Sacramentos da iniciação (1)

Data de publicação: 09/09/2013

Frei Luiz S. Turra, ofm cap. *

Olhando de maneira ampla, toda iniciação é uma realidade que merece e exige atenção especial em tudo e para todos. Por exemplo: a boa e correta iniciação de uma construção já é garantia para a correta continuação e boa finalização da obra. Começar mal é sempre uma situação que pode complicar no depois. Quem inicia uma viagem por caminho certo segue com segurança para chegar a bom termo. Quem inicia um projeto bem planejado e o assume com responsabilidade já tem bases para obter êxito.

A antropologia cultural contempla com destaque as razões, modos, mediações e ritos de iniciação para os que ingressam e são iniciados em determinada comunidade, associação, grupo cultural ou religião. A iniciação é um fenômeno humano geral que responde ao processo de adaptação da pessoa na relação com o ambiente físico, cultural, social e religioso.

Neste processo de iniciação, comprova-se que, se por um lado as pessoas que ingressam vão se adaptando e acolhendo a contribuição do grupo, por outro lado o grupo vai se enriquecendo com a contribuição de cada novo membro. O certo é que, tanto quem já faz parte do grupo, como quem inicia, todos precisam estar sempre a caminho. É por esta razão que, dentro de seu significado de origem, iniciação é um “ingresso no caminho”.

Iniciação cristã – Não é demais recordar que o especificamente cristão é o próprio Jesus Cristo. N’Ele, não é qualquer iniciação que conta. O cristianismo dos cristãos deve permanecer cristão para sempre. Permanece cristão sempre que continua ligado, declaradamente, ao único Cristo.

Para iniciar bem a vida cristã é preciso ter clareza do referencial e o fundamento, no qual se edifica o viver do cristão e da comunidade cristã. Esta primeira verdade ajuda a superar a diluição, a confusão e a falsificação do ser cristão, ainda que muitas vezes bem-intencionadas.

Na Igreja, a iniciação cristã sempre foi um tema e uma prática merecedora de especial atenção. O conhecimento e a experiência marcam fortemente a “introdução” catequética e sacramental nos mistérios cristãos.

Entrada num mistério – Sendo Jesus Cristo o especificamente cristão, a entrada num mistério não se refere a um mistério qualquer, mas sim ao “Mistério Pascal de Cristo”. O cristão inicia-se no Mistério Pascal. Não se trata de um elemento mítico, mas histórico. Não se trata, em primeiro lugar, de uma doutrina, mas de uma pessoa. Não se trata de entrar numa comunidade fechada em si, que se auto-abastece, mas numa comunhão de vida com Deus, revelado em Cristo, na unidade do Espírito Santo.

A entrada no Mistério Pascal abre para a pessoa a porta para o caminho de uma vida rica de sentido. Neste mistério está a chave de compreensão e integração dos sofrimentos e das cruzes, das vitórias e das luzes, das lutas e das fidelidades, do tempo e da eternidade que habitam em nós, do humano e do divino que marcam o nosso viver cotidiano, de nossas esperanças e fracassos, de nossas virtudes e pecados.

A verdadeira fisionomia de um cristão não depende apenas de nossos esforços e nossas ações. A misteriosa ação de Deus, sempre surpreendente e fiel em seu amor gratuito, é que faz acontecer em todos nós a configuração mais verdadeira de nossa identidade cristã. Com toda razão o apóstolo Paulo dizia junto aos gálatas: “Meus filhos, por quem de novo sinto dores de parto, até que Cristo se forme em vós” (Gl 4,19). Não somos nós que nos formamos em Cristo, mas é antes Ele que se forma em nós pela iniciativa do amor.

Uma atenção especial – Os chamados “Pais da Igreja”, ou Padres da Igreja nas constituições apostólicas, não só consagraram o vocabulário “iniciação cristã”, mas se dedicaram com todo ardor em sua realização. Não só cultivaram o cuidado doutrinal, mas, acima de tudo, fizeram o caminho prático e ritual, educando a fé para ser consciente e participativa.

Na Idade Média, a iniciação cristã foi deixada nas sombras. No Renascimento, comprova-se uma tímida atenção e prática. No século 19, a iniciação cristã foi revalorizada integrando os sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia. A liturgia pós-conciliar é que veio restabelecer plenamente o caminho da iniciação cristã. Hoje temos o Rica (Rito de Iniciação Cristã com Adultos), que nos dá segurança e luzes nesta atenção especial.

Conclusão – Hoje, é evidente na Igreja a justa preocupação pela iniciação cristã. Há muitas e acertadas tentativas, mas também algumas aventuras. Por sua vez, o magistério da Igreja tem clareza e fundamentação. Cremos que o amor pastoral, o diálogo e a comunhão eclesial poderão aprimorar os acertos práticos a fim de dar uma resposta ao complexo momento atual, no qual as pessoas buscam ansiosas e às apalpadelas um caminho que as ajude a administrar o mistério da vida.

* Frei Luiz S. Turra pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

“Não somos nós que nos formamos em Cristo, mas é antes Ele que se forma em nós pela iniciativa do amor.”

Perguntas
1. Qual a importância da iniciação para um projeto, uma obra e uma vida?
2. Você conhece os modos e os ritos de iniciação de algum grupo, comunidade ou associação?
São importantes?
3. Quando a iniciação começa a ser “iniciação cristã”?




Fonte: Família Cristã 907-Jul/2011
Postado por: Família Cristã




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