Renovar a evangelização

Data de publicação: 05/06/2013

Por Dom Odilo Scherer

A 13ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, um organismo criado por Paulo VI em 1965, teve como tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, na cidade do Vaticano em Roma, Itália de 7 a 28 de outubro de 2012. Além dos representantes das conferências episcopais, participaram peritos nas questões tratadas, convidados especiais entre os presbíteros, leigos, religiosos, diáconos e representantes de vários organismos e organizações eclesiais.

Houve também convidados de Igrejas cristãs não católicas. Ao todo, foram cerca de 280 participantes. O Sínodo é um organismo de comunhão e participação na Igreja, através do qual, bispos e demais membros da Igreja, colaboram com a missão do papa.Na primeira parte do Sínodo, todos ouviram longamente as reflexões dos participantes sobre a Nova Evangelização para a Transmissão da Fé Cristã. Foi um momento muito rico e ajudou a perceber a situação da Igreja inteira sobre o tema. Depois houve trabalhos em grupos para elaborar as propostas que, após discutidas e amadurecidas, foram votadas pelo plenário.

A assembleia sinodal também elaborou e votou uma mensagem publicada em nome do Sínodo. No fim dos trabalhos sinodais, as reflexões todas foram entregues ao papa Bento XVI, pois é ele quem convoca e preside o Sínodo, para ouvir a Igreja sobre o tema em pauta; depois, como de costume, o papa fará uma exortação apostólica pós-sinodal, com suas reflexões e orientações para toda a Igreja. Os frutos do trabalho sinodal são ali assumidos e expostos.

Nova evangelização – Esta Assembleia do Sínodo acontece 50 anos depois do início do Concílio Ecumênico Vaticano II e no 20º aniversário do Catecismo da Igreja Católica. Não foi por coincidência que o tema tratado no Sínodo é o mesmo que esteve no centro das preocupações do Concílio: a propagação renovada e mais eficaz da mensagem do Evangelho e da fé católica. Embora sem usar o conceito, o Concílio queria promover na Igreja uma “nova evangelização”. E a primeira missão da Igreja é anunciar o Evangelho da Vida, como um bem para o mundo.

As palavras e preocupações manifestadas pelos participantes mostraram que há uma urgente necessidade de renovar a evangelização, como processo de anúncio e de transmissão da fé e de cultivo da vida cristã e eclesial.  Não é propriamente a fé que está em crise, mas, sim, a transmissão da fé. Há muita religiosidade, mas pouca fé comum e compartilhada. Uma das causas principais é, sem dúvida, a profunda mudança cultural ocorrida nas últimas décadas e ainda em curso; suas características mais fortes são o subjetivismo e o individualismo. Com isso, a fé e os valores religiosos e morais ficaram relativizados e também deixam de ser transmitidos. É comum ouvir a afirmação: “A fé – cada um tem a sua e não se discute”.

Outro fator prejudicial à transmissão da fé é o abandono de Deus e da busca da verdade, como grandes valores referenciais da religião, e sua substituição pelo próprio sujeito e pela busca de satisfações imediatas através da prática religiosa. Já não é Deus, enquanto “Mistério da Fé”, o centro de interesse das práticas religiosas, mas a vantagem que o sujeito busca através delas. E isso muda profundamente a natureza da religião e da transmissão da fé.

Ano da Fé – Enquanto o Sínodo refletia, o papa Bento XVI abria o Ano da Fé, sinalizando para o que deverá ser o objetivo mais importante a ser buscado com a Nova Evangelização: reafirmar a fé da Igreja, recebida dos apóstolos e transmitida fielmente de geração em geração. Mais do que apostar em novas técnicas, métodos e estratégias, o Sínodo aponta para a necessidade da conversão pessoal e comunitária a Jesus Cristo, “autor e plenificador de nossa fé”; mas também para uma urgente redescoberta do patrimônio da fé da Igreja e para seu renovado conhecimento. Sem isso, a transmissão da fé não acontece.

O papa Bento XVI indica a retomada do Concílio como grande referência para a fé da Igreja e a vida cristã. E a explicação autêntica da fé da Igreja e da vida cristã deve ser buscada no Catecismo da Igreja Católica, que precisa ser estudado com carinho e com o desejo de comungar na mesma fé da Igreja. Não se ama o que não se conhece; não se transmite o que não se ama.

A transmissão da fé é questão prioritária para que a próxima geração continue a crer e a cultivar a vida eclesial. A transmissão da fé acontece de muitos modos e conta com a participação de todos os membros da Igreja: das famílias e pais; do testemunho coerente dos leigos e do anúncio explícito da fé por todos os que a vivem e praticam; dos ministros ordenados e religiosos, dos teólogos e missionários. Transmitir a fé nos desafia a sermos corajosos discípulos missionários de Jesus Cristo, não obstante às dificuldades próprias do nosso tempo. Deus não deixará de fazer produzir frutos a todo esse esforço.

* Arcebispo metropolitano de São Paulo (SP).




Fonte: Família Cristã
Postado por: Família Cristã




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