A visita do papa

Data de publicação: 23/05/2013

Por André Bernardo

Durante JMJ2013, papa Francisco vai inaugurar polo de atenção a dependentes químicos, visitar capela em comunidade pacificada e conversar com menores infratores que cumprem medidas socioeducativas

Um mesmo sentimento une o padre Fábio de Melo, o frei Isaac Prudêncio e o casal Carlos Alberto e Neli Ferreira: a alegria de receber o papa Francisco durante a 28ª edição da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que vai acontecer no Rio de Janeiro entre os dias 22 e 28 de julho. Autor da canção Seja bem-vindo, que abre o CD No coração da Jornada, padre Fábio de Melo vai cantar para o papa em duas ocasiões: na festa de acolhida dos jovens em Copacabana, na quinta, dia 25, e na missa do Campus Fidei, em Guaratiba, no domingo, dia 28.

Já frei Isaac Prudêncio, um dos diretores do Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus, na Tijuca, vai acompanhar o Santo Padre durante a inauguração do Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (PAI), dedicado ao tratamento de dependentes químicos, na quarta, dia 24. Frequentadores da Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso de Inhaúma, que abrange a Capela de São Jerônimo Emiliani, Carlos Alberto e Neli Ferreira não veem a hora de dar as boas-vindas à Sua Santidade durante a visita à Comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na quinta, dia 25. “Nunca imaginei, nem em sonho, que um dia o papa visitaria minha comunidade”, emociona-se a técnica de enfermagem, Neli Ferreira, 52 anos. “Ainda não sei se vou conseguir chegar perto dele, mas vou tentar”, promete.

A primeira viagem apostólica do papa Francisco começa em 22 de julho, uma segunda-feira, quando ele desembarca no Rio de Janeiro. A chegada está prevista para acontecer às 16 horas, no Aeroporto Internacional do Galeão. De lá, o papa segue no papamóvel até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, onde será recepcionado pela presidente da República, Dilma Rousseff; o governador do estado, Sérgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes. “Os deslocamentos do papa na cidade serão feitos em carro fechado, no papamóvel e em helicóptero.

Tudo vai depender do percurso e da circunstância”, explica o arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ, dom Orani João Tempesta. À noite, o papa Francisco pernoitará na Residência do Sumaré, o mesmo local que hospedou o beato João Paulo II, em suas duas vindas ao Rio, em 1980 e em 1997. Na quarta, dia 24, o Santo Padre seguirá, de helicóptero, para o Santuário Nacional de Aparecida, onde vai celebrar uma missa, às 10h30, ao lado do arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis. “Sabemos da devoção do Santo Padre a Nossa Senhora. No primeiro ato de sua visita ao Brasil, o papa Francisco vai se fazer peregrino e consagrar a JMJ à Mãe de Deus”, justifica dom Raymundo Damasceno.

No mesmo dia, às 18h30, o Santo Padre visita o Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus (antigo Hospital da Ordem Terceira da Penitência), na Tijuca, e inaugura o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (PAI). Para o diretor da instituição, frei Isaac Prudêncio, o espaço dedicado à recuperação de dependentes químicos, principalmente usuários de crack, será um dos principais legados sociais da JMJ 2013. Só na cidade do Rio, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Assistência Social, existem cerca de 6 mil usuários da droga.

“São Francisco abraçou e cuidou dos leprosos, os excluídos de sua época. Nos dias de hoje, a lepra que assola a nossa sociedade é a dependência química”, compara frei Isaac. A ideia de incluir o hospital no roteiro da visita do papa partiu de dom Orani. Frei Isaac conta que, ao se deparar com o nome da instituição, o papa Francisco não pensou duas vezes. “É aqui que eu quero estar!”, teria dito. Atualmente, o hospital atende uma média de 4 mil pacientes na emergência e realiza cerca de 500 cirurgias por mês. No dia seguinte, dia 25, após uma missa privativa na Residência do Sumaré, o Santo Padre vai receber, às 9h45, as chaves da cidade das mãos do prefeito, Eduardo Paes. Terminada a cerimônia, o papa vai seguir, em carro fechado, até a Comunidade da Varginha.


Santo Padre visitará família de uma das 43 comunidades carentes pacificadas do Rio de Janeiro


A Varginha é uma das 13 comunidades que integram o Complexo de Manguinhos, em Bonsucesso. Até outubro do ano passado, data da ocupação policial, o lugar era conhecido como “Faixa de Gaza”. Em janeiro, a região ganhou uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). “Por uma questão de segurança, a comunidade que receberia a visita do papa deveria ser pacificada e de fácil acesso.

A questão do deslocamento foi fundamental na escolha”, explica dom Orani. Na comunidade, o papa vai abençoar a Capela de São Jerônimo, visitar a casa de uma família e, depois, discursar para os fiéis. O anúncio da visita do Santo Padre à Varginha surpreendeu a todos, inclusive o padre Márcio Sérgio Oliveira de Queiróz, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso de Inhaúma.

“Não fomos escolhidos porque somos os melhores. Fomos escolhidos porque somos os menores. Os critérios de Deus são diferentes dos nossos”, disse o padre. A família que vai receber a visita do papa em casa ainda não foi escolhida. Segundo padre Márcio, os felizardos deverão atender a alguns critérios, ainda mantidos sob segredo. “Já comecei a receber telefonema de parente que não via há muito tempo. Todo mundo que conheço resolveu visitar minha casa no dia 25 de julho”, diverte-se a técnica de enfermagem, Neli Ferreira.

Ainda no dia 25, será celebrada, às 18 horas, a cerimônia de acolhida do Santo Padre, em Copacabana – o primeiro dos quatro atos centrais realizados com a presença do papa. Para o padre Renato Martins, diretor-executivo do Setor Atos Centrais do COL, os atos centrais podem ser considerados a “espinha dorsal” da JMJ. “São sempre momentos celebrativos de grande louvor e adoração. É o momento de ouvir o que o Santo Padre tem a nos dizer. Queremos que os jovens saiam dessa JMJ conscientes de sua missão: a de ir e fazer discípulos pelo mundo”, reforça o padre, citando o lema da JMJ 2013, “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28,19). Os outros atos centrais são: a via-sacra, a vigília e a missa de envio.

Na sexta, dia 26, às 10 horas, o papa vai atender a confissão de quatro jovens na Quinta da Boa Vista e, em seguida, às 11h30, se reunir, no Palácio São Joaquim, residência oficial do arcebispo do Rio, com cinco menores infratores que cumprem medidas socioeducativas. “Sabemos quanto um abraço do papa pode transformar a vida de um desses jovens”, destacou o secretário-executivo do COL, monsenhor Joel Portella. À noite, em Copacabana, o papa preside a via-sacra. Entre os temas escolhidos para cada uma das 14 estações estão: “jovem convertido”, “seminarista”, “religiosa que luta pela vida”, “casal de namorados”, “cadeirante” e “presidiário”.


Cerca de 1,5 milhão de pessoas são esperadas na missa de envio, um dos pontos altos da JMJ 2013


No sábado, dia 27, às 19h30, terá início a vigília de oração com os jovens e, no domingo, dia 28, às 10 horas, será celebrada a missa de encerramento no Campus Fidei, em Guaratiba. A área tem 2,4 milhões de metros quadrados e prevê um público estimado de 1,5 milhão de pessoas. Só o altar, com mais de 150 metros quadrados, terá capacidade para receber 1.800 pessoas, entre bispos, padres e músicos. As canções que serão entoadas nas celebrações da JMJ estão no CD No coração da Jornada, produzido por Marco Mazzola e lançado pela Sony Music. O álbum reúne 15 faixas, 11 delas inéditas.

Ao todo, Mazzola coordenou uma equipe de 26 cantores, 12 arranjadores e 60 músicos. “A maior dificuldade foi gravar a participação de alguns artistas. Muitos deles vieram ao Rio. Mas outros, impedidos por compromissos profissionais, tiveram de gravar de outros estados, como Minas Gerais e Pernambuco, e até de outros países, como Itália”, observa Mazzola, que já produziu álbuns de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gal Costa. Padre Fábio de Melo, que compôs a música Seja bem-vindo, participou de quatro faixas. “Estou convencido de que o papa Francisco representa o início de um novo tempo e uma nova era na Igreja Católica. A sua maneira de exercer a autoridade, mais simples e próxima, reflete no trabalho de todos nós”, analisa o sacerdote.

Até o momento, a JMJ 2013 já contabiliza 214,5 mil inscrições. Deste total, 60% são de brasileiros, 20% de latinos e 20% de países do restante do mundo. Além disso, há 120 mil vagas de hospedagem reservadas de um total de 271 mil disponibilizadas. “Temos que continuar abrindo nossas casas e nossos corações aos peregrinos da JMJ”, pediu o monsenhor Joel Portella. No último dia da JMJ, antes de embarcar de volta a Roma, papa Francisco ainda participa de alguns compromissos, como a reunião com o comitê de coordenação do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), às 16 horas. Apesar de permanecer hospedado durante uma semana na cidade, o Santo Padre não conseguiu agendar visita ao Cristo Redentor, um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, ou ao Colégio Santo Inácio, pertencente à Companhia de Jesus, ordem do Jesuíta Jorge Mario Bergoglio.

Mesmo assim, dom Orani garante que não vai ficar surpreso se, no meio da JMJ, o papa Francisco resolver fazer ajustes de última hora no roteiro da visita. “Recebemos muitos pedidos, mas, infelizmente, não foi possível atender a todos. No caso do Cristo Redentor, o papa resolveu sobrevoá-lo de helicóptero”, avisa dom Orani. “O papa pode tudo. Pode até sair da agenda oficial. Se isso por acaso vier a acontecer, nós temos que ajudá-lo no que for possível”, pondera o anfitrião do Santo Padre.




Fonte: Família Cristã 930 - Jun/2013
Postado por: Família Cristã




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