O melhor alimento para o bebê

Data de publicação: 02/05/2019

Preparação e informação ainda durante a gravidez são cruciais para uma amamentação consciente e duradoura
O aleitamento materno é uma unanimidade mundial. Todos os profissionais de saúde reconhecem a amamentação como a principal fonte de alimento dos bebês. A Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde (MS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam a amamentação imediata após o nascimento e o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida do bebê. No entanto, segundo dados da OMS de 2017, somente 38,6% dos bebês brasileiros se alimentam exclusivamente com o leite da mãe nos primeiros 5 meses de vida.
Muitos fatores influenciam nesse déficit: informações inadequadas, palpites que confundem as mulheres, falta de apoio, despreparo dos profissionais da área, legislação que não promove a licença maternidade de 180 dias (6 meses), ausência de locais para extração de leite no trabalho, cultura preconceituosa que discrimina a mulher que amamenta em público, marketing agressivo da indústria alimentícia, que quer vender fórmulas lácteas, introdução precoce de bicos, chupetas e mamadeiras, entre outros. “São muitas as causas, mas estas já nos dão razões suficientes para agir a fim de melhorar o panorama atual”, destaca o pediatra e homeopata doutor Moises Chencinski.
Só benefícios – Segundo a OMS, a amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência dos recém-nascidos. Se toda criança fosse amamentada desde o nascimento até os 2 anos, mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente.
O leite materno é um alimento completo. Isso significa que, até os 6 meses, o bebê não precisa de nenhum outro alimento (chá, suco, água ou outro leite). Ele é de mais fácil digestão do que qualquer outro leite e funciona como uma vacina, pois é rico em anticorpos, protegendo a criança de muitas doenças como diarreia, infecções respiratórias, alergias, além de diminuir o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade. A amamentação favorece um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê. Sugar o peito é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, ajuda a ter dentes bonitos, a desenvolver a fala e a ter uma boa respiração. “O leite dos mamíferos é espécie-específico, ou seja, é produzido especialmente para cada espécie. Portanto, o leite humano tem o seu perfil proteico, lipídico e de carboidratos perfeitamente equilibrado para atender plenamente as necessidades dos bebês, promovendo um crescimento adequado e saudável”, explica a nutricionista Vanessa de Abreu Barbosa Fernandes, que divide com o doutor Moises Chencinski a autoria do livro É mamífero que fala, né?, da Paulinas Editora.
Dificuldade – Quando o assunto é aleitamento materno, logo vem à cabeça aquela bela imagem de uma mãe amamentando seu bebê em uma reconfortante poltrona, com um sorriso largo no rosto que transmite alegria e tranquilidade. O que ninguém conta é que não é sempre assim que funciona.
São 9 meses pensando, planejando e literalmente esperando a hora em que o bebê vai nascer. As mulheres estão cada vez mais buscando informações sobre como se preparar para o parto, mas poucas são as que se informam sobre a amamentação durante a gestação. Aquela impressão de que o aleitamento é algo simples, natural e constitui um talento que já nasce com as mulheres, vai por água a baixo logo nos primeiros dias do bebê em casa.
Foi exatamente o que aconteceu com a bancária Patricia Mejias de Jesus, mãe da Joana, de 9 meses, que só se deu conta do tanto de afazeres que teria que administrar na sua nova rotina de mãe, quando chegou em casa com a pequena nos braços. “Tive muita dificuldade com a amamentação nas primeiras semanas, não tinha informação sobre o assunto, não sabia que tinha que trocar de peito a cada mamada. Fiquei frustrada, sofri e precisei da ajuda de uma consultora para conseguir amamentar sem dor e da maneira correta”, explica.
Virando o jogo – Alguns eventos visam promover o aleitamento materno no Brasil e no mundo. Há mais de 25 anos, a primeira semana de agosto é dedicada à celebração da Semana Mundial de Aleitamento Materno e, aqui no Brasil, desde 2017, acontece o Agosto Dourado (veja boxe). Esse também é o propósito do livro do pediatra e da nutricionista: valorizar a amamentação e virar o jogo a favor do aumento dos índices de aleitamento materno. “Percebemos que atualmente estamos perdendo o vínculo familiar com a correria de cada dia, a contação de histórias está sendo substituída por tablets e celulares, e, por isso, temos índices de amamentação tão desanimadores. Escrevemos o livro par resgatar tudo isso que é tão importante ao desenvolvimento infantil. Elucidamos dúvidas e nos recolocamos como seres naturais, dentro de um mesmo grupo que tem uma grande necessidade em comum: o leite da nossa mãe”, explica Vanessa de Abreu.

Apoio – Compartilhar as dificuldades com o médico é essencial, e se inspirar nos exemplos de mães que já passaram por isso pode ajudar muito. Para o pediatra Moises Chencinski, o ideal é que, a partir da 32a semana de gestação, a futura mamãe consulte um pediatra para receber orientações sobre amamentação, além de escolher uma maternidade e um profissional que apoie e trabalhe a maior possibilidade de um parto normal. “Na maternidade, opte pelo alojamento conjunto (com o bebê no quarto), para desde cedo receber apoio, informação e iniciar esse vínculo importante. Procure um pediatra amigo da amamentação, que possa observar a mamada na primeira consulta e que, ouvindo e acolhendo suas dúvidas e seus anseios, oriente como agir de forma mais adequada, para prevenir problemas comuns como fissuras e mastites”, orienta o pediatra.
Depois de superar a fase difícil, a mamãe de primeira viagem, Patricia Mejias, teve sua licença-maternidade estendida e, na volta ao trabalho, contou com uma infraestrutura completa para bombear e armazenar o leite materno nas dependências da empresa. “Tudo isso foi essencial para o sucesso e a continuidade da amamentação. Gosto de compartilhar minha experiência para ajudar outras mães, e sempre falo para elas se informarem sobre o assunto ainda durante a gravidez. Valeu a pena não ter desistido; amamentar requer muita dedicação”, completa Patricia. Saiba que todo o esforço vale a pena para oferecer o melhor alimento do mundo para o seu bebê.
 
Para uma boa amamentação
• Os bebês não têm horário para mamar. Eles costumam mamar muitas vezes, de dia e de noite, principalmente nos primeiros meses. Nem todo choro do bebê é fome. Ele pode chorar porque está com frio ou calor, sentindo algum desconforto, com as fraldas sujas ou precisando de aconchego.
• É comum o bebê engolir ar enquanto mama. Por isso, quando ele terminar de mamar, é importante segurá-lo junto ao colo, em posição vertical, para que não sinta desconforto.
• O leite materno tem o sabor e o cheiro dos alimentos que a mãe come. Por isto, a criança que mama no peito aceita melhor os alimentos que serão introduzidos após os 6 meses.
• É muito importante que o bebê esvazie bem a mama, porque o leite do fim da mamada tem mais gordura e, por isso, mata a fome do bebê e faz com que ele ganhe mais peso.
• A cor do leite pode variar, mas ele nunca é fraco. O leite materno é sempre adequado para o desenvolvimento do bebê. Nos primeiros dias, a produção de leite é pequena, e este leite, que é chamado de colostro, tem alto valor nutritivo e é suficiente para atender as necessidades do bebê.
Fonte: Ministério da Saúde

Agosto dourado
Todo mundo já está habituado: o Outubro Rosa lembra a importância da prevenção do câncer de mama, o Novembro Azul chama a atenção para o câncer de próstata. Mas você já ouviu falar do Agosto Dourado? Instituído no Brasil em 2017, o mês de agosto celebra a amamentação, já que o dourado faz alusão à definição da OMS para o leite materno: alimento de ouro para a saúde dos bebês. A lei brasileira (n. 13.435) sugere que prédios públicos sejam iluminados com a cor dourada em homenagem à amamentação.





Fonte: Revista Família Cristã, edição 1001, Maio de 2019
Postado por: Família Cristã




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