Intolerância e preconceito

Data de publicação: 19/09/2013

Ilana Novinsky*

Temos presenciado atualmente todo tipo de manifestação de preconceito e intolerância, brigas em família, entre vizinhos, bullying; conflitos que vão desde o desrespeito até a extrema violência, por todo tipo de motivo e, às vezes, sem nenhuma razão aparente. Quando paramos para refletir sobre tudo isso, é importante lembrar que o ser humano se manifesta das mais diferentes formas, e esta diversidade é a riqueza da humanidade. São nossas relações que preenchem nossa vida de alegrias, tristezas, lembranças e realizações; com os outros fazemos planos e contribuímos com o mundo à nossa volta.

Mas conviver é também lidar com as situações de conflito e sofrimento que estão presentes ao nosso redor – e em nós mesmos. Em um mundo globalizado como o de hoje, isso tem se mostrado muito difícil. Para poder conviver com o outro e o diferente e tornar nossa vida mais rica e plena é necessário dar valor ao outro, e reconhecer que a ética é a base fundamental para desenvolvermos a tolerância, que nos permite a aceitação e a convivência, a colaboração e a solidariedade. Mas, como fazer isso?

Todos nós existimos como pessoa humana porque alguém nos acolheu em seu sonho, em seu ventre, nos recebeu em seus braços ao nascermos, cuidou de nós, em outras palavras, nos amou. Por tudo isso, somos também responsáveis pelos outros e nossos laços se fortalecem na mesma medida em que nos dispomos a reconhecer e aceitar o outro. Precisamos estar atentos para o fato de que quem passa por nós no trânsito, na rua, na padaria, com quem convivemos no dia a dia nas mais variadas situações, ainda que nos incomode, pois nos coloca limites, nos perturba com sua diferença, e tenhamos, muitas vezes, o desejo de não conviver com ele, é um ser humano como nós, com suas características próprias, desejos e necessidades, teve o mesmo início e terá o mesmo fim.

Experiência de hospitalidade – A ética é mais do que o fruto de um aprendizado, da educação, faz parte das características humanas, do que nos torna humanos. Ao cuidarmos de uma criança, ao alimentarmos, embalarmos, levamos em conta a pessoa do bebê e suas necessidades. Tratar de uma criança sem esta atenção e consideração é realizar apenas um procedimento que não reconhece a pessoa do bebê ou da criança, fazendo com que ela se sinta, desde muito pequena, desconsiderada, desrespeitada e não amada. Isto a faz sofrer, perturba seu desenvolvimento e pode adoecê-la mental e fisicamente, torná-la solitária, distante dos outros, sem amor-próprio, sem perspectivas e sem esperança. Cuidar implica em tolerar o outro, que é sempre único e diferente de nós. Aquele que não foi tolerado não tem condições de tolerar, pois não pôde se desenvolver como pessoa humana.

É justamente esta massa de indivíduos isolados e desamparados que mais se sente atraída pelas promessas dos partidos totalitários e líderes extremistas. Um mundo onde não há espaço para a amizade, hospitalidade e compaixão é um mundo solitário, onde as diferentes formas de intolerância ao outro estão presentes de forma globalizada. É preciso estarmos atentos não apenas às nossas necessidades, mas também às do outro, seja a criança, o vizinho ou o colega de trabalho, reconhecer o seu valor e que somos todos iguais.

*Psicoterapeuta e psicanalista.




Fonte: Família Cristã 906 - Jun/2011
Postado por: Família Cristã




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