Inconformados

Data de publicação: 27/03/2014

Padre Reginaldo Carreira*

Acabo de chegar de um velório de um jovem. Motivo da morte: álcool. Esta semana aconteceram dois assassinatos de pessoas ligadas à comunidade paroquial em que trabalho. Motivo: drogas. Aonde vamos parar?

Sei que a violência e os vícios estão já há muito tempo ceifando vidas cada vez mais jovens, sei também que isso acontece com uma frequência assustadora. Mas, quando esses acontecimentos ficam mais próximos de nós, como nestes dias, temos o impulso para fazer algo mais que apenas lamentar. A Igreja tem trabalhos concretos e eficazes no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da dependência química e das suas consequências. Dentre essas iniciativas, temos a Pastoral da Sobriedade, que presta um serviço extremamente importante a toda a sociedade, sobretudo às famílias, qualificadas como codependentes.
 
Lamentavelmente, não levará muito tempo para que outras situações da vida nos tirem a atenção deste problema, infelizmente tão próximo e constante em nossas famílias. Mas, como pessoas de fé, como amigos de fé, como comunidade cristã, nossa espiritualidade é “fraterna”, e não permite uma vivência individualista da fé. Mesmo não sendo atingidos, direta ou indiretamente, por esse mal, nossa responsabilidade com o ser humano, filho amado por Deus, nos impele a amar concretamente, e a assumirmos nossa parte na construção do Reino de Deus entre as pessoas.
 
É claro que para vencer o problema do alcoolismo, das drogas, entre tantas outras atitudes, se faz necessária a opção pessoal, o querer ser ajudado. E isto talvez seja o obstáculo mais difícil a ser superado. O apoio dos familiares e amigos, a acolhida com um “amor exigente” e a oração fraterna ou intensa são caminhos importantes para que esse passo possa ser dado.

Façamos nossa parte
– Creio que a grande pergunta seja: “O que posso fazer?”. Talvez a resposta não possa ser um compromisso direto através de um trabalho voluntário em uma comunidade terapêutica, mas com certeza há algo que se possa fazer, além da oração. A conscientização e o amor são atitudes possíveis a todos. A divulgação de trabalhos sérios, o encaminhamento a entidades sociais e religiosas e a orientadores especializados, a insistência com a criação de políticas públicas que possam atuar de forma constante sobre os problemas das drogas e suas consequências são algumas das atitudes que podemos assumir como cristãos conscientes. E tudo isso ainda pode ser feito com o auxílio dos atuais meios de comunicação, o que torna tudo mais prático e relativamente fácil.
 
Em junho próximo teremos a 16ª Semana Nacional de Prevenção ao Uso de Drogas. É uma oportunidade especial para colocarmos em prática essa responsabilidade cristã. Jesus nos diz que veio para que tenhamos vida em plenitude, vida em abundância (cf. Jo 10,10), e é essa vida que, com nossa fé, vamos alcançar para todos ao nosso redor. Sabemos que há muito mais por fazer, que há muita corrupção e muito dinheiro envolvido em todo esse problema, e que sozinhos não somos capazes de vencer, porém, não importa se faremos muito, façamos nossa parte, pois não podemos nos conformar com a mentalidade deste mundo (cf. Rm 12,2).


*Conferencista, cantor e compositor.




Fonte: Família Cristã 906 - Jun/2011
Postado por: Família Cristã




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