As estações de um pai

Data de publicação: 09/08/2013


Fotos Sonia Mele



Quatro pais, oito filhos e algumas visões diferentes de uma mesma missão

Ser pai é uma missão atemporal. Por mais que os anos passem, a paternidade jamais perde seu sentido. Tal missão nasce com a chegada de uma criança e dura enquanto houver esta vida. Nos primeiros dias de um bebê, pode ser sentida já com a preocupação de o que ele será quando aprender a caminhar pelas próprias pernas. Durante a infância é uma necessidade de apontar os caminhos que essas mesmas pernas percorrerão. Na juventude, pode ser uma preocupação insone em conferir os dígitos do relógio e esperar por uma porta se abrindo. Na vida adulta, é uma angústia que se manifesta com os eventuais erros cometidos por uma pessoa que, afinal, teve apenas a intenção de acertar e se descobriu limitado. Mas quando, enfim, esse ser poderia imaginar cumprida sua missão, vez por outra assalta a impressão de que, vividas todas as suas fases, a paternidade a qualquer hora vai ressurgir ressignificada. Afinal, como na natureza, em que cada estação tem sua beleza, ser pai é uma missão ciclicamente renovada. Como nos sugerem Carlos, Dagmar, Ademilson e Ricardo.

Cada bebê é único – ‘‘Isabela não é minha primeira experiência com bebês, mas por ser a primeira menina há situações novas. Com menina, a gente precisa ter um cuidado especial. Até a forma de pegar no colo é outra. Já reparei que ela não gosta de ficar em qualquer posição.

Com os meninos, a coisa foi mais tranquila. Com eles, eu tomava a frente em certas situações por entender melhor o  universo masculino, já com Isabela ficarei um pouco mais dependente da minha mulher. Mas seja para meninos ou meninas, a missão de ser pai, em sua essência, não muda.

Creio que os pais não devam obrigar os filhos a percorrer os mesmos caminhos que eles percorreram. Os pais precisam, na medida do possível, acompanhar os filhos.

Pois, se não fizerem isso, outra pessoa fará. O mundo que eu espero deixar para meus filhos não diz respeito a nada material, mas a valores. Não existe fortuna maior do que dar condições para eles mesmos discernirem entre o certo e o errado.

Para que façam as opções mais adequadas para eles. Se eles entenderem isso, certamente vão ter tudo o que precisam na vida. Estando o pai presente ou não.”

Carlos Ailton Soares, 47 anos, metroviário, é pai de Gabriel Machado, 14 anos, Guilherme Machado Soares, 5 anos, e Isabela Machado Soares, 3 meses.

A vida como ela é – ‘‘Quando me separei de sua mãe, Mariana tinha nove meses. Hoje ela tem 3 anos e não fica um dia sem falar comigo. Ainda bem que inventaram o celular! De 15 em 15 dias, ela passa um fim de semana em casa. Moro sozinho, mas tenho tudo o que ela precisa. Vamos ao shopping, ao cinema, ao parque, à casa de meus irmãos e, claro, brincamos.

Na hora de dormir, um conta história para o outro. O chato é quando vou devolvê-la para a mãe, no domingo à noite. Choramos os dois. Mas fazer o quê? A vida, às vezes, tem dessas coisas. Gostaria de me casar de novo, até porque não é bom ficar sozinho, e ter outros filhos. Mas desde que a relação dê certo. Caso contrário é um pouco sofrido.

Como pai, procuro fazer o melhor. Educação e princípios, por exemplo, são tão necessários como o alimento do dia a dia. Tento deixá-la forte para enfrentar o mundo. Digo a ela que nem sempre as coisas são como a gente quer.

Alguém pode entender que ela é muito novinha para ter esse tipo de conversa, mas é porque não lida com crianças. Elas, hoje, são muito espertas e bem informadas. Já sabem de tudo... E a gente precisa estar preparado para elas. Inclusive para o dia que, no futuro, eu for pegá-la e ela disser que não quer vir.

Mais cedo ou mais tarde, ela pode preferir ficar com a mãe dela. Ou comigo. A vida, às vezes, tem dessas coisas.”

Dagmar Oliveira de Jesus Filho, 35 anos, é encarregado do setor de Expedição e pai de Mariana Fernandes Oliveira, 3 anos.

Um adulto em construção – ‘‘Ser pai de adolescente é ficar um pouco preocupado com o relógio, principalmente quando começa a passar das 21 horas, nos fins de semana. Com 15 anos, Natália já está naquela fase de querer chegar um pouco mais tarde. Já tem a turminha dela. E nessa turma, você sabe, há aqueles jovens com pais mais festeiros...

Mesmo assim a gente precisa ser flexível antes de sair dizendo ‘não’ para os filhos. Se fizer isso toda hora quem acaba sendo chamado a atenção é o pai! Na medida do possível, proponho um planejamento. Vou levar e buscar! E telefone celular existe para ficar ligado e ser usado, certo?

Felizmente, com o tempo a gente vai formando uma rede de troca de informação entre os pais. Outra coisa que nos deixa razoavelmente tranquilos é saber que estamos fazendo o melhor possível na educação dos fi lhos e estes já começam a dar sinais de responsabilidade.

Natália, por exemplo, já cuida um pouco da casa, ajuda a mãe, que também trabalha e zela pelo irmão menor. Ela também é atenta aos estudos e já tem ideia da faculdade que quer fazer, embora isso possa mudar conforme ela for amadurecendo. Pois é...

Está chegando a hora de tirarmos a taquarinha da plantinha e deixar que ela cresça sozinha. Daqui a pouco, afinal, Natália será uma mulher adulta.”

Ademilson Pereira de Oliveira, 45 anos, é analista de suporte técnico e pai da adolescente Natália Ablen Oliveira, 15 anos, e de Arthur Ablen Oliveira, 11 anos.

A idade da razão – ‘‘A troca de cuidado e de carinho entre meus filhos, minha mulher e eu é muito agradável. Particularmente, estou achando gostoso ser pai de pessoas já adultas, principalmente quando a gente vê que elas tomaram um bom rumo na vida.

Talvez, de fato, tenhamos feito um bom trabalho durante a infância e a adolescência deles. E isso, de certa forma, é recompensador. Um exemplo: temos muitas oportunidades de, juntos, fazer programas de adultos.

Com o Fábio, jogo bola toda a semana, vou ao estádio ver jogos do Palmeiras e tomo cerveja. Vez por outra, ele até paga tudo e eu não acho isso ruim. Nem um pouco! Já com a Dani, a relação também é bem próxima. A ponto de ela, às vezes, querer que eu a acompanhe ao médico. Se eu fico sem jeito, ela diz para eu largar disso, porque ‘eu dou segurança’ a ela.

Já me perguntaram se eu tenho vontade de ser avô, que é uma espécie de pai duas vezes. Bem, confesso que ainda não pensei muito nessa situação porque, afinal de contas, nenhum dos dois parece muito interessado nisso neste momento. Mas ainda que essa realidade possa estar, ao menos aparentemente, um pouco distante, a ideia me agrada.

Quem disse, afinal, que a missão de pai termina? Ela apenas muda de forma...”

Ricardo Soares Corrêa da Silva, 60 anos, é ilustrador e pai do arquiteto Fabio Bottoni Corrêa da Silva, 32 anos, e da administradora de empresas Daniela Bottoni Corrêa da Silva, 30 anos.




Fonte: Família Cristã 920 - Ago/2012
Postado por: Família Cristã




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