Nem criança, nem adulto...

Data de publicação: 28/08/2013

Rosangela Barboza

Eles vivem uma fase repleta de dúvidas e descobertas, e será melhor vivida com o apoio da família. A rebeldia saudável e o protagonismo são indispensáveis para fomentar as renovações.

“Às vezes, eu me acho criança, outras vezes, uma adulta. Tenho saudade das brincadeiras e, quando estou com minhas primas menores, acabo brincando com elas. Mas, quando é hora de ser adulta, consigo cumprir as minhas responsabilidades.” É o que conta Liciane André Francisco da Silva, do alto dos seus 12 anos de idade.  Até dias atrás, uma criança, e agora iniciando a sua vida no mundo de gente grande.  Liciane, sempre que precisa, pede a opinião dos seus pais, Eliane e Aulício, mas já começa a formar a sua própria opinião.  “Se vou sair e minha mãe diz para levar blusa mesmo que não esteja frio, eu até levo, mas por segurança. Eu a ouço, mas agora ouço a mim mesma também” − conta.

E é assim mesmo. Da noite para o dia, o filho que há pouco tempo se contentava com o colo acolhedor dos pais, quer ser independente, e, mesmo com as dúvidas que vão pela cabeça, já começa a querer ser o dono do próprio nariz. Sinal que a adolescência chegou e, com ela, as transformações do corpo, as novas ideias e a mania de contestar pai e mãe.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a adolescência vai dos 10 aos 20 anos de idade. Nenhuma outra fase da nossa vida é tão marcada por mudanças físicas e psicossociais como a adolescência. “É a fase em que a puberdade se instala e o papel social é outro: deixa-se de ser criança, mas ainda não se é um adulto” − explica o hebiatra Maurício de Souza Lima, médico especializado em adolescentes. 

E, segundo o hebiatra, a chegada da puberdade é o acontecimento mais marcante desta temporada. Nas meninas, desenvolvem-se os brotos mamários, que se tornarão os seios, e nos meninos, há o aumento dos testículos. E a partir daí a natureza promete ser bem ágil: as meninas vão ter um aumento de gordura na região das coxas e das nádegas e, um tempo depois, chega a menstruação.  Já os meninos vão apresentar uma voz mais grave, um aumento do pênis e maior desenvolvimento dos músculos. E na cabeça? “Começa uma experiência bem diferente da infância. Eles percebem que estão adultos, se sentem no mundo dos adultos e, assim, acham que conhecem várias coisas” − explica Maurício. “Passam a ter opiniões e atitudes próprias, que nem sempre são as corretas. É uma fase em que se sentem onipotentes e invulneráveis e, assim, acreditam que nada vai lhes fazer mal.” Mas, ao mesmo tempo em que têm tanta certeza, também têm muitas dúvidas e algumas delas chegam ao consultório. “Os meninos questionam por que não crescem ou não são musculosos, e as meninas perguntam por que a menstruação ainda não veio. E há os questionamentos mais específicos, como sexualidade e uso de drogas” − lembra o hebiatra Maurício.

Filho e adolescente – Como ficam os pais diante de tantas transformações? Bem, eles vão precisar se adaptar à nova fase.  “Uma coisa é ter um filho criança e outra, bem diferente, é ter um filho adolescente” − esclarece o médico. Para ele, os pais também precisam ser orientados para que compreendam a nova fase da vida dos filhos e evitem entrar em conflito com eles.

Importante é considerar que a família continua a ter um papel fundamental de proteção aos seus filhos, principalmente nessa fase, em que eles parecem não dar ouvidos ao que os pais dizem e demonstram que não têm receio de nada.  “Acredito que o diálogo seja a melhor maneira de os pais ajudarem seus filhos e protegê-los no mundo moderno. É preciso conhecê-los, olhar nos olhos deles e participar de suas atividades” − aconselha dr. Maurício.

Segundo ele, é fundamental que os filhos saibam que podem conversar com seus pais e ter a opinião deles, ainda mais em pleno século 21.  O mundo está cada vez mais veloz e os jovens de hoje vivem experiências com muito menos idade − aos 12 ou 13 anos − do que a juventude de décadas passadas. É o caso, por exemplo, do despertar da sexualidade. “As informações chegam a esses jovens pela internet, pela TV, pelas revistas e eles respondem a estímulos diários” – lembra o hebiatra, ressaltando a importância do papel dos pais em conversar com os filhos sobre temas como sexualidade e drogas, por mais que achem que eles ainda  não tenham idade para isso. 

No entanto, o médico lamenta que, na correria do cotidiano, os pais não tenham tempo para estar com os filhos, que, por sua vez, se trancam no quarto, ficam diante do computador e perdem o contato com os familiares. “Os jovens têm direito aos seus momentos de independência, porém, os pais precisam resgatar os momentos de convívio com seus filhos” − orienta o especialista.
   




Fonte: Família Cristã 912 - Dez/2011
Postado por: Família Cristã




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