Mulher, referência familiar

Data de publicação: 28/02/2014

Cleusa Thewes *



Nas adversidades, a mulher mostra-se uma guerreira.  Dedicando sua vida em favor do melhor convívio familiar, é seiva que a todos nutre.

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, faz sentido. A mídia realça o desempenho, o avanço de uma cidadania feminina efetiva, atuante, que faz da mulher protagonista em variados segmentos sociais. Enfatizaremos o olhar sobre a mulher no sagrado universo familiar. Ali onde muitas vezes encerra a terceira jornada diária de trabalho. Ao declinar o dia, ela retorna a sua casa para atender a outras demandas. Circula do fogão até a pia, da máquina de lavar a cada coração daquele lar.

Está cansada? O amor descansa, amansa e fortalece. Desanimada? Supera-se! Onde ela esconde forças para bailar a ciranda dos afetos? Como costura os elos do convívio familiar? Como cultiva a terna seiva que a todos nutre? Em qual fonte se sacia da água viva da paciência, da fé, da intuição, da sabedoria? Quando reza e silencia.

A mulher sábia entrega-se à sabedoria, reconhecendo ser “feliz o homem que encontrou a sabedoria e alcançou o entendimento, porque a sabedoria vale mais do que a prata, e dá mais lucro que o ouro. Ela é mais valiosa do que as pérolas e não existe objeto precioso que se iguale a ela” (Pr 3,13-15). A palavra bíblica “a mulher sábia constrói o seu lar...” (Pr 14,1) ecoa em seu coração com sonoridade angelical. Imprime-se em seu cotidiano na tonalidade intensa do arco-íris. A palavra divina transforma-se em aprendizado, numa missão essencial em sua vida familiar.

Vivência no amor
– A mulher guerreira, na curva do amadurecimento, no decorrer da trajetória espiritual, nos aprendizados consequentes entre ganhos e perdas, nos sorrisos que ocultam profundas pegadas das lágrimas no  rosto, vai tecendo a visão sábia de sua significância na terra: viabilizar com a família uma experiência saudável da vivência no amor, na compreensão diferenciada das escolhas e do livre-arbítrio de cada membro familiar. A união e o afeto são determinados pelo respeito e não mais pelo severo controle de sua absoluta vontade. A flexibilidade e a bondosa energia tornam-se uma estratégia no bem viver familiar. Há muito a força feminina permite desapegos internos e possibilita passos autoconfiantes, livres, aprendidos nas lições da eterna aprendiz.

A construção relacional de elos afetivos pressupõe o entendimento sutil, a docilidade inteligente de quem integra afetos à própria vida. Permitir-se ser cuidadora, visionária e mestra, transmitindo valores, preservando a inteireza do ser. Couraças e armaduras quebram-se, desnecessárias. Defesas e ataques emocionais são dispensados. A a- morosidade, cultivada na insônia das preocupantes madrugadas à cabeceira de filhos febris, à espera de filhos que vão e não voltam, de filhos que transgridem, requerem da mulher renovados atributos: escuta, acolhimento, compaixão e despojamento.

Como a mulher se torna sábia? No desapego à pretensão de tudo saber, de tudo querer solucionar, dando-se conta de que nem tudo ela precisa solucionar. Entende que cada um tem seus processos pessoais de amadurecimento. A mulher buscará, assim, apreender a sabedoria infinita presente no coração inteligente do grande Pai-Mãe.

Esperança e sacrifício – A união é um ideal desafiador para as famílias, principalmente no contexto atual de acentuado individualismo, tornando-se uma epidemia contagiosa que desarticula o bem-estar familiar, minimizando o bem comum, dando supremacia ao prazer egoísta, pessoal. Falar de união numa sociedade que dá poderes às drogas, ao álcool, ao consumismo, ao monólogo, à bigamia? Falar de integração numa sociedade desajustada pela ausência de limites, pela manifestação da miséria moral e espiritual? Ousar o projeto proximidade numa sociedade distanciada por injustiças sociais?

Neste cenário sociofamiliar machucado, molestado e prostituído, surge, enfim, o olhar da esperança, presente na persistência da mulher. Ali onde restam pedras somente, ela calmamente se compromete com a reconstrução, e, na semelhança com Maria Madalena, anuncia que há vida.

Nos conflitos familiares, ela promove o diálogo da reconciliação. Na diferença hostil entre irmãos, ela viabiliza um canal para a aceitação, a proximidade e o perdão. Com filhos drogados, ela fortalece vínculos, dando-lhes um suporte de segurança, apoio e orientação. E os filhos infratores, ela os encaminha e acompanha na reabilitação. À filha precocemente grávida, oferece proteção. Ao cônjuge e aos filhos sem fé, tal qual Santa Mônica, oferece sua constante oração. Aos cônjuges traidores, oferece a reconciliação.

Ela não abandona a família. Cuida! Protege! Aos que choram, consola. E assim vai treinando no lar as sábias lições da misericórdia, da mansidão, da tolerância. Corajosamente, embora sofrendo, persiste e insiste, restabelece laços e entrelaços.

Mulher, onde reside seu segredo? Na humilde permissão em transplantar para o seu coração o coração de Deus. Essa mulher chora? Sim! Onde? No ombro de Deus. Essa mulher se fortalece? Sim! Onde? Na calada da noite. Enquanto a família adormece, ela se refugia no sacrário da alma e ali se abastece. E assim, mulheres do mundo, fiquem com Deus! Mãe de todos os homens, ensina-nos a perseverar e a dizer amém!

* Terapeuta familiar, especialista em Orientação Familiar.




Fonte: Família Cristã 903 - Mar/2011
Postado por: Família Cristã




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