Rede de intrigas e amor

Data de publicação: 11/06/2013

Cleusa Tewes*
Ilustrações: Ricardo Corrêa

O Facebook não é terapeuta, tampouco conselheiro de desilusões, mas pode permitir momentos de alegria e reencontros que ultrapassam preconceitos, fronteiras, culturas e idiomas

Criado em 2004 por Mark Zuckerberg, o Facebook é uma rede social de comunicação via internet. A revolução tecnológica midiática possibilitou o aumento de internautas. Com 39 milhões de pessoas conectadas, o Brasil é o sexto país no ranking de usuários da internet, segundo o Guia Mundial de Estatísticas. No Facebook, as pessoas interagem virtualmente. Em segundos, o mundo sabe se você casou ou descasou, com quem e onde dormiu. Ventos tecnológicos e muito velozes espalham pela rede a pauta de sua vida, às vezes com o seu consentimento, e outras tantas sem ele. Há quem poste desencantos e crises pessoais. Os oriundos de relacionamentos sem fronteiras extrapolam, expondo aos ares folhas secas de uma vida conjugal fragilizada. Há os que usam o Facebook como arma de intriga, para atacar, queixar e mentir, sem se aperceberem que tudo isso, na internet, polui uma imagem. Há, logicamente, gente que usa a internet de forma adequada, saudável, positiva, preservando-se e preservando o próximo.

Lívia e Tom
Casados há nove anos. O casal tinha um projeto: ter filhos. Com parceria e trabalho, prosperaram, adquirindo bela casa e carro. Porém, uma atitude de Tom abalou o casamento e perturba severamente a esposa. Lívia descobriu, no Facebook dele, seu perfil de solteiro. Ele se passa por solteiro e se disponibiliza para baladas e encontros amorosos com meninas pós-adolescentes. A conclusão de Lívia foi óbvia: ele a substituiu pela internet e por encontros marcados através da rede.

Régis, 27 anos
Há dois meses, encerrou um noivado incompatível. Logo depois, a ex-noiva postou, na rede social, fotos declarando-se solteira e feliz. E não mais parou. Diariamente, posta mensagens depreciativas, desqualificando o relacionamento findo. Régis, embora magoado, não nutre a rede de intrigas e decidiu proteger-se, por ora, deletando o Facebook.

Liani, filósofa
Considera o Facebook uma oportunidade ao crescimento psicossocial e cultural. Posta pensamentos e reflexões ressignificando a leitura. Sugere títulos de livros e convoca a “dança dos dedos” a folhearem páginas, apaixonarem-se pelas letras, para descobrirem, no encontro com o amigo de cabeceira, o livro, a poesia das palavras. Sente-se gratificada pelas inúmeras pessoas que curtem seu Face.

Nana, catequista
Criou um Facebook com os catequizandos. O foco é a interação, a partilha e o conhecimento da vida de Jesus. Catequizandos e familiares estão receptivos à experiência e juntos descobriram que Jesus Cristo e Paulo Apóstolo têm um Facebook e que há uma Capela Virtual,  presente do céu, no Face, possibilitando encontro de orações e interações espirituais.

Rompimentos e aproximações
Na história de Lívia e Tom, a mentira escancarou uma solteirice idealizada e desrespeitosa, disponibilizando o rapaz para relacionamentos extraconjugais. Crises no casamento são comuns, mas devem  ser tratadas com prudência e cuidado, respeitando o espaço sagrado da aliança conjugal e, se necessário, aconselhar-se com um  profissional habilitado. No caso de Régis, observam-se mágoas não verbalizadas pela ex-noiva, a qual, tão logo terminou o relacionamento, utiliza o Facebook como moleque de recados, panfletando  indiretas e fotos de postiça felicidade. O Facebook não é terapeuta, tampouco conselheiro de desilusões.

Mágoas, decepções, frustrações e outros sofrimentos – consequências de relacionamentos, rompidos ou não – devem ser identificados e atendidos. Havendo rompimento, haverá o luto das perdas, que causa dor e lágrimas, carecendo os envolvidos de manutenção e cuidado especializado. O sofrimento deve ser amadurecido e integrado à vida. O Facebook não cura perdas e frustrações. Um ombro amigo, um coração ouvinte, um colo afetuoso ajudam bem mais. O Facebook pode deixar a dor mais agonizante, ao você ouvir, de repente, a despedida: “Ai, amiga, gostaria de continuar te escutando, mas preciso sair... Tudo ficará bem...Tchau!”. E você volta à sua solidão, agora mais profunda.

Já milhares de internautas, a exemplo de Liani e Nana, usam o Facebook como formador de opinião e facilitador de interação, diálogo, crescimento, socialização, cultura e fé. A rede facilita o encontro virtual, permitindo momentos de alegria e reencontros que ultrapassam preconceitos, fronteiras, culturas e idiomas. Todo instrumento pode ser uma arma ou um tesouro, depende por quem, para que e como é utilizado. Um pedacinho do céu também pode residir na internet, pois Jesus Cristo, Paulo Apóstolo e Maria têm Facebook. Adicionem! Mãe do Céu, que a vida seja uma rede social de amor e que sejamos internautas da paz. Amém!

*Cleusa Thewes é terapeuta e especialista em orientação familiar.




Fonte: Família Cristã 926 - Fev/2013
Postado por: Família Cristã




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