Mesa da Palavra

Data de publicação: 05/04/2019

5o Domingo da Quaresma
Ano C • 7 de abril de 2019
Is 43,16-21: Eis que estou fazendo coisas novas.
Sl 125(126): Maravilhas o Senhor fez por nós.
Fl 3,8-14: Deixo o que fica para trás e lanço-me para o que está na frente
Jo 8,1-11: Eu também não te condeno.

              A mísera e a misericórdia

1. A coleta da Campanha da Fraternidade (CF) é feita em todo o Brasil no próximo domingo e se destina a obras sociais da Igreja relacionadas com o tema da Campanha. Neste ano vamos refletir sobre “Fraternidade e políticas públicas”, guiados pela afirmação do profeta Isaías: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. A Campanha é realizada na Quaresma, que é tempo de conversão, de mudança de rumo, de busca do que é melhor para todos. Para que as políticas públicas assegurem de fato “os direitos humanos mais elementares, dando a cada pessoa condições de viver com dignidade”, é preciso que se faça uma profunda revisão na qualidade das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. A liturgia quaresmal fala da conversão e apresenta dois exemplos de pessoas com as quais Deus se relaciona de forma positiva, possibilitando-lhes um reinício de vida: o “filho pródigo” e a “mulher adúltera”. Os dois mostram a vida como ela é e encenam a realidade cotidiana. Por isso, sem ilusões de um mundo perfeito, necessitamos de “políticas públicas” que nos ajudem a sobreviver com dignidade.
2. “Algo novo está surgindo.” O profeta Isaías e o Apóstolo São Paulo nos convidam a deixar para trás o que fica para trás, a não ficar lembrando as coisas passadas, até mesmo as coisas boas, e olhar para a frente. Na profecia de Isaías, Deus mesmo pergunta se o povo não percebe que ele, Deus, está fazendo coisas novas, que já estão surgindo. Se ficarmos com os olhos fixos no passado, não veremos o que está acontecendo agora nem o que se descortina no futuro. Paulo, o Apóstolo, tem os olhos fixos naquele que está diante dele. Corre em direção a ele. Ele se deixa guiar pela visão de Cristo Jesus. Esta é a nossa expectativa, a esperança sempre renovada de que surja algo novo em nosso mundo, algo que seja realmente melhor e nos traga alegria. Olhamos para Jesus e sua obra de salvação, para não nos alimentarmos de ilusões. É de esperança em esperança que nós caminhamos.
3. O profeta Isaías fala da libertação do exílio da Babilônia. Depois da destruição de Jerusalém em 587 a.C., grande parte do povo e seus governantes foram levados prisioneiros para a Babilônia, onde viveram um longo exílio. O profeta anuncia o fim do exílio e o retorno à Terra Santa e diz que este êxodo será melhor do que o êxodo do Egito. São Paulo dirá que melhor do que tudo o que se possa ter ou querer, é ganhar a Cristo e ser encontrado nele. Não há bem maior do que o conhecimento de Jesus Cristo. De fato, o melhor êxodo não será nem o do Egito nem o da Babilônia. O melhor êxodo é o de Jesus que faz a passagem – a Páscoa – deste mundo para o Pai.
Esta é grande novidade: a pessoa de Jesus que inaugura a ponte de passagem deste mundo para o Pai. Ele é o pontífice, o que faz a ponte, para que todos possam passar com segurança, desde o filho pródigo até a mulher adúltera. A mísera criatura se encontra com a misericórdia e algo novo acontece. “Serás libertada pelo direito e pela justiça” e não com pedradas. Jesus e a mulher ficaram sozinhos, só os dois, num relacionamento novo de qualidade. “Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio, em pé e lhe perguntou: “Ninguém te condenou?” “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais”.

    Leituras e Salmos
       (8 a 13 de abril)
2af.: Dn 13,1-9.15-17.19-30.33-62. Sl 22(23); Jo 8,12-20.
3af.: Nm 21,4-9; Sl 101(102); Jo 8,21-30.
4af.: Dn 3,14-20.24.49a.91-92.95; Cânt.: Dn 3,52–57; Jo 8,31-42.
5af.: Gn 17,3-9; Sl 104(105); Jo 8,51-59.
6af.: Jr 20,10-13; Sl 17(18); Jo 10,31-42.
Sáb.: Ez 37,21-28; Cânt.: Jr 31,10.11-12ab.13; Jo 11,45-56.
 




Fonte: Revista Família Cristã, edição 999, março de 2019
Postado por: Família Cristã




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