Prevenção contra dengue

Data de publicação: 21/10/2013


Rosângela Barboza

Os casos de dengue crescem no País e o controle da doença depende de medidas preventivas tomadas pelas autoridades e pela população.

O Brasil convive há mais de duas décadas com a dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, e o ano de 2010 trouxe números bem desanimadores no combate a esse mal. Segundo dados do Ministério da Saúde, houve, em todo o país, um aumento de 91,14% no número de notificações da doença, pulando de 489.819 casos, no período de janeiro até outubro de 2009, para 936.260 casos, no mesmo período de 2010. Em 2009, a dengue provocou a morte de 312 pessoas e, em 2010, este número subiu para 592. No início de dezembro, o LIRAa (Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti), do Ministério, indicava que 24 municípios corriam risco de surto de dengue, pois  registraram a presença de larvas do mosquito em mais de 4% das residências pesquisadas. O levantamento também colocou outros 154 municípios em situação de alerta, com índice de infestação entre 1% e 3,9%. Com a chegada do verão, a previsão é que o número de casos aumente ainda mais. Com isso, o Ministério da Saúde colocou à disposição dos municípios cerca de 1 bilhão de reais para as medidas de combate. E não é só. Foram registrados, entre agosto e outubro, pela primeira vez no Brasil, três casos importados – um no Rio de Janeiro (RJ) e dois em São Paulo, na capital e na cidade de Tanabi – de uma nova doença transmitida pelo mesmo mosquito: a chikungunya. Provocada pelo vírusCHIKV, que circula principalmente na África e no sudoeste asiático, a doença é transmitida pelo Aedes aegypti e também pelo mosquito Aedes albopictus. A chikungunya é menos grave que a dengue, caracterizando-se por febre alta e dores intensas nas articulações das mãos e dos pés. A preocupação das autoridades é que, como existe no País um grande número de criadouros do Aedes aegypti, haja maior risco de a chikungunya se instalar por aqui. Assim, o Ministério da Saúde determinou o aumento das ações de vigilância em relação à nova doença.

Vacinas em andamento – O então ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu que a doença será sempre um desafio permanente enquanto não houver vacina contra ela, já que, segundo o próprio ministro, é impossível atualmente erradicar o mosquito no Brasil. “Infelizmente, vamos ter dengue todos os anos enquanto não tivermos vacina, e isso vai demorar alguns anos” – afirmou Temporão à imprensa. Ele lembrou ainda que, em 2010, foi registrada a volta do sorotipo 4 da dengue, que não circulava no País há 28 anos. “Fizemos uma verdadeira operação de guerra para evitar que se espalhasse” – afirmou o ex-ministro, referindo-se à contenção da doença no estado de Rondônia. No Brasil, há pelo menos três pesquisas de vacinas contra a dengue em andamento. A experiência mais adiantada é patrocinada por um importante grupo farmacêutico, em parceria com o Núcleo de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Espírito Santo, que prevê para 2015 a apresentação de uma vacina tetravalente, capaz de imunizar contra todos os tipos de dengue. O laboratório público Bio-Manguinhos, ligado à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, também trabalha com duas linhas de pesquisas diferentes para se chegar a uma vacina contra a doença.



Instituto Butantan testará vacina contra dengue em humanos


O Instituto Butantan, em São Paulo, deve iniciar em novembro a segunda fase clínica de um estudo que busca comprovar a eficácia e a segurança em humanos de uma vacina contra a dengue. Desde o dia 2 de outubro, um grupo de 50 voluntários adultos começou a ser recrutado na capital paulista. No início de 2014, outras 250 pessoas devem ser convocadas.

Essa é a primeira vacina contra a dengue de produção 100% nacional a ser testada em humanos no país. A dose é tetravalente, ou seja, imuniza contra os quatro sorotipos do vírus, e foi desenvolvida há mais de uma década pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), chegando ao Brasil por meio de transferência tecnológica – as conversas para isso começaram em 2006. Nos EUA, em uma primeira fase de estudo, a vacina foi testada em 750 indivíduos adultos. Antes disso, cada um dos quatro tipos do vírus foi aplicado separadamente em animais.

As reações adversas encontradas nos americanos foram apenas dor local e erupção cutânea (conhecida como exantema ou rash), o que para os pesquisadores é um bom sinal, pois mostra que o vírus realmente causou uma resposta imunológica no organismo.

Se os próximos resultados forem positivos, a previsão é que a vacina seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e possa fazer parte do Programa Nacional de Imunizações em 2018. Além do Butantan, há outra iniciativa nacional para produção de vacina contra a dengue, encabeçada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a farmacêutica GlaxoSmithKline (GSK). Mas essa pesquisa ainda não iniciou testes em seres humanos.

Para a segunda fase de testes do Butantan, houve um investimento de R$ 3,5 milhões, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pela Fundação Butantan e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além do NIH, outros parceiros internacionais do Butantan são a Faculdade de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins e a organização Global Solution for Infectious Diseases. No Brasil, além do HC, o Instituto Adolfo Lutz e a própria USP vão colaborar na nova fase de testes. Ao todo, há cerca de 200 pesquisadores envolvidos, segundo o Butantan.




Fonte: Família Cristã 901 - Jan/2011 e Combate a Dengue
Postado por: Família Cristã




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