Religião: questão de fé!

Data de publicação: 20/09/2013

Padre Reginaldo Carreira*

Não é incomum ouvirmos pregadores e pensadores, cristãos ou não, usarem o termo “religião” com uma conotação negativa. Nos púlpitos e nas salas de aula, por muitas vezes, usa-se esse termo para designar a pertença a uma instituição apenas, e não a uma doutrina, a uma fé e a uma vida comunitária, pautada nos ensinamentos assumidos por determinado grupo de pessoas. Religião é ruim se a entendermos como o seguimento de um ritual apenas, uma pertença fanática a uma doutrina... Ela também não pode ser entendida como designação social de pertença a um Deus ou a uma Igreja... Mas daí a dizer que “ter religião cristã” e “ser cristão” é contraditório já é um extremismo!

Religião é, em seu primeiro significado, uma religação (do latim religio, religare), que significa, no sentido cristão, nossa reconciliação com Deus e nosso serviço a Ele. E ela se dá através de uma Igreja sim! Um lugar (que aqui não é apenas um lugar físico) de encontro com Deus e com os irmãos. Minha intimidade com Deus passa por uma religião, e eu não posso dizer que pertenço a Jesus e não a uma religião ou Igreja, pois Jesus mesmo “edificou” em Pedro a SUA Igreja, e é nela que nos tornamos pertencentes a Ele.

Tolerância e respeito – Não é apenas uma questão de etimologia da palavra “religião” ou de seu sentido cultural. É uma questão teológica e bíblica: nossa fé cristã é sustentada na vida comunitária, e nossa vida comunitária, mesmo que não queiramos, é Igreja e é religião. Pode-se viver a fé de forma individual e solitária, com a bandeira de que nenhuma instituição “possui” Deus e que “não dependo de nenhum intermédio” para falar com Ele. Mas não posso querer viver a fé cristã de forma contundente e profunda sem me inserir numa vida comunitária que me comprometa com e me una ao outro, que é meu irmão, e ao “totalmente outro”, que é Deus, manifestado em Jesus, seu filho! Mesmo a falha dos meus irmãos e as intempéries da vida comunitária me ensinam, quando me forçam a crescer na tolerância, no perdão e no amor, centro da mensagem de Jesus.

Conhecer o Senhor e reconhecer Seu amor por nós implica conhecer a Igreja e reconhecer seu valor para nossa sociedade, reconhecer a religião cristã no seu sentido mais profundo de religião, como caminho de santidade e seguimento do Cristo, sendo, por isso, lugar de manifestação da Sua vontade e de transformação da sociedade. Não podemos deixar que o termo religião ou religiosidade – que em primeiro sentido é devoção, piedade e, portanto, amor e vivência da espiritualidade e da religião – seja entendido como ritualismo, superstição ou qualquer outra conotação negativa e ridicularizado em certos ambientes! Valorizar a religião é uma virtude a ser cultivada sempre e insistentemente em todos os lugares, especialmente em nossas escolas e faculdades, no meio acadêmico e no mundo do trabalho! Nossa sociedade é marcada pela força da fé, vivida nas religiões, e isso precisa ser respeitado.

A tolerância e o respeito me incentivam a reconhecer que no outro, e também nas outras religiões, há um lugar da manifestação de Deus. É o que Jesus ensinou ao acolher a todos e a receber a todos, mesmo discordando de seus pensamentos e ações. Mas a mesma tolerância e respeito não me proíbem de manifestar minha fé em Jesus Cristo como meu único Salvador e Senhor, e assumir e defender minha fé e minha religião, sem medo e sem constrangimento, porque respeito é bom, crer é meu direito e anunciar é meu dever!

*Pároco em Santa Cruz das Palmeiras (SP), pregador em encontros, cantor e compositor.
prcarreira@itelefonica.com.br






Fonte: Família Cristã 902 - Fev/2011
Postado por: Família Cristã




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