Vencer em família

Data de publicação: 23/07/2013

Fernando Geronazzo


Famílias que trabalham unidas indicam caminho para o sucesso profissional.


A relação entre família e trabalho pode ser abordada sob diferentes aspectos. No Brasil, por exemplo, cada vez mais as atividades profissionais têm envolvido toda a família, não apenas quando os filhos seguem a mesma profissão dos pais, mas também quando pai e filho, mãe, irmã trabalham juntos em um mesmo negócio, ou seja, um empreendimento familiar.

De acordo com o diretor-técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Carlos Alberto dos Santos, um grande número de micro e pequenas empresas e empreendedores individuais começa seus negócios com o esforço e empenho dos próprios familiares. Como os pequenos negócios representam 99,1% das empresas estabelecidas no País, a fatia desse tipo de composição familiar no início de uma sociedade empreendedora tende a ser significativa.

Do bordado para a sorveteria – José Mauro Ramalho sempre trabalhou com sua família. Ainda na cidade de Pongaí (SP), ele e a esposa, Geni Maria Bonfim Ramalho, começaram no ramo do bordado, seguidos pelas três filhas, Ana Paula, Rosa Maria e Fabiana Ramalho. Mas depois do convite de amigos, já na cidade de Borborema, também no interior paulista, a família aceitou o desafio de mudar de ramo, abrindo uma sorveteria.

A primeira a aprender o novo ofício foi Fabiana. Em seguida, foram os pais que se renderam à sorveteria. As outras duas filhas hoje moram em São Paulo, mas também chegaram a colaborar nos empreendimentos dos pais.

Apesar de o estabelecimento estar no nome de Fabiana, quem administra o negócio é o pai. Mas ela garante que tem aprendido a lidar com as questões administrativas para que no futuro possa dar continuidade ao empreendimento da família. “Não penso em trabalhar fora. Quero continuar ajudando meus pais, pois sei que no futuro sou eu que vou continuar a sorveteria.” A mãe dá o segredo para o sucesso do negócio: “Acordamos cedo e cada um começa a fazer suas tarefas. Assim, ninguém atrapalha o serviço de ninguém”, diz Geni.

Profissionalismo – Também segundo o Sebrae, a limitação de recursos humanos e financeiros é um dos fatores que levam ao apoio familiar na hora de abrir e manter empreendimentos de pequeno porte. “Da mesma forma que a participação de familiares num pequeno negócio significa redução de custos, o que pode ajudar a impulsioná-lo”, explica Carlos Alberto. Entretanto, aponta o diretor-técnico do Sebrae, “somente a profissionalização da gestão, com foco no mercado, na satisfação dos clientes é garantia de prosperidade”.

A família Gentil, de Natal (RN), é um exemplo dessa postura profissional. Os irmãos Glauber, Glícia e Glênia Gentil já são a segunda geração da empresa especializada em franquias de marcas que atuam na área de cosméticos, moda, serviços e alimentação, fundada há 40 anos pelos seus pais, Antonio e Marluce Gentil.

“Na empresa temos que adotar a postura de sócios, enquanto no fim de semana, a postura de irmãos. Na hora do almoço de domingo, por exemplo, não dá para ficar discutindo questões empresariais, como não dá para na hora do expediente ficar falando de questões pessoais” – explica Glauber, ao falar sobre a empresa, que hoje conta com 500 funcionários e está presente no Rio Grande do Norte e Maranhão.

Na hora da sucessão – Casado e com dois filhos, Glauber Gentil afirma que quando chegar o momento de a terceira geração da família assumir a administração da empresa a situação será diferente. Pois, neste caso, também há os dois filhos de cada uma de suas irmãs. “Será preciso que eles, os filhos, se formem em alguma área relativa ao mundo empresarial, e tenham tido oportunidade de trabalho fora das empresas do grupo”, explica, destacando que caso nenhum dos seis herdeiros tiver esses requisitos, a família terá de recorrer a um profissional qualificado no mercado.

“A experiência mostra que em determinado ponto da história da empresa familiar é preciso romper as resistências, desenvolver essa capacidade na própria família ou contratar executivos que possam estar à frente do negócio com foco em resultados”,  confirma o diretor-técnico do Sebrae.

“Ser filho ou filha do dono de um negócio não é, ou pelo menos não deveria ser, garantia de herança, sucessão nem pré-requisito para cargos diretivos numa empresa familiar”, completa Carlos Alberto.

Empreendimento no campo – Os novos modelos de negócio também fazem parte da vida de famílias na zona rural. Em uma fazenda do município de Unaí, noroeste mineiro, Maria Rita Ferreira e seus dois filhos, Marcelo e Milene Aparecida Martins de Melo, fazem parte de um projeto de produção de polpas de frutas que são vendidas para a merenda escolar do município e do estado.

Viúva, Maria Rita e seus filhos fazem parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que determina que no mínimo 30% do valor destinado para a compra da merenda escolar deverá ser utilizado na aquisição da produção agrícola familiar.

“Chegamos a vender cerca de 110 quilos de polpas produzidas em nossa pequena fábrica”, conta Maria Rita. Ela explica que o empreendimento ajuda a complementar a renda da família, que vive da pecuária de gado de corte.





Fonte: Família Cristã 915 - Mar/2012
Postado por: Família Cristã




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