Discussão perto dos filhos

Data de publicação: 08/10/2018



Por, Suzy Camacho *
Quando os filhos presenciam conflitos entre os pais

Não se deve difundir sentimentos negativos. Deixe que o tempo mostre aos filhos a personalidade de cada parente 

É no ambiente doméstico que as crianças e os adolescentes aprendem a se relacionar, a lidar com os conflitos e frustrações. Todos sabem que discutir faz parte da vida, mas de maneira saudável, ocasião em que cada pessoa expõe sua opinião sem ofensa, nem agressão.
A atitude de discutir de maneira equilibrada ensina a criança a argumentar em tom de voz adequado, a ouvir mesmo sem concordar, a respeitar as diferenças de opinião e lidar com elas. As divergências entre os pais são normais.  Cada qual teve uma educação diferente e convicções que podem gerar discórdia de condutas.  Se houve uma discussão entre o casal na presença do filho, é importante que ele presenciem os pais se desculpando, entrando num acordo.  Então ele entende que é normal nas relações humanas termos conflitos, mesmo com as pessoas que amamos.
É possível divergir, ficar irritado, nervoso, mas com respeito e sem afetar o amor entre as partes envolvidas. Tente sempre explicar aos filhos que os pais se desentendem, mas que eles não são culpados por essas discussões. Não é saudável que os pais fiquem sem conversar durante dias, devido às mágoas e aos ressentimentos advindos da discussão entre eles.
Além do sofrimento gerado nos filhos que observam essa situação desconfortável, eles irão aprender a se comportar do mesmo modo inadequado:  usando o silêncio nocivo para provocar com uma punição aquele que divergiu da sua opinião. Essa atitude distancia o casal e impossibilita uma reconciliação e entendimento.  Digo sempre que a pessoa mais equilibrada iniciará o diálogo para a reconciliação, independentemente de quem está certo ou errado. 

Sem preparo para entender – Lembre-se de que muitas questões não devem ser discutidas na frente dos filhos, porque eles podem não estar preparados para entender. Comentários sobre familiares próximos, avós, irmãos, tios, devem ser realizados em separado, afinal os filhos têm vínculos com essas pessoas e podem ficar confusos com aquilo que ouvem, tornando-se rebeldes ou arredios. Tendem a desenvolver sentimentos ambivalentes, de amor e ódio, por pessoas que serão muito importantes para eles no futuro. Não se deve difundir sentimentos negativos. Deixe que o tempo mostre aos filhos a personalidade de cada parente. 
Caso esteja com dúvidas a respeito de alguma conduta, converse com seu(sua) companheiro(a) longe dos filhos. Se perceber que durante o diálogo o conflito está chegando a um nível insustentável, interrompa imediatamente a discussão dizendo que é melhor retornar ao assunto em outro momento, porque você não quer brigar e se descontrolar.  Mas é fundamental que realmente retorne ao assunto mais tarde, quando os ânimos não estiverem alterados, para encontrar uma forma de resolver a questão.
A criança não deve assistir a discussões em que ela é o alvo da discórdia. Os pais podem divergir dos horários de se alimentar, dormir, tomar banho, jogar video game, usar o celular, enfim, rotinas diárias que podem gerar estresse. Mas não devem discordar na frente dos filhos. Quando o companheiro estipulou algo que não concorde, não o desautorize imediatamente. Procure chamá-lo em separado e explique as suas razões para discordar da atitude tomada. Baseie-se em fatos que demonstrem o prejuízo dessa atitude sem atacar a pessoa que agiu de maneira inadequada, mas descrevendo onde haverá prejuízos para o filho e como seria melhor a outra opção de conduta.  Caso haja o acordo, peça que a própria pessoa comunique aos filhos as mudanças de conduta para que seja mantida a sua autoridade.
Quando a criança percebe que os pais brigam por situações em que ela está envolvida, poderá sentir-se culpada pela briga entre as pessoas que mais ama, tornando-se angustiada, ansiosa e insegura, muitas vezes não sabendo a quem obedecer e o que fazer.  O correto seria que os pais conversassem a sós para entrarem em acordo sobre as questões conflituosas.

Forma ideal de educar – Os pais demonstram no ambiente doméstico, através das suas atitudes, qual a maneira de se resolver os problemas e como agir diante das diferenças de opiniões. Deveriam se treinar para ser o modelo de como se controlar em meio às discórdias, como argumentar de maneira respeitosa, como saber ceder mesmo que estando com a razão, mas percebendo que o momento não é adequado para o enfrentamento.
 Quando os filhos assistem aos conflitos entre os pais, as atitudes podem ser muito prejudiciais ao desenvolvimento das crianças, principalmente quando os pais manifestam violência, tanto física (empurrar, bater, quebrar objetos), como psíquica (ameaçar, xingar, gritar, ofender, envergonhar o cônjuge).
As pesquisas demonstram que há uma mudança negativa no comportamento deles.  Tornam-se mais nervosos, estressados, agressivos. Utilizavam as informações que ouviram durante as brigas, para justificarem suas falhas e ações incorretas. As situações de brigas, discussões, ameaças constituem uma nefasta violência psicológica, pois o filho fica no cerne da briga entre os pais.
O conflito passa a fazer parte do cotidiano desse jovem, prejudicando seu desenvolvimento físico e psíquico. Muitas vezes os pais não têm consciência da gravidade dos efeitos negativos do seu conflito no desenvolvimento do filho. Tais situações geram neste ser em formação, sentimentos de medo, revolta, raiva, agressividade e repetição das atitudes dos pais. Há uma grande possibilidade de desenvolvimento de transtornos de conduta, depressão, ansiedade, uso de substâncias tóxicas, entre outros.
Caso o conflito esteja sem solução, seria conveniente pedir o auxílio de uma outra pessoa,
um profissional como um psicólogo , um médico, um professor, um familiar, um líder religioso ou um amigo, enfim, alguém que tenha o respeito  e seja da confiança  de ambos os pais para mediar uma solução.
O importante é perceber a responsabilidade sobre a formação das pessoas mais importantes em nossas vidas: nossos filhos.
Comece já a ficar atento às suas respostas e perceba quais os momentos mais delicados em que a possibilidade de conflito é maior. Mude as atitudes.
Com certeza seu autocontrole lhe fará mais feliz e trará alegrias às pessoas ao seu redor.

 * Suzy Camacho é psicoterapeuta familiar.




Fonte: Fc edição 990, Junho de 2018
Postado por: Família Cristã




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