Converter-se

Data de publicação: 23/11/2018



Por, Moisés Sbardelotto
Converter-se para que o amor não esfrie


Aquilo que vem de Deus e visa verdadeiramente ao nosso bem, “deixa dentro de nós um rastro bom e mais duradouro” (papa Francisco)

Recomeçar a amar, sempre: este é o convite do papa Francisco para todos os cristãos e cristãs no caminho de preparação à Páscoa. Sua mensagem para a Quaresma deste ano traz como título uma frase de Jesus, no Evangelho de Mateus, que fala muito também aos tempos em que vivemos no Brasil e no mundo: “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24,12).
Diante de fatos dolorosos e assustadores, o risco é de que se apague nos corações “o amor que é o centro de todo o Evangelho”, afirma o papa. Por isso, Deus oferece este tempo de Quaresma como “sinal sacramental da nossa conversão”, anúncio e possibilidade de voltar ao Senhor “de todo o coração e com toda a nossa vida”.

Vendedores de ilusões – Hoje, segundo Francisco, alguns “falsos profetas”, “encantadores de serpentes” e “charlatães” podem enganar muitas pessoas, propondo soluções mágicas para a maldade que se dissemina. Aproveitando-se das emoções humanas, eles escravizam as pessoas e as conduzem segundo seus interesses. O papa dá como exemplo o prazer momentâneo, confundido com felicidade, a droga, as relações passageiras, a ilusão do dinheiro que escraviza, o lucro fácil mas desonesto, a mesquinharia, o egoísmo e a solidão, uma vida completamente virtual.
“Esses impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás”, afirma o pontífice.
O principal risco é acabar tendo um “coração frio”. E aqui Francisco retoma o texto da Divina Comédia, em que Dante Alighieri, ao descrever o Inferno, imagina o diabo sentado em um trono de gelo, o “gelo do amor sufocado”. A partir dessa metáfora, o pontífice questiona: “Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?”.
Para Francisco, o que apaga o amor é, em primeiro lugar, “a ganância do dinheiro, ‘raiz de todos os males’”. Depois, a “recusa de Deus”, preferindo a própria desolação ao conforto da sua Palavra e dos sacramentos. “Tudo isso se transforma em violência que se abate sobre aqueles que são considerados uma ameaça para as nossas ‘certezas’”, afirma o papa, como o nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expectativas. A própria criação é “testemunha silenciosa desse resfriamento do amor”, pois a terra é envenenada pelo lixo e pelos resíduos; os mares são poluídos e guardam os despojos de tantos náufragos de migrações forçadas; os céus são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte, como as bombas. Mas o amor também pode se esfriar até mesmo dentro da Igreja e das comunidades, reduzindo o ardor missionário, lembra o papa.

Oração, caridade, jejum – Diante disso, o que fazer? Por um lado, Francisco afirma que a Igreja oferece o “remédio por vezes amargo da verdade”, que nos faz reconhecer esses sinais “no nosso íntimo e ao nosso redor”. É preciso discernir no coração e verificar se estamos ameaçados pelas mentiras desses falsos profetas. Aquilo que vem de Deus e visa verdadeiramente ao nosso bem, ao contrário, “deixa dentro de nós um rastro bom e mais duradouro”.
Além disso, como “nossa mãe e mestra”, a Igreja também oferece, especialmente no tempo de Quaresma, “o remédio doce da oração, da esmola e do jejum”. Francisco indica essa tríade como um “apoio” para a Igreja no “caminho” da Quaresma. Dedicar mais tempo à oração, explica o papa, possibilita que o coração descubra as mentiras secretas com as quais cada um engana a si mesmo e procure a consolação em Deus. “Ele é nosso Pai e quer para nós a vida”, afirma.
Já a prática da esmola liberta da ganância e ajuda a descobrir que o outro é irmão: “Aquilo que possuo nunca é só meu”, diz Francisco. E exorta: “Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos!”. Especialmente na Quaresma, nas relações cotidianas, “perante cada irmão que nos pede ajuda”, o papa sugere que cada um pense: “Aqui está um apelo da Providência Divina”.
O jejum tira força da violência pessoal e desarma, sendo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, afirma o pontífice, o jejum permite viver a experiência daqueles que não têm sequer o mínimo necessário. Por outro lado, “expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus”. E Ele é “o único que sacia a nossa fome”.
Se às vezes o amor parece se apagar em muitos corações, ele não se apaga no coração de Deus. “Ele sempre nos dá novas ocasiões para podermos recomeçar a amar”, afirma Francisco. Uma delas será a iniciativa “24 horas para o Senhor”, que vai ocorrer nos dias 9 e 10 de março, inspirando-se nas palavras do Salmo 130, versículo 4: “Em Ti, encontramos o perdão”. Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas para celebrar o Sacramento da Reconciliação em um contexto de adoração eucarística.

Promover a paz – Quaresma também é tempo de Campanha da Fraternidade (CF), que neste ano tem como tema Fraternidade e superação da violência. Francisco enviou uma mensagem especial aos fiéis brasileiros por ocasião da CF 2018, na qual reiterou a importância de reconhecer e superar a violência “pelo caminho do amor visibilizado em Jesus Crucificado”. Neste tempo penitencial, exorta o papa, “deixemos que o amor de Deus se torne visível entre nós, nas nossas famílias, nas comunidades, na sociedade”. Como? Com a “graça do perdão recebido e oferecido”, que é a “expressão mais eloquente do amor misericordioso”, um “imperativo de que não podemos prescindir” e ainda o “instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz”.
Depois de viver a Quaresma com essa intensidade, Francisco anuncia que poderemos reviver, na noite de Páscoa, “o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do ‘lume novo’, pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica”. Será um modo de pedir que a luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, “dissipe as trevas do coração e do espírito”. E, assim como na experiência dos discípulos de Emaús, o gesto de “ouvir a Palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a se inflamar de fé, esperança e amor”.




Fonte: FC edição 987, Março de 2018
Postado por: Família Cristã




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