Às crianças o que é delas

Data de publicação: 17/08/2018

        
Por, Cleusa e Alvício Thewes *

A criança é vulnerável, em raras ocasiões verbaliza suas angustias e medos, mas sinaliza com reações e atitudes, uma linguagem a ser decifrada pelos pais
   
Gustavo, 4 anos – O menino frequentava a escola de educação infantil. No seu primeiro aniversário, depois do ingresso na escola, a mãe sugeriu festejá-lo em sala de aula, com os coleguinhas e a professora. Mas Gustavo protestou, caiu no choro e disse que não queria festa na escolinha. A mãe não compreendeu os sentimentos do filho. Achou que fosse birra de criança.  E planejou e organizou a festinha na escolinha.  
Depois de cantarem os parabéns, os coleguinhas fizerem fila e abraçaram Gustavo, um por um, e lhe deram um presentinho. A mãe, antes tão serena, surpreendida com essa atitude e acometida de um sentimento raivoso contido à força, impactou. Mas não teve jeito, viu-se obrigada a reconhecer seu erro. Fora negligente. Nunca lera os bilhetes escolares do filho. E alguns deles se referiam aos aniversários de alunos ou alunas, festejados na escolinha. Neles a professora pedia à mãe de Gustavo que mandasse uma lembrancinha para o (a) aniversariante. Mas Gustavo nunca levara nada. Foi o único que nunca dera  lembrancinhas aos aniversariantes. Que mico!

Aninha, 5 anos – Ao conhecer a escola em que iria estudar, ficou felicíssima.  Correu a reconhecer o pátio, os balanços, o gira-gira, o tobogã. A orientadora lhe mostrou a sala de contos, os livrinhos de história, os vídeos. Conheceu a sala de música, o laboratório, o projetor, os computadores.  Gostou de tudo na escola.
Aninha caminhava radiante de entusiasmo, ao lado da mãe. Iam buscar seu uniforme escolar e comprar uma escrivaninha para colocar no seu quarto. Então era verdade. Tinha chegado o tempo de estudar. Ela via no estudo algo de mágico, que lhe proporcionaria muitos ensinamentos. “Mamãe, vou ganhar também uma tevê para colocar no quarto”? – questionou Aninha. A mãe prontamente respondeu:  “Já temos uma na sala. Seu quartinho é lugar para descansar, brincar com as bonecas e estudar.”

Atenção e proteção ─ O papa Francisco é um pai sensível e amoroso.  Ao sinalizar à sociedade que Deus foi uma criança, colocou-nos em uma realidade cuja significância transcende a fé. Ele fala o quanto uma criança quer e precisa de atenção, pois esta é a maneira de sentir-se protegida. Assim como Jesus quer ser nosso centro, receber nosso colo e ter seus olhos fixos no nosso olhar, assim também a criança quer ser o centro do lar, receber nosso colo e ter seus olhos fixos nos nossos. É assim que ela se sente segura.
A criança acolhida nesta perspectiva eleva o adulto e o debruça na arte do cuidar.
A criança quebra a rigidez adulta, arranca sorriso do carrancudo, adoça palavras amargas. Atenção e proteção, olhar e escutar, atitudes tão simples e humanitárias na dança recíproca entre o dar e o receber, enobrecem o adulto e enaltecem a criança.
No relato de Gustavo, um descuido da mamãe o deixou desprotegido. Compreende-se que não foi um ato intencional, nem é exceção. Ao contrário, é mais comum do que se pensa. Os adultos mergulham em seu universo de preocupações, interesses, sentimentos e descuidam-se, e até desrespeitam, os sentimentos e as necessidades da criança.  A criança é vulnerável. Em raras ocasiões verbaliza suas angustias e medos. Ela sinaliza com reações e atitudes, como o choro, mas não fala o que sente. Uma linguagem a ser decifrada pelos pais. Estejam atentos.


Dinâmica familiar ─ As famílias com crianças precisam organizar uma dinâmica familiar que inclua os pequenos. A dinâmica varia de acordo com as idades das crianças. A tenra idade exige todo um envolvimento materno e paterno de cuidado e proteção. É médico, vacina, amamentação, choro, noite mal dormida, trabalho.  Bebê muda a rotina familiar. Depois, já mais crescidos, brincam, cantam, pulam no sofá, deixam copos pela casa, nas mesas, na pia, roupas pelo chão do quarto, das salas, do banheiro. Casa com criança tem bagunça, brigas, alegria, barulho. Quando ingressam no colégio, muda, outra vez, a dinâmica. A nova dinâmica inclui novas combinações. Ajuste de horário para brincar, comer, tomar banho, dormir, estudar. Eis a logística  do bem conviver. Cada decisão é importante, pois influi no aprendizado, no desempenho das tarefas, na formação do caráter, da segurança. Finalmente vem a fase em que os pais terão que facilitar o trânsito dos filhos ao amadurecimento, à adolescência, à idade adulta.
Lá na historinha, Aninha recebeu uma escrivaninha. Esta, certamente, foi de grande importância na sua motivação para aprender. O papel de despertar as crianças ao aprendizado, respeitando suas habilidades e dons, cabe aos pais.
Nas férias escolares, a dinâmica familiar vira do avesso, novamente. Filhos sem tarefas, sem horários, o dia todo em casa, bagunçam um bocado. E quando começam a sair, a correr rua, a visitar amigos e amigas? Bem, nesse momento, os pais têm que ser hábeis para não perder o controle. Que alegria!         Acabaram as férias. As férias deles. Agora voltam as tarefas, os horários... E os pais entram em férias. Que alívio! Mais uma etapa vencida.
Lembrem-se, papai e mamãe: há bilhetes na mochila da vida. Bilhetes de sua responsabilidade. Façam a leitura correta. E sejam felizes. Vocês e seus filhos.
Ó Mãe do Jesus Menino, cuide as crianças. Amém!        
                                  
 
* Cleusa e Alvício Thewes são casados há 29 anos e têm dois filhos. Ela é terapeuta familiar e especialista em Orientação Familiar. Ele, advogado e especialista em Família.




Fonte: FC edição 962, fevereiro de 2016
Postado por: Família Cristã




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