Perto da mamãe

Data de publicação: 21/02/2014

Rosângela Barboza



Muitos pais e mães estão carregando os bebês presos junto ao corpo. O sistema é prático e traz benefícios à criança, desde que respeitadas algumas recomendações.

Levar os bebês junto ao corpo é costume enraizado na cultura de diversos países, especialmente asiáticos e africanos, sem esquecer as comunidades indígenas. As mães amarram largas tiras de pano entrelaçadas no peito ou nas costas, levando os pequenos para todo lugar. O mundo ocidental copiou esse modelo, criando diversos tipos de carregadores de bebês, como sling, wrap, canguru ou mei tai. O que em muitas culturas é tradição, aqui se tornou sinônimo de praticidade, pois, enquanto os bebês ficam no aconchego, as mães mantêm seus braços livres.

O objetivo primordial desse modo de transportar as crianças, porém, é manter o bebê perto da mãe ou do pai, estabelecendo uma relação afetiva mais rica entre eles. Afinal, o colo materno é insubstituível para o bebê. Essa verdade pode ser observada no método Mãe Canguru, voltado para o desenvolvimento de bebês prematuros. A prática começou nas maternidades da Guatemala, onde a falta de incubadoras levou os médicos a colocarem os bebês por dentro da roupa das mães, mantendo-os, assim, aquecidos. Pertinho da mãe, os recém-nascidos se desenvolveram melhor e mais rapidamente, recebendo alta médica antes dos prematuros que não usaram tal método.

Diversas vantagens – Os acessórios usados para carregar bebês junto ao corpo trazem muitas vantagens para a criança. Pertinho da mãe, eles têm seus desejos e necessidades rapidamente satisfeitos e ficam mais calmos e seguros. “A mãe carrega o nenê durante nove meses em seu ventre. No útero, ele sente os batimentos cardíacos e o calor maternos. Por isso, no nascimento há uma ruptura muito grande. Acessórios como esses ajudam a prolongar o estado de aconchego, pois o bebê permanece perto da mãe, sendo muito úteis para promover esse período de transição para o meio externo” – explica o pediatra Tadeu Fernando Fernandes, vice-presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade Brasileira de Pediatria, seção São Paulo.

Nesse sentido, há diferenças entre esse modo de carregar a criança e o transporte em carrinhos, cadeirinhas ou bebês-conforto, nos quais a criança não fica tão próxima da mãe. “A maioria dos carregadores não substitui o colo materno, que é muito mais seguro. Junto ao corpo da mãe, o bebê sente o calor dela, e essa proximidade proporciona segurança emocional, fortalecendo o vínculo entre mãe e bebê” – avalia a pediatra Lidimar Rodrigues de Souza.

Limites e cuidados – O uso de carregadores de bebês também tem limites a serem observados. O pediatra Tadeu Fernandes lembra que exagerar nesse uso não é bom nem para a criança nem para a mãe. “Esses acessórios são úteis enquanto o bebê está mais novo. Não é recomendável para crianças maiores” – alerta. De acordo com o médico, o tempo ideal de utilização é quando a criança começa a esboçar os primeiros movimentos para conseguir engatinhar ou andar. “Há mulheres que incorporam esses acessórios como um modo de vida, construindo uma relação de muita dependência entre mãe e filho” – explica. Para o pediatra, ficar a maior parte do dia com o bebê junto ao corpo não é bom. “Vai chegar o momento em que a criança precisará ficar mais tempo separada da mãe, e ambas devem estar preparadas para isso” – observa.

Outro motivo para evitar o uso excessivo desses acessórios é a necessidade de crescimento dos pequenos. “A criança precisa ter contato com o chão para ganhar equilíbrio, possibilitando seu desenvolvimento neurológico e motor” – afirma dr. Tadeu. A pediatra Lidimar de Souza adverte que, nossa realidade é diferente da vivenciada pelas mães nos países asiáticos, que carregam seus filhos, mesmo maiores, junto ao corpo até para trabalhar. “Elas utilizam essas faixas com mais facilidade. É uma questão cultural e de necessidade. A mulher ocidental não tem essa cultura” – esclarece a médica.

Os pediatras ainda ressaltam a importância de os pais usarem esses acessórios de forma correta, pois o uso inadequado pode sufocar o bebê. “Se a mãe ou o pai souberem usar, não há riscos de a criança cair ou sufocar. É recomendável, porém, ler o manual de instrução ou obter orientações corretas antes de começar a usá-los” – salienta dr. Tadeu Fernandes.





Fonte: Família Cristã 905 - Mai/2011
Postado por: Família Cristã




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