Os desafios do novo papa

Data de publicação: 07/03/2013

Coragem! Vamos de esperança em esperança! Encorajem os crucificados, e proponham a ressurreição e a paz, em nome de Jesus, o Vivente!

Por Fernando Altemeyer

 Ainda estamos comovidos com a renúncia do Papa Bento XVI. Quais os desafios mais urgentes para o próximo papa? Qual o melhor modo de enfrentá-los?   O conclave decidirá quem será, mas é necessário desenhar o cenário onde ele irá atuar como pastor universal.

O mundo mudou muito nestes últimos oito anos, desde a eleição de Joseph Ratzinger em abril de 2005. Novas perspectivas ecológicas, movimentos sociais fortes, avanço de novas tecnologias e ambientes virtuais tornaram o mundo dinâmico e pequeno. As perspectivas econômicas apontam para um fraco crescimento global. Há grupo imenso de países e povos em aguda situação de miséria como o Haiti, Uganda, Sudão. E há países ricos em bancarrota fiscal e de empregos, como a Grécia, Espanha e Irlanda. Há um império naufragando, Estados Unidos da América e um novo imperialismo se impondo, China.

O novo papa deverá assumir a dimensão social do evangelho e sua doutrina social fazendo-se irmão das multidões empobrecidas: justiça acima da ganância.

Há questões traumáticas que exigem paz imediata. Proclamar e agir pela paz na Síria, na Palestina, no Iraque, Afeganistão, Colômbia, norte da África, e nas capitais das grandes metrópoles ocidentais onde a violência se torna epidêmica, é tarefa das Igrejas e seus agentes religiosos.

O novo bispo de Roma deverá deslocar-se do centro para a margem, seguindo Jesus em seu múnus missionário. E convocar os que estão nas margens do mundo para que possam convergir seus clamores para o centro romano, ao confirmar a fé das igrejas, valorizar a colegialidade episcopal e caminhar na esperança.

Assim o novo papa certamente será um comunicador atento que leve à serio o novo cenário urbano, e dialogue com os intelectuais e artistas de todo o planeta. Alguém que assuma a África e seus povos, como o continente da esperança e um ator privilegiado em seu pontificado.

Algumas questões delicadas: o protagonismo da mulher e das culturas como expressões autênticas em um mundo globalizado; as crises éticas que desfiguram a política e as instituições; os pecados e escândalos no interior da Igreja. Todos querem que o novo papa tenha ouvidos atentos e conforte os povos crucificados do mundo. Um papa de paz que exija e aja em favor da justiça. Um papa do jeito de Jesus de Nazaré, corajoso e peregrino.

Haverá necessidade de cambiar modos obsoletos de organizar a instituição eclesial, abrindo espaço para que os jovens participem plenamente; que os pobres digam palavras de utopia e sonho e saibam que a Igreja os ama com amor preferencial; que as mulheres possam agir em novos ministérios eclesiais instituídos, reconhecidos e celebrados; que nossas Igrejas e paroquias tornem-se igrejas vivas e participativas.

Precisamos de um papa que descentralize o poder, priorizando as formas plurais de governo na Cúria Romana de cada igreja local e nacional. Que assuma o voto de pobreza como uma graça de Deus. Que confie nos teólogos, teólogas, padres, religiosas, e, sobretudo, nos leigos e leigas missionárias. Que canonize subitamente a Dom Romero, Josimo Moraes Tavares, Rodolfo Lunkenbein, João Bosco Penido Burnier, Ezequiel Ramin, Adelaide Molinari, Vicente Cañas, Enrique Angelelli e Dorothy Stang. Estes mártires são nosso tesouro da Igreja na América Latina e no Brasil e seu sangue é a sementeira de novos cristãos. Deverão ser apresentados como um modelo exemplar para nossas igrejas. A chancela do papa nestas canonizações seria um bálsamo para tanta dor e o santo óleo que mantenha nossa esperança e nossa fé.

Um papa maestro de orquestra e não virtuose solitário de um único instrumento. Um papa que fale e pratique Deus exercitando-nos no colóquio feliz com a Trindade Santa. Um papa de sorriso fácil. Um papa que ame a família e a defenda. Um papa profeta que enfrente a violência contra homossexuais, crianças, mulheres, palestinos e povos indígenas e todos os discriminados do mundo. Um papa que não se submeta à mentira e proclame as bem-aventuranças do Evangelho. Um papa santo.

Enfim, quer seja italiano, africano, brasileiro, francês, canadense, argentino ou filipino, que assuma a causa ecumênica como o seu movimento pessoal e primordial: busque, plante, reze, cuide e construa a união plural entre as igrejas cristãs.

Um papa capaz de caminhar com judeus, islâmicos e gente de todas as fés. Um papa capaz de dizer aos ateus que são muito amados por que creem no humano que para nós é divino. Precisamos de um papa paterno e paradoxalmente maternal. Pela fé, capaz de um milagre: comover o coração da humanidade!

Os novos rumos da Igreja estarão nas mãos e, sobretudo no coração do novo bispo de Roma: que ele tenha como bússola a fé vivida e experimentada. Seu alimento seja a Eucaristia e a Palavra viva de Deus.

O sonho de cada cristão será o de poder ouvir ressoar da janela vaticana uma voz firme e serena no dia da posse: Coragem! Vamos de esperança em esperança! Encorajem os crucificados, e proponham a ressurreição e a paz, em nome de Jesus, o Vivente!




Fonte: Revista Família Cristã, março 2013
Postado por: Família Cristã




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