A era do crack

Data de publicação: 23/07/2013

Padre Zezinho*, scj

“O crack nas ruas, no leito e na política é a pressa por novas sensações sem as devidas salvaguardas, e as maiores vítimas têm menos de 30 anos! É assassinato de uma geração!”

Por crack entende-se “quebra”. Vem do inglês. Um galho que se quebra com alguém em cima dele faz crack. Nunca se espera coisa boa de um crack, seja de objeto de estimação, seja de galho onde estamos, seja de Bolsa de Valores.

O crack da Bolsa de Valores de 1929 e o impasse econômico de 2008 foram frutos de dinheiro qualquer, oferecido de jeito qualquer para pessoa qualquer que não tinha como saldar. Emprestadores e tomadores de empréstimo deixaram-se levar pela urgência e pela falta de critérios. Aventuraram-se, arriscaram, jogaram e perderam.

De certa forma a droga crack é este passo urgente de quem quer chegar mais depressa, não se sabe aonde, nem por quê. Semelhante é a aids que, nem sempre em todos os casos, mas em muitíssimos, é o resultado de um jogo chamado sexo sem proteção e sem cuidados, com parceiro qualquer, de qualquer jeito urgente e sem maturidade. Não é por menos que todos os países, além de objetos que protejam, insistem na escolha de pessoa certa. A promiscuidade foi o crack do sexo depois dos anos 1960, como já foi em eras antigas.

A sociedade deu um passo mais avançado quando ligou o casamento ao amor e à escolha certa do parceiro ou da parceira. As pessoas, ao invés de serem dadas em casamento, passaram a dar-se. Mas da mesma forma que havia promiscuidade quando se contraíam casamentos por interesse pecuniários e união de fortunas e, por isso, também de corpos, passou a haver promiscuidade quando as pessoas declaravam o fim de um ou vários casamentos por conta de beleza, sexo com alguém mais jovem, união com alguém socialmente mais interessante. O fim da fidelidade sacramentada pelo Estado possibilitou um crack assistido de casamentos juramentados e livremente contraídos. O contrato matrimonial passou a ser desfeito a partir do sentimento em baixa. Como no passado, casamento não tinha muito a ver com amor porque fundamentado em fortunas, com o tempo passou a nada ter com fidelidade porque fundamentado em humores.

Excesso de retrocesso e de desajustes acaba em promiscuidade. Passa-se de um desajuste a outro desajuste, por conseguinte de uma a cinco ou seis uniões. O argumento é a felicidade pessoal. Não estando outra vez feliz com esta outra pessoa, a pessoa insatisfeita advoga o direito de tentar mais uma vez, até encontrar alguém com quem se ajuste e seja feliz.

Trocar de parceiras com frequência não é bom para o indivíduo, para os filhos nem para a sociedade; pior ainda é transar sem transação de afeto, encontros que não nascem de uniões nem as visam, porque não haverá coabitação. De qualquer jeito, com qualquer um, a qualquer hora não é exercício da sexualidade: é crack. É como subir a dois em árvore desconhecida sem saber se os galhos resistirão... O ruim do quebra-galho é que, em geral, o galho se quebra. Quem sobe depressa e sem cuidado corre maior risco de se machucar! O crack nas ruas, no leito e na política é a pressa por novas sensações sem as devidas salvaguardas. Acaba em perda de critérios. Não deixa de ser triste que estejamos vivendo esta era e que as maiores vítimas tenham menos de 30 anos! É assassinato de uma geração!


*Escritor, compositor e cantor.
   




Fonte: Família Cristã 902 - Fev/2011
Postado por: Família Cristã




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