Gosto por ler

Data de publicação: 08/11/2018



Por, Nathan Xavier
Gosto por ler

Mesmo as novas gerações lendo mais que seus pais, ainda estamos muito distantes do ideal. Saiba como incentivar seus filhos na prática da leitura

A pesquisa Retratos da Leitura realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a pedido do Instituto Pró-Livro, indicou um aumento no número de leitores no Brasil, sobretudo entre pré-adolescentes e adolescentes (veja alguns dados à pág 42). Segundo pedagogos e professores que têm contato direto com essa faixa etária, a pesquisa nem seria necessária. O jovem de hoje lê mais e escreve um outro tanto. As mídias tecnológicas, assim como redes sociais, sites na internet, mensagens no celular, ampliaram a possibilidade de escrita e leitura. Porém, há algo com que todos os especialistas concordam: ao dividir a atenção entre tantas mídias, o adolescente prejudicar a sua concentração.

Incentivos – A importância do hábito de ler não é segredo para ninguém. “A leitura contribui para o desenvolvimento infantil e juvenil no que se refere à construção da identidade, ao conhecimento de mundo e ao desenvolvimento cognitivo”, relembra Stefânia Andrade, 34 anos, educadora, escritora e mestra em Educação, também membro da Academia Joseense de Letras. E ela nos apresenta mais alguns motivos que apontam que os jovens leem mais hoje. “Apesar de estarem longe do que gostaríamos como educadores, nossas crianças e jovens têm lido mais. E isso se deve à ampliação do acesso aos livros, à divulgação de sua importância e ao apoio midiático. Este se dá especialmente por filmes e séries de livros. É comum vermos a busca de uma obra devido à chegada do filme aos cinemas.”
 Mesmo com esse apoio, Stefânia não descarta, segundo a pesquisa, a importância de professores e pais no estímulo à leitura. “O mesmo ocorre quando divulgamos uma obra com entusiasmo e a ‘vendemos’ às crianças e jovens, o que torna essencial o papel do professor-leitor, assim como o dos pais.” Ou seja, se você é pai ou mãe precisa incentivar na criança a vontade de ler desde pequena. Primeiramente dando o exemplo. Não adianta incentivar sem mostrar que você também lê: “Se seu filho ou você não gosta de ler é porque ainda não encontraram o que lhes agrada ou precisam cultivar mais esse hábito”.
A educadora dá ainda mais algumas dicas para incentivar a família toda a ler: “Ler com ou para os filhos contribui para o hábito de leitura, além de estreitar laços afetivos. Levá-los às livrarias, sebos e eventos literários também possui os mesmos benefícios e proporciona momentos prazerosos em família! Gibis, mangás e outras histórias em quadrinhos são excelentes portas de entrada ao mundo da leitura e costumam fazer sucesso! Contos, poemas, crônicas e demais textos curtos são indicados aos leitores iniciantes, intercalando com histórias mais longas divididas em capítulos”. E, ao entrar numa livraria e se deparar com as inúmeras e vastas opções, best-sellers ou não, Stefânia sugere autores que costumam agradar. “Indico autores nacionais com diferentes obras aos adolescentes, bem como Pedro Bandeira, Marcos Rey, Ivan Ângelo, Clarice Lispector, Thalita Rebouças e Paula Pimenta, as queridinhas adolescentes,  dentre outras obras clássicas ou contemporâneas.” Já os livros de youtubers famosos, a educadora e escritora não é totalmente contra. “Respondo que depende, mas se estão lendo é sempre válido.” E se o livro já está comprado e seu filho leu, nada melhor que vocês, pais, lerem também. “É importante para conversarem, trocarem impressões e até debaterem temas e valores.”

Além do livro – As fantásticas, bonitas, tocantes, empolgantes, tristes ou engraçadas histórias que os livros trazem não precisam ficar apenas nas páginas de papel. Podem ganhar o mundo e inspirar atividades extras que envolvem crianças e adolescentes e os incentivam cada vez mais para o mundo da leitura. Essa é uma das ferramentas utilizadas pelo Programa Sala de Leitura, da Prefeitura de São José dos Campos, interior de São Paulo. Segundo o próprio município, o projeto foi implantado na rede municipal em 1984, funcionando em todas as escolas de Ensino Fundamental. A educadora Stefânia é a professora responsável por uma Sala de Leitura na Escola Municipal de Ensino Fundamental  (EMEF) Professora Vera Babo de Oliveira, na região norte de São José dos Campos. “Todas as turmas têm uma aula semanal comigo em que emprestam livros e realizam atividades diferenciadas como dinâmicas, teatros, saraus, trabalhos com os diferentes gêneros textuais, indicação literária, socialização das obras lidas, dentre outras. Faz parte do meu trabalho, assim como do de outros professores, apresentar aos alunos aquilo que eles ainda não sabem que gostam.”
Nesse objetivo de incentivar a leitura por meio de atividades que vão além do próprio ato de ler, a professora criou o Projeto Ordem da Fênix da Vera Babo, baseado na saga, de livros Harry Potter. “Aproveitando o interesse dos alunos pela saga trabalhamos leitura, interpretação e produção textual, assim como outras linguagens e temas transversais. Por meio do cenário lúdico criado pela autora J. K. Rowling, os alunos são incentivados a estudar e construir o conhecimento, desenvolvendo autonomia e protagonismo juvenil. Eles possuem aulas teóricas e práticas como quadribol, poções, confecção de varinhas e duelos.” Mas, para participarem da Ordem da Fênix, os alunos devem fazer uma prova escrita, elaborada por eles mesmos, para comprovarem que leramos livros. “Pudemos colher os frutos desse projeto na medida em que os alunos envolvidos aumentavam a frequência na leitura, pois passam a se interessar pelos livros da saga e depois por outras obras. Os pais perceberam as mudanças e alguns me procuraram para dizer que o filho não gostava de ler ou que ele havia ficado mais responsável com as atividades escolares. É nesses momentos que percebemos que vale a pena trabalhar arduamente com incentivo à leitura.” Exemplos como esses podem ser adaptados em casa, por isso a importância de os pais conhecerem o que os filhos estão lendo para discutir, debater e até mesmo criar brincadeiras e atividades baseadas nas histórias lidas. Uma forma de mostrar que os livros são, de fato, maiores que as páginas que os contêm.


Em 2011, 50% da população afirmava ler.
Em 2015, foi para 56%.

A média de leitura é de 4,96 livros por ano, enquanto a média anterior era de 4 livros.

Mulheres leitoras são em maior número que os homens (59% e 52%, respectivamente).

A leitura está em 10º lugar como opção de o que fazer no tempo livre.

30% dos entrevistados nunca compraram um livro na vida.

Na faixa etária entre 18 e 24 anos, houve aumento de 53% em 2011 para 67% em 2015.
Adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por gosto (42%), seguidos por crianças de 5 a 10 anos (40%).





Fonte: Fc edição 985, janeiro de 2018
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Receitas de reconciliação
Desarmem o coração por mais mágoa que levem. Meçam as palavras.
Menos mães perfeitas
Quero viver em um mundo com mães reais, cheias de dúvidas, questionamentos, dificuldades
Insuficiente
Na evangelização, a linguagem agropastoril de ontem precisa de acréscimos fortes na era digital!
Perdoar para prosseguir
Pedir perdão e perdoar o próximo são decisões que dão início a um processo de restauração
Missa não é opereta
Missa é culto católico, com séculos de história, que não depende de lugar para acontecer
Início Anterior 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados