"Cuida do meu coração"

Data de publicação: 14/06/2013


Em 1996, a professora aposentada Ana Lúcia Meirelles Leite, de 67 anos, pode dizer que teve sua vida salva por um milagre atribuído à Nhá Chica e que foi reconhecido pelo Vaticano. Aqui, a miraculada que atualmente mora em Caxambu (MG) conta sua experiência de fé e de amor incondicional à Santa de Baependi.

FC – A senhora sofreu uma isquemia cerebral. Quando e como isso ocorreu?
Ana Lúcia – Aconteceu, em 28 de junho de 1995, quando fiz 50 anos. Estava em casa passando um pano no chão e, de repente, fiquei cega. Fui para cama, tateando, e mandei chamar meu marido. Não sei precisar quanto tempo eu fiquei ali com medo de levantar. Mas qual não foi minha alegria quando, finalmente, pude levantar. Daí eu disse: “Estou enxergando, obrigada, minha santa”. A partir de então começou o meu milagre, a minha bênção.

FC – O que os médicos disseram?
Ana Lúcia – Pesquisando a causa da isquemia, através de uma ressonância magnética, eles descobriram um defeito congênito no coração. O sangue passava por um caminho errado. Os médicos também disseram que eu estava com uma hipertensão pulmonar muito alta. Em resumo, esses problemas podiam lesar o coração,  o cérebro e os rins. A indicação era de uma cirurgia cardíaca imediata. Daí eu fiz vários exames e passei por médicos de Varginha, Pouso Alegre e Belo Horizonte até chegar à Beneficência Portuguesa de São Paulo, nas mãos da equipe do doutor Sérgio Almeida, um médico mineiro da cidade de Campanha. A cirurgia foi logo marcada. Lembro que pedi à Nhá Chica: “Me ajuda, eu não quero operar o coração, mas seja feita a vontade de Deus”.

FC – E o que aconteceu?
Ana Lúcia – Três dias antes da cirurgia, tive febre, e o cardiologista que cuidava de mim disse que eu deveria esperar pelos menos sete dias para eu ficar boa. Nesse dia, eu já pressentia que algo estava acontecendo: um milagre. Eu me dizia: “Acho que Nhá Chica me curou, eu não vou mais operar”. Rezava sempre uma Salve-Rainha, a oração que ela gostava, e uma Ave Maria. Meus amigos também achavam que eu havia conseguido a graça. E, de fato, comecei a melhorar um pouco a cada dia. Mas, por indicação médica, a cirurgia foi remarcada. Marcaram até um exame mais complicado, um ecocardiograma transesofágico, uma filmagem do coração realizada a partir do esôfago. O exame seria realizado às 15 horas de uma sexta-feira, exatamente no dia e hora em que Nhá Chica, quando viva, não recebia ninguém e ficava em profunda oração. Por coincidência também era o dia do aniversário de Batismo dela, 26 de abril.

FC – O exame ocorreu normalmente?
Ana Lúcia – Não. Normalmente, esse exame era realizado em 40 minutos. Pois, neste dia, o meu demorou cerca de duas horas! Os médicos entravam e saíam da sala, e eu fiquei apavorada sem poder conversar, nem perguntar o motivo daquela movimentação. Mas minha fé permaneceu intacta, em momento nenhum deixei de acreditar e ter fé em Deus e na minha intercessora. “Nhá Chica, o que está acontecendo, me ajuda Nhá Chica?”, eu dizia baixinho. Mas, terminado o exame, o médico me disse: “Me aguarde na sala que eu preciso conversar com a senhora”. Neste momento, fraquejei, tive medo. “Acharam outra coisa ou não vou poder fazer a cirurgia. Estou péssima, e a pressão pulmonar deve ter subido ainda mais. Nhá Chica está comigo, Nhá Chica está comigo!”, disse. Chorei muito neste momento. Mas meu marido disse: “Tenha fé! Você tem tanta fé, porque vai fraquejar agora?”. Respirei fundo e disse que estava com um pouco de medo. Mas me sentia bem.

FC – Qual foi o resultado, afinal?
Ana Lúcia – Bem, o cardiologista veio me perguntar: “Dona Ana, a senhora já não foi operada?”. “Não, doutor, não fui porque eu tive febre três dias antes.” Daí, então, ele me disse: “O que a senhora tinha que fazer já foi feito, e muito bem feito. Alguém fechou este coraçãozinho aí e o sangue que passava pelo caminho errado não passa mais. A hipertensão pulmonar também está caindo, sinal que o problema foi resolvido e a senhora está ótima. Alguém operou seu coração. A senhora fez alguma cirurgia espiritual?”. “Não doutor, foi ela, a santa vizinha da minha casa, da minha cidade, a Nhá Chica. Eu só pedia a ela. Nhá Chica me curou!” O cardiologista me respondeu que a medicina e a ciência não podiam explicar o que aconteceu comigo. Eu estava curada!

FC – E como a senhora reagiu?
Ana Lúcia – Saí dali e entrei na primeira igreja que encontrei. Agradeci de joelhos a grande graça. Depois liguei para minha filha e gritei: “Nhá Chica me curou!”. Quando cheguei em casa contei o milagre para o mundo todo. Alguns meses passaram, e eu vim fazer meu depoimento no tribunal da Igreja. Contei com toda a veracidade, com todo carinho, o que me aconteceu. Não havia mais hipertensão, a passagem errada do sangue não existe mais, foi fechada. Os exames foram para Roma e o papa emérito Bento XVI, teólogos, cardeais e médicos do Vaticano também acreditaram na minha cura. Isso foi bom demais. Uma bênção! Para completar, em 28 de junho de 2012, data do meu aniversário, o papa assinou a beatificação de Nhá Chica. Neste dia, entrei no Santuário da Imaculada Conceição, em Baependi, para agradecer de joelhos a Nhá Chica. Uma multidão bateu palmas e senti uma emoção indescritível. Quase não aguentei. Essa é minha história de fé e de amor com a minha confidente, minha mãe e minha amiga Nhá Chica.

FC – Como a senhora se sente sabendo que Nhá Chica está sendo beatificada graças a este milagre?
Ana Lúcia – Eu me emociono em saber que sou um instrumento para Nhá Chica ir para o altar. Sempre pedi a ela que eu pudesse viver para ver sua beatificação. É gratificante demais, uma honra e uma bênção! Eu só sei agradecer a Deus e recomendar a todos que façam como eu: tenham fé e acreditem. Pois, assim como eu, todos podem conseguir.

FC – Qual oração a senhora faz para se sentir perto de Nhá Chica?
Ana Lúcia – A Salve-Rainha e a oração da beatificação dela que eu rezava todo dia. Também gosto de cantarolar a música do Roberto Carlos, Nossa Senhora.  Nhá Chica cuidou do meu coração, então eu falo que essa música foi feita pra mim.

FC – Há quanto tempo a senhora é devota de Nhá Chica?
Ana Lúcia – Desde sempre. Minha avó já era devota dela. Lembro que a gente rezava o terço à noite e a última oração era para Nhá Chica. A devoção atravessa gerações. Minha neta, Laura, já é devota. Aqui na nossa região, no sul de Minas, há mais de 100 anos, Nhá Chica é tida por todos como santa. É quem procuramos nos momentos de alegria, tristeza e dor.




Fonte: Família Cristã 929 - Mai/2013
Postado por: Família Cristã




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