Presente e futuro da Igreja

Data de publicação: 01/11/2018

Por, Viviani Moura, fsp
Jovens, presente e futuro da Igreja

O Sínodo dos Bispos sobre a Juventude tem mostrado o quanto os jovens, os principais protagonistas, podem ter voz e vez

Ana Carolina Santos Cruz é coordenadora do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) da Arquidiocese de São Paulo (SP). Em 2015 teve a oportunidade de ir a Roma e fazer uma pergunta direta ao papa Francisco. Ao abraçar o pontífice, ele perguntou-lhe quem era melhor: “Maradona ou Pelé?”. Ana Carolina respondeu que era Pelé, e isto teve uma grande repercussão como a menina que arrancou gargalhadas do papa. Esta proximidade do pontífice com os jovens nota-se também na convocação de um Sínodo dos Bispos dedicado à juventude, no qual revela a preocupação pastoral da Igreja em relação aos jovens. A 15ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos acontecerá entre os dias 3 e 28 de outubro de 2018 com o tema Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Sobre o sínodo, Ana Carolina afirma que “o papa acredita na força do jovem e, para a Igreja se transformar, as pessoas precisam saber ouvir os jovens e estarem atentos aos anseios deles”.

Caminhar juntos – Em janeiro de 2017, foi divulgado o documento preparatório para o sínodo, acompanhado por uma carta do papa aos jovens e um questionário direcionado aos organismos que trabalham com a juventude, além de um questionário acessível na internet, disponível até o dia 31 de dezembro de 2017 para todos os jovens, de 16 a 29 anos, a fim de compreenderem a realidade juvenil e prepararem a assembleia dos bispos.
Papa Francisco disse que nenhum jovem deve se sentir excluído, pois o sínodo é para todos, também para os jovens ateus, para os de outras denominações religiosas e para os que estão mais afastados da Igreja, todos os jovens são os protagonistas do sínodo. O assessor nacional da Pastoral Juvenil da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Antonio Ramos do Prado, sdb, vê o questionário como algo positivo, pois parte da realidade juvenil. “Penso que a maior urgência da Igreja seja conhecer de fato os jovens e sua realidade para não falar algo que desconhece, chegando a não atingi-los. A segunda preocupação do papa é que os espaços da Igreja precisam ser assumidos pelos jovens. Uma Igreja em saída se desinstala se abre para o novo. O jovem é sempre novo”, destaca o sacerdote.
Ao querer ouvir os jovens, o líder católico demonstra uma escuta ativa da realidade do jovem de hoje, com as alegrias e os dramas que afetam diretamente o mundo juvenil. “Alguns jovens hoje vêm desenvolvendo um grande vazio existencial, provocado pela falta de perspectivas de futuro, pela falta de um projeto de vida que os motive a buscar experiências mais saudáveis para sua vida. Soma-se a isso o fato de uma grande fragilidade emocional de alguns jovens, levando-os a terem dificuldade em lidar com as frustrações”, explica o especialista em juventude, Carlos Eduardo Cardozo.
 Retorno do Brasil – No País, foram cerca de 170 dioceses que enviaram as respostas do questionário à CNBB. De acordo com dom Vilsom Basso, referencial para a juventude e bispo de Imperatriz (MA), nas respostas enviadas em preparação ao sínodo são apresentadas como desafio para o jovem brasileiro a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, a ausência de referência, de líderes, uma educação tecnicista, uma mentalidade de caminho fácil, grave desigualdade social e toda a desestruturação familiar que afeta diretamente a juventude. Mas também apresenta como oportunidade para o jovem de hoje o trabalho voluntário, a própria internet como lugar de formação, de solidariedade e de conscientização, além do protagonismo juvenil ser exercido no mundo da missão. “As perspectivas e desafios do sínodo são interpretar tudo o que está chegando do mundo inteiro e que seja acolhido pela Igreja como inspiração para a sua caminhada nos próximos anos. Os jovens estarão no centro deste sínodo. Inclusive, de 19 a 24 de março foi convocada uma reunião pré-sinodal com os jovens do mundo inteiro. Uma semana em que eles terão seu lugar, seu espaço, para mostrar suas dúvidas, críticas, sugestões por onde a Igreja pode e deve caminhar”, afirma dom Vilsom.

Escuta dos jovens – Além dos 300 jovens que estarão de forma presencial na reunião pré-sinodal, também será possível uma participação on-line. “Os grupos de jovens podem estar motivando, através desse itinerário de trabalho, que serão 15 perguntas divulgadas com muito tempo de antecedência. Os jovens podem prepará-las nos grupos e depois indicar uma pessoa que participe on-line durante aquela semana de reunião pré-sinodal e também enviar suas opiniões”, explica padre Alexandre Awi Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.
Além dessa reunião, em setembro de 2017 a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos organizou um seminário internacional sobre a condição dos jovens, em Roma. Foram convidados especialistas no tema do sínodo e alguns jovens. O jovem brasileiro Lucas Barboza Galhardo, 25 anos, representou a América Latina. “Estar ao lado de especialistas foi uma experiência de muito aprendizado, e a maior riqueza para mim, pois, tive a oportunidade de ver jovens dialogando e partilhando junto com estes especialistas.”
Padre Zezinho, scj, conhecido pela sua dedicação à juventude, foi também convidado para participar do seminário. “Os jovens falaram mais do que os adultos especialistas. Gostei desta proposta. Tenho vivido isto desde l966: eles falam/eu ouço, eu falo/eles me ouvem e, no fim, falamos juntos. E foi o que o papa me disse. Ele quer mais participação dos jovens que têm o que dizer à nossa Igreja. Ele não quer ouvir só os jovens católicos. Não somos um gueto! Somos uma Igreja aberta ao diálogo”, partilha padre Zezinho, scj.

Juventude e vocação – O tema do sínodo Os jovens, a fé e o discernimento vocacional aborda também a dimensão vocacional. Irmã Valéria Andrade Leal, ascj, assessora eclesiástica do Setor Juventude da Arquidiocese de Curitiba (PR), explica: “A Igreja espera que os jovens definam projetos de vida coerentes com o Evangelho. Acho que esta é a tônica central”.
O Sínodo da Juventude está em sintonia com ideias criativas no âmbito de cultura vocacional na Igreja. Um exemplo disso é a Ação Evangelizadora: em cada comunidade uma nova vocação, uma ação que nasceu tendo em vista os jovens. Assumiram essa Ação em prol das vocações 50 dioceses.  Terá seu marco inicial na Quinta-Feira Santa, dia 29 de março. A partir de então, antes das celebrações, encontros e reuniões, as pessoas serão convidadas a rezar uma dezena do rosário pelas vocações. Além disso, serão utilizados os meios de comunicação, sobretudo as redes sociais, para divulgar testemunhos de pessoas que vivem com alegria a sua vocação (bispos, padres, diáconos, religiosas, leigos consagrados e famílias). “Acredito que é fundamental neste momento em que vivemos buscar construir essa cultura vocacional, pois só assim a nossa juventude poderá confiar na Igreja, sentir-se filhos amados por Deus, viver sua fé e ter condições de um discernimento vocacional verdadeiro e sereno e que leve a decisões definitivas para a vida”, destaca padre Mário Spaki, secretário-executivo do Regional Sul 2 (PR) e idealizador da Ação Evangelizadora. 




Expectativas dos jovens sobre o Sínodo da Juventude

Porfírio Costa Paixão, 22 anos– Curitiba (PR)
A minha esperança é que este sínodo verdadeiramente manifeste o amor que a Igreja tem pelos jovens. Ouvir o que Deus tem para falar a nós, para a juventude, o que a Igreja tem para falar para mim.






Herlon Macedo, 23 anos, Fortaleza (CE)
Percebemos que a Igreja quer estar cada vez mais próxima de nós e nos abraça. Que, a partir desse olhar do papa, novas atitudes possam ser propostas e abraçadas efetivamente por todos em favor da juventude.



Stefhani Heloisa de Oliveira Duarte, 19 anos, Fortaleza (CE)
Espero que no mínimo nós, jovens, possamos ser realmente ouvidos, que o papa consiga despertar nos bispos, padres e diáconos um espírito de escuta e de compreensão, que possamos ter voz e vez mais que em meras palavras, mas em sadias atitudes.







Claudiana Leitão Macena, 22 anos, Quixeramobim (CE)
Desde que eu soube que o sínodo seria sobre a juventude meu coração se encheu de alegria. Falamos tanto em protagonismo jovem e é isso na prática em uma escala bem maior.

  



Ramiro Nazário de Araújo, 25 anos, Tianguá (CE)
Fiquei muito contente e a princípio muito esperançoso em relação a esse encontro. Pois, pela grandeza de um sínodo e dos assuntos que lá são debatidos, mostra que a Igreja realmente se preocupa com os jovens.




Layla Kamila Santos, 26 anos, Aracaju (SE)
Tocar no tema juventude foi um grande anseio e presente para todos nós. O sínodo a partir da temática vai abordar âmbitos “profundos” da vida dos jovens, mergulhando na experiência pessoal de fé e no quesito vocacional, pois quantos jovens passam boa parte do tempo com dúvidas vocacionais.




Fonte: Fc edição 985, janeiro de 2018
Postado por: Família Cristã




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