Plantas como medicamentos

Data de publicação: 30/08/2018


Por, Assucena Tupiassú e Maria José de Azevedo Cardoso*
Plantas como medicamentos

O extrativismo, coleta o manejo de recursos vegetais de florestas, corretamente, são fundamentais para evitar a extinção pela da biopirataria

Há registros do uso de plantas como medicamento em todas as épocas. O faraó Ramsés I e seus contemporâneos, por exemplo, em 1500 a.E.C. (antes da Era Comum ou Era Cristã), já registravam e descreviam o uso das plantas medicinais na antiga civilização egípcia.
Como todas as plantas, as medicinais possibilitam a sobrevivência das espécies animais. Retiram gás carbônico do ambiente e devolvem oxigênio. A maior parte do oxigênio que utilizamos é proveniente das algas, mas as plantas também o produzem. Além disso, no processo da fotossíntese há liberação de água no ambiente, o que melhora a umidade do ar e mantém ativo o ciclo desse líquido.
Reduzem a poeira no ar. Estudos comprovam que em áreas bem arborizadas podemos ter uma diminuição de poluentes em até 80%. Reduzem a poluição sonora em até 50%. Auxiliam na preservação de mares, rios, lagos ou quaisquer cursos d’água. A vegetação denominada mata ciliar evita em parte que a poluição chegue à água.
Amenizam a poluição do solo. Combatem o fenômeno denominado erosão, pois as raízes das plantas funcionam como uma malha que segura a terra, evitando que a poluição invada o solo. Ou mesmo pelo fato de as pessoas ficarem inibidas de jogar lixo em um belo jardim. Evitam enchentes. Onde há vegetação, há área permeável, o que diminui a ocorrência de enchentes, além de auxiliar no restabelecimento dos lençóis freáticos.
Onde existem plantas, cria-se um ambiente mais bonito, pois se diminui a poluição visual,o que contribui também com o bem-estar das pessoas.São responsáveis pela nossa alimentação: quase tudo que comemos vem direta ou indiretamente das plantas, pois elas dão início ao ciclo alimentar de todos os animais. Das plantas retiramos produtos e subprodutos, que, comercializados, mantêm economicamente muitas famílias. São os perfumes, resinas, látex, corantes, madeira etc. Beneficiam a saúde. A maioria dos medicamentos tem ativos provenientes das plantas.
São usadas na descontaminação do solo por meio do plantio integrado com espécies adequadas. Por outro lado, o cultivo inadequado das plantas pode levar à extinção de espécies; erosão genética; contaminação do solo, de plantas, da pessoa que aplica e de quem consome as plantas que foram tratadas inadequadamente com defensivos agrícolas.
Ao longo do tempo, a quantidade de plantas retiradas da natureza é muito maior do que o número de espécies plantadas. O crescimento populacional, o aumento das necessidades e a ideia de que temos muito e nunca faltará levou a grandes catástrofes.
O uso inadequado das plantas medicinais também pode gerar um grande problema ambiental, normalmente pelo desconhecimento: das espécies recomendadas para determinada ação; das partes indicadas – raiz, caule, folha, flor ou fruto; do modo de preparo – infusão, maceração etc.; da presença de alergias nas pessoas a quem são recomendadas as plantas medicinais; da concentração adequada; do armazenamento das plantas; do modo de extração.

Ecologia e economia – A ecologia andou sempre distante da economia, apesar de ambas terem o mesmo prefixo eco = oikos – casa, natureza, meio ambiente. No primeiro caso (ecologia), refere-se ao estudo da natureza; e no segundo (economia), às normas da natureza.
O primeiro passo para alcançar o equilíbrio ecológico é a adoção de medidas econômicas. Atualmente, o comércio de medicamentos fitoterápicos brasileiro movimenta cerca de 260 milhões de dólares ao ano. Porém, para muitos medicamentos, são necessários vários quilos da planta que fornece o princípio ativo para sintetizar 1 grama do remédio.
Aproximadamente 70% dos medicamentos são feitos a partir das plantas. Levando em consideração que o Brasil possui cerca de 55 mil espécies vegetais e é o País que tem a maior biodiversidade do planeta, a quantidade de produtos manufaturados com os ativos dessas espécies é bastante reduzida, visto que até o ano 2000 foram registrados no Ministério da Saúde somente cerca de 590 produtos fitoterapêuticos, a partir de 600 espécies de plantas medicinais. Ainda há muito a ser estudado.
Além do pouco investimento no desenvolvimento de pesquisas, o governo precisa tomar medidas urgentes, pois essa riqueza é alvo da biopirataria e do patenteamento de diversos medicamentos por parte de outros países.
Apesar das plantas em si ou dos recursos genéticos, são apropriados também o conhecimento popular, que a cada dia vai se perdendo, muito por conta da transferência da população do campo para as cidades. Foi constatado que o porcentual de migração para a cidade, segundo o censo demográfico de 2000, atinge 89,02% (Amapá), 74,22% (Amazonas), 76,12% (Roraima), 74,30% (Tocantins), 66,35% (Acre), 64,09% (Rondônia) e 66,50% (Pará). Essas pessoas, ao se dirigirem aos centros urbanos, deixam receitas e técnicas que eram utilizadas há várias gerações para curar diversas doenças. Consequentemente, os locais que essas pessoas habitavam ficaram desprotegidos, tendo em vista que eram elas que cuidavam de tais áreas, agora sujeitas ao desmatamento e ao extrativismo descontrolado.
O termo biopirataria foi lançado em 1993 pela Organização Não Governamental (ONG), Rafi hoje ETC-Group. Define-se biopirataria como a apropriação indevida do conhecimento popular e dos recursos genéticos por indivíduos, empresas multinacionais ou instituições científicas, com a finalidade de obter o controle exclusivo desse material e, consequentemente, o lucro.
Algumas ações foram tomadas na tentativa de reverter esse quadro contra a biopirataria, porém todas tímidas e não eficazes, das quais podemos destacar:

Compromissos – A Convenção da Diversidade Biológica, assinada em 1992, durante a Conferência  das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco-92), no Rio de Janeiro, para a regulamentação do acesso aos recursos biológicos e a repartição dos lucros com a comunidade da comercialização desses recursos. O Projeto de Lei foi assinado em 1995 pela então senadora Marina Silva. A Carta de São Luís do Maranhão, elaborada em dezembro de 2001, por pajés de diferentes comunidades indígenas do Brasil, importante documento para ser encaminhado à Organização Mundial de Propriedade Intelectual da Organização das Nações Unidas (Ompi/ONU), questionando o patenteamento que deriva de acessos a conhecimentos tradicionais.
Em 2001, o Núcleo de Plantas Medicinais e Aromáticas (Nuplam), que tem a função de conciliar a pesquisa científica ao conhecimento popular, entre outras ações. Compromisso de Rio Branco, elaborado em maio de 2002, no Acre, durante o workshop Cultivando Diversidade, que teve a participação de mais de cem representantes, entre agricultores, pescadores, povos indígenas, extrativistas, artesãos e ONGs de 32 países da Ásia, África e América Latina. Esse compromisso alertou sobre os malefícios da biopirataria, solicitando que fossem banidos o patenteamento de seres vivos e qualquer forma de propriedade intelectual sobre a biodiversidade e o conhecimento tradicional dos povos.
O que vem acontecendo no Brasil é chamado de erosão genética, devido à extração excessiva, que resulta, em alguns casos, na extinção de espécies, e também devido ao melhoramento genético, com a introdução de genes adicionais em variedades cultivadas por meio da seleção artificial, possibilitando as limitações por causa do rápido aparecimento de patógenos ( agentes causadores de doenças) e mutantes.
Algumas ações devem ser tomadas para controlar a perda desse rico material: incentivar as pessoas a permanecerem nas terras, por meio de investimentos e abertura de campo de trabalho; recuperar a cultura popular para uso dos bens naturais, inclusive das plantas medicinais; criar viveiros para que as plantas sejam produzidas e comercializadas, evitando-se a sua retirada indiscriminadamente das matas; criar e adotar políticas que inibam a biopirataria; articular os setores públicos, privados, comunidade local e organizações não governamentais; criar e manter uma rede de informações de todo o conhecimento científico, com ampla divulgação; capacitar e treinar pessoas com técnicas de uso, produção e manutenção das plantas medicinais; avaliar os impactos de extração.

Plantas medicinais
Beldroega – Portulaca oleracea L.
Erva rasteira de folhas de 1 a 2 cm de comprimento, talos rosados, originária da Europa. Hoje cresce espontaneamente em todo o território brasileiro, em solos agrícolas ricos em matéria orgânica, sendo considerada indicadora de bom padrão de fertilidade do solo.

Família botânica: Portulacaceae

Nomes populares: beldroega-pequena, beldroega-vermelha, beldroega-da-horta, caaponga, porcelana, bredo-de-porco, onze-horas, salada-de-negro, ora-pro-nobis etc., popularmente denominada de bálsamo, nome não encontrado para esta planta na literatura.

Parte usada: planta inteira.

Principais componentes químicos: vitamina C, sais de potássio, carotenoides, ácido oxálico, mucilagens, resinas, óleo essencial e alcaloides em pequenas concentrações.

Algumas propriedades: culinária (folhas, talos e sementes): saladas, sopas, caldos e refogados. Infusão (folhas e ramos): digestivo estomacal, problemas gastrintestinais. Sumo e compressa (folhas): favorece a cicatrização de feridas.

Precauções, toxicidade e contra indicação: estudos com esta planta revelaram a sua riqueza em ácido oxálico e sais de potássio. Não se deve colher e comer as folhas murchas, usando-se somente as tenras e verdes. Se ingeridas por animais ruminantes (vaca), as folhas murchas podem provocar meteorismo (um acúmulo de gases no organismo), que eventualmente paralisa o funcionamento do aparelho digestivo e pode levar à morte. Uso não indicado em gestantes, lactentes e crianças.

O cultivo
Beldroega – O plantio é feito por sementes. Semear no local definitivo da horta ou em sementeiras, pode ser transplantando, quando as mudas tiverem de quatro a seis folhas. As sementes devem ser cobertas apenas por uma leve camada de terra peneirada ou de serragem fina. O espaçamento recomendado varia de 30 a 80 centímetros.




Fonte: FC edição 964, abril de 2016
Postado por: Família Cristã




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