Rede de fraternidade

Data de publicação: 14/06/2013

Alexandre Piero*


O Brasil vive hoje, na sua composição demográfica e etária, o momento da História com maior número de jovens: cerca de um quarto da população tem entre 15 e 29 anos de idade, faixa que compreende desde a interseção com a adolescência antes dos 18 até a transição para a vida adulta. A pauta “juventude” entra em cena tanto por este atual contingente populacional, como pela efervescência de novas formas de fazer política e de participação dos espaços formais e informais.

Esta categoria social demanda das instituições (escola, Igreja, governos...), renovação das suas capacidades de trocar conhecimento, de construir relações horizontais de empoderamento e visibilidade, de propiciar a experimentação e o novo, sem perder de vista a beleza da trajetória e o que isso inspirou nas tradições.

No campo das políticas públicas de juventude, não se trata de garantir direitos à “Proteção Integral” (como fora na época de consolidação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA), mas da transversalidade de direitos à “experimentação”: esta, por excelência, é a época de “testar” possibilidades para gradativamente oportunizar escolhas mais definitivas no campo da educação, cultura, lazer, tempo livre, formação integral, participação etc. Projetos de Vida elaborados a partir de escolhas conscientes e livres feitas dentre várias alternativas tendem a se concretizar com mais consistência e produzir frutos de felicidade e compromisso para além de decisões efêmeras.

Fé na prática jovem −  O próprio espaço eclesial e do grupo de jovens é privilegiado para experimentar e consolidar novas relações calcadas nos princípios cristãos: cooperação no lugar da competição; comunidade ao invés de individualismo; amor-ágape em contraposição ao ódio e rancor. A Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, com seu caráter de envio, e a oportunidade de reunir inúmeras culturas em missão em uma Jornada Mundial no Brasil podem ser espelho para todas as nações de que o Brasil quer garantir e impulsionar voz, vez e opção efetiva e afetiva pela e para as juventudes, sem distinção. Sem apenas usar suas imagens (como algumas novelas fazem), mas com escuta e olhar atentos para suas reais condições, necessidades e perspectivas, e o que os jovens nos revelam sobre a sociedade como um todo, nas suas angústias e sonhos. Não apenas no plano macro, mas na realidade cotidiana das comunidades e governos locais.

Políticas públicas são tudo aquilo que o Governo faz para concretizar direitos, que são liberdades para melhor usufruto da vida em abundância, proposta por um jovem Deus há mais de 2 mil anos e defendida por muitos desde sempre. Acompanhadas de responsabilidades e deveres de toda a sociedade, podemos valorizar cada época da vida com tudo o que elas podem nos permitir e potencializar: como propõe São Tiago, pela nossa prática podemos demonstrar a nossa fé – no ano mais que propício para isso.

* É professor e coordenador pedagógico, formado em Ciências Sociais e Gestão de Políticas Públicas pela USP.
e-mail: alex@pjsp.org.br






Fonte: Família Cristã 926 - Fev/2013
Postado por: Família Cristã




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