Pai, sem dúvida

Data de publicação: 24/01/2014

Rosangela Barboza


Desdobrando-se pelos filhos, Osmar Burille, Aggeo Simões e Luiz Carlos Vizioli têm histórias de vida bem diferentes, mas motivadas por uma só força: o amor de pai.
 
O pai e o padre

As comunidades da cidade de União da Serra, em Passo Fundo (RS), conhecem bem o padre Osmar Burille. Aos 49 anos, padre  Osmar ordenou-se há quatro anos. E, além da Igreja, também dedica a sua vida a uma pessoa muito especial: a sua filha Samara, de 20 anos. “A vocação sacerdotal sempre esteve presente em minha vida” − conta padre Osmar, relembrando que, quando menino, escolhia sempre o primeiro banco da igreja para sentar, pois dali ouvia melhor as palavras do padre. Mas, sem apoio para chegar a um seminário, a atração pelo altar ficou na infância. Aos 20 anos, tornou-se ministro extraordinário da Comunhão.

Conheceu Cecília, namoraram três anos, e mesmo com ideias diferentes, os jovens se casaram em 1989. Quatro anos depois, nascia a filha Samara, mas o casamento enfrentava crises. “Chorava amargamente e pedia a Jesus uma luz para nossas vidas. Até que um dia um padre  nos encaminhou ao Tribunal Eclesiástico” – lembra Osmar. Depois de três anos, o casamento foi anulado. Neste meio tempo, com o apoio do então bispo de Passo Fundo, dom Ercílio Simon, Osmar retomou os estudos do Ensino Médio.

Em 2003, entrou para o seminário e em 2009, finalmente, o chamado da infância se concretizou, com a ordenação sacerdotal. Todo o processo de separação foi muito difícil para ele, principalmente por saber que Samara também sofria. Inicialmente, a guarda ficara com a mãe, mas depois o pai, que morava no seminário, pediu que a guarda fosse concedida aos avós paternos, o que a menina também queria. E essa mudança facilitou o contato entre pai e filha. Quando foi ordenado diácono, Osmar solicitou ao bispo que Samara passasse a morar com ele, na casa paroquial na cidade de Tapera, onde atuava. E depois, quando se tornou sacerdote, a filha também continuou a morar com ele, por quase dois anos, revelando-se uma companhia especial.

Atualmente, Samara mora em Porto Alegre (RS) e estuda para entrar na universidade federal e se tornar uma veterinária. “A Samara, mesmo na difícil situação da separação, sempre me apoiou a seguir este projeto que nasceu em meu coração” − conta, feliz e  orgulhoso de sua filha, o padre e pai Osmar Burille.

Pai solteiro

O belo-horizontino Aggeo Simões, locutor publicitário e músico, tem 45 anos e é pai da pequena Ava, de 9 anos, com quem divide a sua vida. Em 2005, quando a criança tinha um ano e meio, Aggeo conta que não foi mais possível manter o relacionamento conjugal. Decidiram pela guarda compartilhada. “Tanto eu quanto a mãe de Ava, continuamos amigos e achamos que o mais justo seria criá-la juntos, apesar de estarmos separados” – lembra Aggeo.

No início, sempre que tinha saudade o pai ia vê-la. Depois do primeiro ano de separação, a pequena passou a ficar com o pai duas  vezes por semana. Aggeo trabalha em casa, o que possibilita que esteja mais próximo da filha. “Ela foi respondendo super bem ao fato de ter duas casas. No começo sentia falta da mãe, mas depois se adaptou” − diz Aggeo. Quando Ava completou 6 anos, passou a ficar metade da semana na casa do pai e a outra metade na casa da mãe. “Para mim, estar com a minha filha é natural.

Fui criado numa família muito carinhosa e sinto saudade dela quando estou longe. Gosto de influenciar na sua criação e ensinar os meus valores” − conta Aggeo. Suas experiências em viver e cuidar da filha deram origem, em 2009, ao blog Manual do Pai Solteiro. “Alguns amigos me perguntavam como era cuidar de uma criança e não ficar apenas os finais de semana com ela, como fazem muitos pais separados. “Comecei a escrever as minhas experiências do dia a dia como pai solteiro, que depois virou o blog” − lembra o músico.

A iniciativa chamou a atenção. “Achei bacana falar sobre a minha experiência e conversar com mães e pais que queriam saber mais e conversar sobre essa realidade”– conta Aggeo. E tudo isso valeu a pena para pai e filha. “Acho que nada substitui a convivência com os pais e familiares na vida de uma criança. Ela se desenvolve mais rápido, em todos os sentidos. Ava é uma criança feliz até demais” − brinca o pai. E como todo pai e filha, também têm os momentos de birra. “Mas a gente conversa muito. Ela é uma menina normal e sadia” − orgulha-se ele.

Um novo pai

O paulistano Luiz Carlos Vizioli, 49 anos, jamais imaginou que passaria por um susto para se tornar alguém melhor. E um pai melhor. Casado há 19 anos com Claudete, chegou a ficar entre a vida e a morte, em 1999, quando adquiriu uma anemia aplástica, doença rara, que ocorre quando a medula óssea produz células sanguíneas em quantidade insuficiente. Foi de uma hora para outra e, quando deu por si, estava na cama de um hospital, sendo visitado por pessoas que precisavam vestir roupas especiais para entrar no seu quarto.

Tudo para evitar possíveis complicações. Nesta época, ele já tinha três filhos: Michel, que hoje tem 31 anos, Jhonatan, de 18, e Heitor, de 15. Ele não esquece a imagem em que Jhonatan, ainda muito pequeno, o visitou no hospital. “Sem saber, ele me deu uma
grande força. Quis muito continuar a viver por eles e isso me ajudou a superar melhor as dificuldades daquele momento. Eu me senti muito impotente. Reavaliei a minha vida e queria fazer muita coisa que nunca havia feito. Não pensava tanto em mim, mas na família e nos filhos pequenos, que não tinham consciência do que acontecia” – relata Luiz Carlos. E graças a um transplante de medula, doada pela sua irmã, ele se recuperou. Hoje, ainda realiza exames periódicos, mas a sua saúde é estável.

Depois disso, sua vida mudou. Deixou de lado um trabalho estressante no segmento de vendas e procurou dedicar mais tempo à família. Alimentação, escola, passeios… Em tudo lá está ele, com os filhos. Luiz vive de renda, o que possibilita manter a qualidade de vida com a família. “Antes de ficar doente, já poderia viver com mais tranquilidade, mas queria sempre mais. Não era um pai presente, pois nunca tinha tempo. No entanto, não fiquei rico e acabei ganhando uma doença” − afirma. Luiz e Claudete ainda tiveram mais um filho: o Anthony, de 8 anos. “Acompanho tudo o que meus filhos fazem e isso tem dado muito certo. Estamos sempre juntos” − conta ele, orgulhoso.

Vindo de uma família religiosa, Luiz passou a participar mais da sua Igreja acompanhado pela esposa e filhos. “A maior herança que quero para meus filhos é que eles continuem cultivando a espiritualidade dentro deles. Sei que, ouvindo a Deus, eles vão saber tomar boas decisões em todos os campos da vida” − afirma o novo pai.







Fonte: Família Cristã 908 - Ago/2011
Postado por: Família Cristã




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