Congresso mundial

Data de publicação: 16/08/2013

Por Léo Pessini*


Abordando a temática Bioética num mundo globalizado, reuniram-se em 2010, em Cingapura, 500 bioeticistas provenientes de 37 países para o 10º Congresso Mundial de Bioética. No encontro, tivemos participação maciça de cientistas, profissionais da Bioética e da Saúde, além de estudantes das áreas das Ciências da Vida, do continente asiático, contando também em sua abertura com a presença do presidente de Cingapura, Sellapan Ramanathan Nathan.

Esses congressos, que reúnem estudiosos e interessados no debate ético no mundo científico, têm como objetivo a promoção da reflexão científica da Bioética no contexto em que vivemos, no qual o extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico interfere profundamente no campo da vida. Entre os temas que foram debatidos a partir da temática central, destacamos os seguintes tópicos: Educação bioética para um mundo globalizado; Pós-humanismo: ligando cérebro às máquinas – questões éticas desta interface; Como a bioética pode contribuir para deliberações em relação à Biologia Sintética?; Saúde pública: doenças infecciosas e comunicáveis – preocupações e questões bioéticas; A ética das células-tronco; Ética da pesquisa em seres humanos: novos desdobramentos e exigências de princípios éticos; Biossegurança e globalização: questões éti­cas nas doenças infecciosas e na utilização da pesquisa.

Como se percebe, as discussões foram vastas e englobaram assuntos inovadores. Entre os desdobramentos temáticos, destacaram-se as perspectivas globais e regionais da Bioética, a justiça no acesso aos cuidados de saúde, além de ética e saúde global; também foram objeto de preocupação as questões éticas nas pesquisas em saúde em escala internacional e as preocupações locais e perspectivas internacionais da ética clínica. A ética da saúde pública num contexto internacional e as relações entre saúde e meio ambiente mereceram destaque, assim como as questões éticas que surgem a partir da pesquisa com células estaminais humanas, embriões e novas tecnologias médicas.

Final de vida – Como se percebe, os assuntos abordados foram muito amplos, for­mando um painel do que de mais importante envolve o tema da Bioética no mundo contemporâneo. O controle de doenças infecciosas e a ameaça de epidemias globais, bem como biotecnologia e bioengenharia, tratadas sob o enfoque de políticas públicas, a globalização e comercialização em biomedicina e as questões éticas relacionadas com os vulneráveis e minorias populacionais também surgiram nas mesas de debates.

Tivemos a oportunidade de apresentar neste Congresso as questões relativas ao final de vida a partir do novo Código Brasileiro de Ética Médica. A discussão bioética sobre este tema, que há alguns anos privilegiava a discussão da eutanásia, mudou de enfoque, centrando-se hoje mais assertivamente sobre a questão da importância de se implementar cuidados paliativos frente a situações de pacientes portadores de doenças crônicas e terminais. Constata-se uma convicção crescente na área da Saúde de que a eutanásia não é uma resposta adequada para a questão da dor, do sofrimento e da falta de sentido de vida humana, mas o proporcionar cuidados holísticos, isto é, cuidar das necessidades físicas, psíquicas, sociais e espirituais.

Enfim, participar de eventos deste quilate nos instiga a avançar para além de nossas certezas e convicções de fé e valores de vida, descobrindo a importância de outras perspectivas éticas culturais e religiosas no mundo globalizado que também nos enriquecem e nos revelam silenciosamente as “sementes do verbo”, se estivermos atentos para ouvir!

*Léo Pessini é Camiliano, professor dr. em Bioética no Programa de Mestrado e Doutorado Stricto Sensu em Bioética do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo (SP).




Fonte: Família Cristã 901 - Jan/2011
Postado por: Família Cristã




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