento”, lembra. E, normalmente, com a idade, também vem o aumento de peso e  o sedentarismo. Cerca de  60% das pessoas obesas  têm apneia e ronco. Outros fatores que favorecem o ronco e o desenvolvimento da apneia são o consumo de álcool frequente e o hábito de dormir de barriga para cima. Há ainda os problemas de ordem anatômica que também levam as pessoas a ter apneia, independentemente da idade, como  anormalidades endócrinas ou craniofaciais, hipoplasia maxilomandibular, e predisposição genética.

Como tratar – O diagnóstico da apneia é feito através da polissonografia, um estudo monitorado do sono. “É  um exame feito à  noite em clínica. Com o paciente  dormindo, a polissonografia vai indicar o grau de severidade do problema. Junto com a definição do quadro, se é  anatômico ou fisiológico,  encontramos o melhor tratamento”, explica dr. Martins. Os tratamentos indicados para a apneia do sono devem manter as vias respiratórias abertas, evitando que a respiração seja interrompida durante o sono. Em alguns casos, existem aparelhos odontológicos que mantêm  a mandíbula posicionada mais para a frente, impedindo o bloqueio das vias aéreas durante a noite. Também há indicações de exercícios fonoaudiológicos para tonificar a musculatura da garganta.
As cirurgias são indicadas para as causas anatômicas, como  correção e  desobstrução de nariz ou remoção de amígdalas e adenoides. Existe uma tecnologia voltada para aparelhos que permitem que o paciente durma melhor. Um deles é o CPAP, sigla que vem do inglês Continuous Positive Airway Pressure, aparelho de pressão positiva contínua nas vias aéreas, que  injeta ar pelo nariz por meio da máscara nasal  abrindo a garganta e evitando o fechamento das vias respiratórias. Usado  com máscara nasal ou oronasal,  é  considerado um tratamento  eficiente para a maioria das pessoas e pode ser feito em  casa.  “O tratamento, assim como a indicação ou não de cirurgia, vai depender do grau de severidade da apneia”, ressalta o médico. Quando a origem da apneia é uma questão anatômica, pode ser indicada a cirurgia para  resolver o problema.  No caso do uso dos aparelhos, é um tratamento ininterrupto. “Se o paciente ficar sem usar, a apneia reaparece.”





Fonte: Fc edição 984, dezembro de 2017
Postado por: Família Cristã




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