Amor condicional

Data de publicação: 26/12/2018


Por, Edson Kretle dos Santos

A sociedade atual adota e propaga algumas falsas noções sobre o amor. Tais preconceitos dominam nossos dias e precisamos resgatar o ensinamento de Santo Agostinho, o qual talvez muitos de nós tenhamos esquecido. Ele nos diz: “Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor”.  Assim sendo, falar do amor verdadeiro ou incondicional é o mesmo que fomentá-lo no seio de um mundo globalizado, porque se cada um de nós tivéssemos o amor radicado em nossos pensamentos e ações, nenhuma coisa senão o amor seria o fruto do nosso agir e pensar.
A concepção contemporânea do amor interesseiro ou condicionado pode ser exemplificada na seguinte equação: “Se amar X, terei Y”. Em contrapartida, refletir um pouco sobre o amor incondicional e sua prática tornará cada um de nós uma resposta concreta ao problema da existência humana e do verbo amar, o verbo da vida.
O amor incondicional implica Responsabilidade. O amor é a preocupação ativa pela vida e crescimento daquilo que amamos. Onde falta essa preocupação, não há amor. Há interesse. Há condições para amar. Essa característica do amor não responsável é descrita no capítulo 1 do livro de Jonas. Naquela passagem, Deus pede a Jonas que vá a Nínive orientar os habitantes de que seriam punidos caso não se convertessem. Então, Jonas foge da missão por temer que o povo se arrependa e Deus o perdoe. Jonas representa todos aqueles com forte senso de ordem e lei, mas sem amor. O estado de angústia mortal de Jonas, figurado pelo mar e pelo ventre da baleia, simboliza o estado de cada um de nós quando ao invés de amar com responsabilidade preferimos seguir o modelo midiático de um amor que exige condições para se efetivar. Com isso, afundamos nosso eu no isolamento e a falta de solidariedade.

Amor, respeito, sabedoria – Para evitar que a responsabilidade se corrompa em dominação, existe um segundo elemento do amor incondicional: o Respeito. Respicere de acordo com a raiz significa “olhar para”. O Respeito denota a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como ela é. Deste modo, o respeito significa ausência de exigências nas relações afetivas. A pessoa amada precisa crescer e se desenvolver por si mesma, por seus próprios modos, e não para servir-nos. E o mais importante: o amor é sempre filho da liberdade, nunca da dominação.
O cuidado, a responsabilidade e o respeito seriam cegos se não fossem guiados pela Sabedoria. A Sabedoria por sua vez deve ser em primeiro lugar pedida a Deus. Basta lembrarmos do clamor de Salomão a Deus: “Ensina-me a ouvir, para que eu saiba governar e discernir entre o bem e o mal” (1Rs 3,9). Em segundo lugar, a busca pela sabedoria não pode parar, uma vez que “a sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a buscam” (Sb 6,12). A sabedoria nos orienta como luz em tempos em que o amor, ao invés de potencializar nosso ser, transformou os indivíduos em “zumbis humanos”. Pessoas que têm a alma morta, embora seu corpo esteja vivo. 
Que a sabedoria divina esteja em cada um de nós e especialmente em você, querido(a) leitor(a). Somente assim aprendemos a amar guiados no caminho da Responsabilidade, do Respeito e da Sabedoria. A última mensagem que sem dúvida é a principal resposta para os tempos sombrios que vivemos, nos foi dada por Jesus, em João capítulo 15, versículo 12; “Amem-se uns aos outros”. Afinal, o fruto do conhecimento só pode e deve ser o amor. Porque, segundo Paulo, “ainda se tivéssemos o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência...se não tivéssemos o amor, nada seríamos” (1Cor 13,2).


A pessoa amada precisa crescer e se desenvolver por si mesma, por seus próprios modos, e não para servir-nos




Fonte: Fc edição 990, Junho de 2018
Postado por: Família Cristã




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