Casais que se contemplam

Data de publicação: 19/08/2013

Padre Zezinho, scj*


Contou-me ele, depois de 11 anos de casamento. Não conseguindo dormir com dor no joelho, sentou-se numa poltrona ao lado da esposa que dormia no leito; chegou mais perto e passou a noite contemplando a mulher que o fizera pai, o ajudara a amadurecer para o amor e para a vida e o enchera de felicidade e sensatez.

“Gratidão, foi o que senti” – dizia ele. E prosseguiu: “Deus me deu uma mulher suave, bonita, dois filhos, uma família amorosa e uma cúmplice para todos os momentos”. 

E discorria: “Fiquei olhando a mulher que eu procurara e achara, a mãe dos meus filhos, aquele corpo bonito, aquela alma escondida sob os olhos que dormiam, e vi nela meu outro eu, extensão de mim, ou eu extensão dela; não sei ao certo!”.

Mas uma das frases dele captou-me de maneira especial. Disse-me: “Eu era um tipo de homem antes dela; depois dela eu mudei. Acho que Deus a enxertou em mim e me enxertou nela. Produzo frutos que jamais pensei ser capaz de produzir. Ela deu sabor especial à minha vida. Acho que eu também a tornei mais pessoa”.

Palavras de marido apaixonado que contempla sua esposa à beira do leito. Quantas esposas e maridos não assinariam embaixo dessa frase? Embora vocês brinquem, dizendo que se casaram com um desastre, com um estrupício, brincadeiras à parte, vocês sabem que, agora, quando querem se achar, precisam mergulhar um no outro, porque seu eu está dentro da pessoa amada. Vocês deram um ao outro o que tinham de melhor e, agora, quando querem achar o melhor de si, procuram no cônjuge. É investimento que rende! Isso, quando o casamento  deu certo!

Um bom casamento – Conto sempre a história de Dona Leila, para ilustrar o que é um bom casamento. As meninas, que a idolatravam pela excelente mestra e amiga que era, um dia, em aula, perguntaram, à queima-roupa, quando ela perdera a virgindade. Dona Leila, tranquila, reagiu: “Mas eu não perdi! Não sou mais virgem, mas não perdi a virgindade!”.

“A senhora é casada e tem três filhos. Como não perdeu a virgindade?” – insistiram as meninas.

“Eu não rodei bolsinha, nem saí do baile para o motel com um cara que nunca mais vi. Não perdi a virgindade para qualquer um. Dei-a ao meu marido e ele mora comigo. Minha virgindade está lá no mesmo leito que dividimos há 14 anos. E está em excelentes mãos. Só perde a virgindade quem não sabe onde a colocou. Eu sei o que fiz. Foi troca: eu me dei a ele e ele se deu a mim. Agora eu sou de um bom homem e ele, modéstia à parte, é meu. Ele não precisa dizer isso: eu percebo” – relatou a mestra.

Daquele dia em diante, as meninas perceberam que isso de gostar de um cara, namorar e acasalar passa pela descoberta de quem é este outro com quem criarão filhos. Sem alteridade, o sexo é apenas um troca-troca egoísta. Com alteridade, é uma viagem de almas e corpos entrelaçados. É por isso que o casamento se chama de enlace! De laços, o amor é feito.

“Deus me deu uma família amorosa e uma cúmplice para todos os momentos.”


*Escritor, compositor e cantor.




Fonte: Família Cristã 904 - Abr/2011
Postado por: Família Cristã




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