Saúde verde

Data de publicação: 10/08/2018



Importância da identificação correta de plantas como ferramenta segura de práticas terapêuticas medicinais e fitoterápicos

No trabalho com plantas medicinais, algumas questões devem estar bem estabelecidas, começando pelo diagnóstico exato da doença, seguido pela identificação correta da planta a ser utilizada, bem como o conhecimento do seu preparo e uso adequados, incluindo-se a verificação do processamento recebido pela planta, prazos de validade, etc., garantindo-se assim a presença do desejado princípio ativo.
Embora as comunidades identifiquem suas plantas por meio de nomes reconhecidos na vizinhança (nomes populares), e que devem ser respeitados, estes variam muito de acordo com a região e podem gerar erros quando ocorrem trocas de informações. É frequente acontecer que plantas diferentes recebam um mesmo nome ou nomes semelhantes, e também a ocorrência de nomes diferentes para uma mesma planta.
As confusões com relação à identificação de plantas podem trazer problemas como: não obtenção dos efeitos desejados, intoxicação por uso de planta errada ou por uso incorreto, erro nos tratos culturais (ou seja, cultivo das plantas de forma inadequada), comércio ou trocas de plantas erradas, podendo levar à perda de credibilidade no uso dessas plantas.
Dar nome às “coisas” e classificá-las resulta de uma necessidade cultural que temos de tentar “organizar” a nossa compreensão do mundo. Assim, ele nos fica mais familiar à medida que reconhecemos “coisas” semelhantes àquilo que já conhecíamos.
A Sistemática é a ciência que estuda a diversidade biológica e a sua história evolutiva. A Taxonomia é o ramo da Sistemática responsável pela identificação, atribuição de nomes e classificação das espécies.
Para a identificação das espécies, os pesquisadores utilizam o nome científico, que não representa apenas uma “carteira de identificação” universal para um organismo, mas também fornece pistas acerca das relações de um organismo com outro.
O nome científico é universal, pois é o mesmo em qualquer língua ou país, e é específico, ou seja, para cada espécie existe apenas um nome e vice-versa. Isso permite uma rápida localização das informações em livros ou revistas e sites, no mundo todo.
A publicação de Species Plantarum pelo naturalista sueco Lineu, em 1758, foi um marco no sistema moderno de classificação biológica, estabelecendo o sistema binomial (dois nomes) para a designação de espécies, em vez da frase descritiva em latim, usada anteriormente.
O nome científico, tanto de plantas como de animais, é composto por dois nomes (binômio), seguidos do nome do autor (geralmente, escrito de forma abreviada). Por exemplo, Melissa officinalis L. é a erva popularmente conhecida por melissa ou erva-cidreira-verdadeira. O primeiro nome (Melissa) é o gênero, também chamado de nome genérico, e deve ser iniciado com letra maiúscula. O segundo nome (officinalis) é o epíteto específico, iniciado com letra minúscula. O nome do autor indica quem foi o responsável pela denominação e a classificação da espécie, no caso, L., abreviação de Lineu.

A citação do autor em seguida ao binômio não é obrigatória, mas, se for utilizada, deve acompanhar o Código de Nomenclatura Botânica.
O nome da espécie (Gênero + epíteto específico) é grafado em latim, e deve ficar em destaque no texto, escrito em itálico, negrito ou sublinhado. Usa-se o latim porque, na época em que as regras foram estabelecidas, ele era a língua dos estudiosos e do intercâmbio científico, como hoje é o inglês.
Algumas plantas cujas ações ainda não estão comprovadas cientificamente, mas que são tradicionalmente conhecidas e utilizadas. Outras foram apresentadas como exemplos de casos de confusão, devido à semelhança em seus nomes populares. Quando a planta foi pesquisada pelo Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos (PPPM-CEME), com resultados divulgados em 2006, através do Ministério da Saúde (MS), na publicação A Fitoterapia no SUS e o Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais da Central de Medicamentos, é feita menção como PPPM-Ceme. Por ser importante, é enfatizado que o uso de plantas medicinais ou de fitoterápicos para sintomas leves é usual e pode ser feito com o conhecimento tradicional familiar. Mesmo assim, os usuários/ pacientes devem ficar alertas para a piora dos sintomas ou sua repetição, que podem ser indicativos de doenças mais graves que exigem diagnóstico, tratamento e acompanhamento por um profissional da saúde qualificado. Evitar o consumo em excesso e por longos períodos. No caso de reações alérgicas/ hipersensibilidade, interromper o tratamento e procurar pronto atendimento.

Plantas medicinais
Por Secretaria do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo (SP)

Alecrim - Rosmarinus officinalis L.
Planta subarbustiva e lenhosa, originária da região Mediterrânea da Europa, cultivada em hortas e jardins do Brasil. Possui folhas aromáticas, lineares, coriáceas, de aproximadamente 3 cm de comprimento e produz pequenas flores azul-rosadas ou branca - azuladas. Família botânica: Lamiaceae (Labiatae)
Nomes populares: rosmarino, alecrim-comum, alecrim-de-casa, alecrim-de-cheiro, alecrim-de-horta, alecrim-de-jardim, alecrim-rosmarinho, erva-cooada, erva-da-graça, flor-de-olimpo, rosa-marinha, herba rosmarinii, rosmarin.

Parte usada: folhas.
Principais componentes químicos: óleos essenciais (cineol, alfa-pineno, borneol e cânfora), diterpeno (rosmaricina), taninos, colina, saponina ácida, ácidos orgânicos e flavonóides. Algumas propriedades: diversos usos, tais como carminativo,espasmolítico, rubefasciente e antimicrobiano (uso externo).

Culinária: temperos e molhos.
Infusão (chá): aparelho digestivo (gases, má digestão), anti-séptico.
Fitocosmético: tônico capilar (loção capilar, xampu); óleo (cabelo e pele).

Precauções/Toxicidade/Contra-indicação: usar com cautela e sob orientação médica. Não é indicado em altas doses por via oral, pois é abortivo; provoca irritações gastrintestinais, podendo causar gastrite, gastrenterite, nefrite e demais complicações. O seu uso durante a noite pode alterar o sono. É fotossensibilizante e a sua essência pode ainda ser irritante para a pele.

Contra-indicação: diabetes, hipertensão, hipertrofia da próstata, doenças inflamatórias da pele, indivíduos com diarreia, gestantes, lactantes e crianças.

Alfavacão - Ocimum gratissimum L.
Arbusto de folhas lanceoladas, de aproximadamente 8 centimetro de comprimento, ásperas, com margens serreadas e aroma de cravo-da-índia. Flores róseas ou amarelo-esverdeadas, dispostas em racemo (cacho).
Originária da Ásia, tornou-se subespontânea no Brasil. É confundida com outras espécies igualmente populares, muito apreciadas e utilizadas no Brasil e popularmente denominadas de manjericão, alfavaca, alfavaca-cheirosa ou basílico, dentre outros nomes (Ocimum basilicum, Ocimum selloi, etc.).

Família botânica: Lamiaceae (Labiatae)
Nomes populares: alfavaca, alfavaca-cravo, manjericão cheiroso.

Partes usadas: planta inteira, folhas.

Principais componentes químicos: óleos essenciais (eugenol, cineol, cariofileno e ocimeno).

Algumas propriedades: infusão (chá): digestivo estomacal (azia), intestinal (gases, cólicas).

Precauções/Toxicidade/Contra-indicação: é fotossensibilizante
devido ao óleo essencial e seu uso não é indicado em gestantes, lactantes e crianças.

Cultivo do alecrim e do alfavacão
Ambas se reproduzem por sementes ou estacas (ramos). Planta-se de preferência na primavera. O Alfavacão responde bem a adubação orgânica. Já alecrim se desenvolve melhor, tem mais aroma e sabor quando cultivado em solos pobres em nutrientes, e que não retêm muito a água.





Fonte: FC edição 962, fevereiro de 2016
Postado por: Família Cristã




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