Um coreto, muitas memórias

Data de publicação: 08/04/2020

Crédito: Rosangela Barboza

Poços de Caldas (MG) possui um dos poucos coretos preservados no país, que mantém uma tradição muito especial

Crédito: Prefeitura Poços de Caldas / Divulgação

Se formos buscar nos dicionários o significado da palavra “coreto”, vamos encontrar algo mais ou menos assim: pequena construção, estrutura elevada e coberta, situada ao ar livre, em praças e jardins, para abrigar bandas musicais, concertos, festas, apresentações políticas e culturais. Mas um coreto vai além dessa descrição e, quando preservado e valorizado pelo Poder Público e pelos cidadãos, torna-se um espaço de memórias, com muitas histórias de vida, e, também, de grande importância para a cultura da cidade.

Isso porque o coreto, que geralmente ocupa o centro das praças, atrai crianças brincando, namorados apaixonados e gente de todas as idades, dançando ao som das modinhas tocadas pelas bandas. Os mais velhos se lembram dos “bons tempos” e se emocionam, e os mais novos, acostumados com tanta modernidade, descobrem como é bom viver momentos inesquecíveis (e em tempo real) com muita simplicidade.
“Vemos muitas coisas acontecendo no coreto: pessoas que se conhecem, começam a namorar e acabam se casando, pessoas que gostam muito de dançar e não perdem um domingo lá. Há até muitos que se emocionam com as lembranças que o coreto lhes traz”, afirma o maestro Miguel Francisco de Brito, da Banda Municipal Maestro Azevedo (nome dado em homenagem ao antigo maestro da banda), que se apresenta em um dos coretos mais movimentados e preservados do país: o da Praça Pedro Sanches, ponto central e turístico da mineira Poços de Caldas. “Ficamos muito felizes quando chegam turistas de vários lugares do Brasil e que não vão embora sem antes ouvir a banda tocar”, conta ele, que comanda a batuta há 21 anos.

Memórias e saudades – O coreto da Praça Pedro Sanches é tão importante para a cultura e sociedade poços-caldense, que até virou documentário. “Sempre considerei o coreto como um dos pontos mais pulsantes de Poços de Caldas, como um coração. Está no centro e abriga muita gente, tanto moradores quanto turistas”, ressalta Marcelo Leme, roteirista e diretor do curta “Coreto: memórias e saudades”.

Ele lembra que, quando pensou em filmar um pequeno documentário no local, imaginou que faria algo contando a origem do coreto. “Mas, após ouvir as pessoas, tanto algumas que dançavam quanto outras que cantavam e tocavam, descobri a grande relação afetiva que elas tinham com aquele espaço”, explica.

Então, o filme deixou de reproduzir a história do coreto e passou a contar histórias de cidadãos que passam por lá e dedicam ali boa parte de suas vidas. “É um ponto de encontro de pessoas que têm a mesma paixão”, descreve Leme, acrescentando que o coreto virou um símbolo da cidade. “Eu entendia que era um espaço de diversão, de recreação, de bem-estar, de qualidade de vida, pela oportunidade de fazer todos se movimentarem, mas que também é um espaço de resgate cultural e, até mesmo, de autoestima”, ressalta.

“Após o filme, tive certeza de que o coreto é muito mais do que um ponto de encontro: é um lugar de lembranças, apoio, união e paixão. Um lugar de amigos e de saudade”, conta Leme. Um dos testemunhos de como o coreto é parte vibrante das cidades, vem dele mesmo: “Minha avó, após ficar viúva, passou momentos bastante infelizes. Depois de meses de luto, encontrou despretensiosamente alguma alegria dançando, e, então, passou a sair de casa para dançar. Não tenho a menor dúvida de que o coreto foi responsável pelo resgate dela. Há muitas pessoas com histórias bem parecidas”.

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Fonte: Revista Família Cristã, edição 1012, abril 2020
Postado por: Família Cristã




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