Evangelho na comunidade

Data de publicação: 24/05/2013

Santíssima Trindade

Pr 8,22-31; Sl 8; Rm 5,1-5; Jo 16,12-15


Por Cônego Celso Pedro da Silva
Arte: Sergio Ricciuto Conte


Dizemos que o mistério central da nossa fé é a Unidade e Trindade de Deus, e a Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ao colocarmos no centro da nossa fé a Unidade e a Trindade de Deus, estamos dizendo que existe um só Deus em Três Pessoas realmente distintas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Qual é a importância de tal afirmação em nossa vida prática? Se em vez de um só Deus em Três Pessoas falássemos em Uma só Pessoa em Três Deuses, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o que mudaria em nossa vida? Algo deveria mudar porque as palavras dizem o que cremos, e cremos na verdade de Deus. Quem é Deus, afinal, e que importância tem Ele em nossa existência terrestre?

Um grande pensador do passado, chamado Guilherme de Saint-Thierry, dizia que “neste assunto da ideia de Deus é mais importante a maneira de viver do que o modo de se expressar”. Isso significa que a nossa maneira de viver revela o Deus em quem cremos. Se não temos palavras para expressar a fé, temos a vida para demonstrá-la.

As Escrituras Sagradas não falam de Trindade nem usam o número Três para falar de Deus. Os textos do Novo Testamento falam simplesmente do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mais tarde, a necessidade de expressões claras fará com que os teólogos apresentem o Mistério de Deus com termos bem definidos.

Os textos de hoje falam do Senhor e da Sabedoria, da paz em Deus, da mediação de Jesus, da esperança da glória de Deus e do amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. No Evangelho Jesus fala de si mesmo, do Espírito da Verdade e do Pai. Os cristãos da primeira hora viveram na presença do Pai, do Filho e do Espírito e fizeram a experiência do Deus Amor.

Santo Agostinho, grande bispo e pensador, que viveu da segunda metade do século 4o à metade do século 5o, num período em que a teologia já estava bem mais elaborada, escreve, refletindo sobre a Trindade: “Você está pensando o que ou como é Deus? Tudo o que você imaginar, não é. Tudo o que você capta com o pensamento, não é. Mas para que você possa saborear alguma coisa, saiba que Deus é amor, esse mesmo amor com que amamos... Que ninguém diga: não sei o que é que estou amando. Basta que ame o irmão, e estará amando o próprio amor. Porque na realidade se conhece melhor o amor com que se ama o irmão do que o irmão a quem se ama. Aí temos conhecido melhor a Deus do que o próprio irmão. Muito melhor, porque está mais presente, porque está mais próximo e mais seguro do que o próprio interlocutor”.

Revelamos aos outros que Deus é amor, amando as pessoas na prática. A única maneira de se conhecer o amor é amar, e Deus é puro amor. O Salmista 102 (103) retrata a Deus como compaixão e piedade, lento para a cólera, o litígio e o rancor. Nunca nos trata segundo os nossos erros, nem nos devolve segundo as nossas culpas. Foi assim que Deus revelou a Moisés o íntimo de seu ser ( cf. Ex 33,19; 34,6.7a).

Sabemos pouco das complicadas teorias sobre a Unidade e a Trindade de Deus, mas sabemos que “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).




Fonte: Família Cristã 928 - Abr/2013
Postado por: Família Cristã




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