Francisco na Terra Santa

Data de publicação: 23/05/2014

A Terra Santa prepara-se para receber o papa Francisco, entre os dias 24 e 26 de maio, em visita a jordanianos, palestinos e israelenses

A Terra Santa é a primeira viagem internacional escolhida por Francisco – lembrando que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro (RJ), no ano passado, era uma data já fixada por Bento XVI. O papa Francisco visita jordanianos, israelenses e palestinos entre os dias 24 e 26 de maio de 2014.

Francisco visita a Jordânia, Palestina e Israel e reúne-se com os respectivos chefes de Estados desses países. Um de seus principais objetivos é também transmitir uma mensagem de unidade entre os cristãos, segundo o patriarca latino Fouad Twal.

Francisco vai dar ênfase à comemoração do 50º aniversário do encontro histórico entre o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras, que iniciou o movimento rumo à reconciliação entre cristãos católicos e ortodoxos.

Na Jordânia, ele será recebido pelo rei Abdullah II, depois preside uma missa no Estádio Internacional de Amã. Em seguida, Francisco irá a Wadi Karrar, na Jordânia, lugar que os arqueólogos apontam como o do batismo de Jesus relatado nos Evangelhos (cf. Mt 3,13-17). Ali, o papa vai se reunir com um grupo de jovens portadores de deficiência e com refugiados da guerra civil na Síria.
Na manhã seguinte, o papa viaja de helicóptero para Belém, onde vai ser recebido pelo presidente da Palestina, Mahmoud Abbas. Lá, preside missa na Praça da Manjedoura. Estão convidados todos os cristãos da Terra Santa, incluindo os que vivem na Faixa de Gaza.

Almoça com famílias cristãs palestinas no Convento Franciscano de Casa Nova, em Belém e, em seguida, faz uma visita particular à Gruta da Natividade. Depois, ele recebe as crianças dos campos para refugiados palestinos de Dheisheh, Ainda e Beit Jibrin no Phoenix Center do campo de refugiados de Dheisheh, próximo ao muro de separação construído por Israel.

Apesar de estar em Belém há 7 quilômetros de Jerusalém, na tarde do mesmo domingo, o papa Francisco viaja de helicóptero ao Aeroporto de Ben Gurion, próximo a Tel-Aviv, onde recebe as boas-vindas do Estado de Israel.

Dali voará para Jerusalém para ter, no Santo Sepulcro, um dos pontos-chave da visita: o encontro ecumênico com o patriarca da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I, de Constantinopla, pela ocasião do 50o aniversário da reunião entre Paulo VI e o patriarca greco-ortodoxo Atenágoras.

No último dia de visita, 26 de maio, o papa vai à Esplanada das Mesquitas, ao antigo templo de Jerusalém, atual Mesquita de Omar,
principal ponto de conflito entre judeus e muçulmanos. Ali se reúne com o Grã-Mufti (principal autoridade religiosa) de Jerusalém, Muhammad Ahmad Hussein, em uma data especial para os muçulmanos. Nesse dia é lembrada a ascensão do profeta Maomé aos céus, que, conforme a tradição islâmica, ocorreu exatamente nesse ponto.

Depois, passa pelo Muro das Lamentações – o lugar mais sagrado do judaísmo –, vai colocar flores no Monte Herzl e visita o Museu do Holocausto, Yad Vashem.
Ele vai à Grande Sinagoga de Jerusalém, onde se encontra com os dois grandes rabinos de Israel, Yona Metzger e Shlomo Amar. Em seguida, será recebido pelo presidente de Israel, Shimon Peres, no palácio presidencial, e terá um encontro fechado com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

A visita termina com um encontro com os sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas na Igreja do Getsêmani e uma homilia no Cenáculo, lugar no qual se acredita que Jesus celebrou a última ceia e é objeto de disputa das três religiões monoteístas. Os judeus acreditam que lá está o túmulo do rei David e os muçulmanos, por sua vez construíram uma mesquita.

Refugiados

Por Fulvio Scaglione
Famiglia Cristiana, Itália, em janeiro de 2014.
Tradução de Leonilda Menossi.


O patriarca latino Fouad Twal está muito empenhado na visita do papa Francisco à Terra Santa, sobretudo na Jordânia, no socorro aos refugiados sírios. “Estamos muito empenhados também aqui, em Jerusalém, onde tudo o que acontece adquire imediatamente repercussão internacional.

Mas é verdade, na Jordânia há uma porção mais ampla do patriarcado, mais fiéis, mais famílias, mais escolas, mais sacerdotes e seminaristas. Os últimos grupos foram os dos refugiados sírios, mas antes deles tinham chegado muitíssimos iraquianos, e, no entanto, é muito alto o número dos lavradores imigrados do Egito em busca de ocupação. A Jordânia tem cerca de 6,3 milhões de habitantes e quase 1,5 milhão de residentes estrangeiros, frequentemente indigentes, se não exatamente pobres. Esse fato requer de nós, além da autoridade civil e do governo, um grande esforço para satisfazermos uma forte e sempre crescente necessidade de assistência pastoral, mas também de socorro humano e caritativo”, revela o patriarca latino de Jerusalém.

O ecumenismo – Certamente o encontro ecumênico no Santo Sepulcro será o ponto alto da visita do papa Francisco. “O que mais conta, e que esperamos com esse encontro, é retornar à ideia e à prática do ecumenismo e dar-lhe o impulso que merece. Lembro-me do abraço de 50 anos atrás, entre o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras: havia tanto otimismo. Talvez demais. Depois, aos poucos fomos descobrindo que a realidade não é sempre romântica e bonita, e que frequentemente ela esconde problemas e dificuldades.

A coisa mais importante, porém, é ter presente que o encontro do Santo Sepulcro realmente acontecerá no momento exato. Existe um bom clima. Para os cristãos da Terra Santa, a visita do papa é o único grande momento de alegria e esperança de viver na sua totalidade.

Voltar às fontes

Por Giuseppe Caffuli
Texto cedido pela revista Custodia da Terrasanta.
Tradução de Leonilda Menossi


Um particular nos ajuda a compreender a importância que Paulo VI deu à sua peregrinação aos lugares santos, em Israel, realizada há 50 anos, de 4 a 6 de janeiro de 1964. O papa Montini quis registrar uma recordação dessa viagem no seu testamento:

“Uma saudação especial e abençoada à Terra Santa, a Terra de Jesus, onde eu fui peregrino da fé e da paz”. Poucos meses antes, o papa Montini fora o primeiro sucessor de Pedro, que, em 2 milênios de história da Igreja, havia tido a ideia de fazer uma peregrinação aos lugares santos. Motivo: pedir, por ocasião do Concílio Vaticano II, uma graça especial para a Igreja, empenhada no difícil caminho de renovação e de “abertura para o mundo”.

Quando ainda arcebispo de Milão, na Itália, Montini havia dirigido repetidas vezes aos fiéis o forte convite de compreender a “hora de Deus”, de pôr-se à escuta da vontade do Pai para a sua Igreja, procurando obter novas modalidades para o anúncio do Evangelho, numa sociedade em profunda mudança. Eleito papa num momento em que a Igreja se aventurava por caminhos ainda a serem explorados, Paulo VI sentiu a exigência inconfundível de “voltar às fontes”. Ou seja, de sublinhar fortemente a fonte da qual se origina todo o bem e da qual provém toda a salvação, Jesus Cristo; e, assim, oferecer a todo viandante desta vida o seu olhar sobre o mundo.

Um abraço de almas – Eram 20h30, do dia 5 de janeiro de 1964, Atenágoras, o patriarca ortodoxo de Constantinopla, acompanhado pelo seu Sínodo (demais bispos), foi visitar o papa Paulo VI. “Este o recebeu com manifestações de caridade fraternal. Os dois chefes, o do Oriente e o do Ocidente, abraçaram-se e tornaram a se abraçar. A partir desse momento, esse encontro pôde ser escrito em caracteres de ouro na bimilenar história da Igreja de Cristo”, foi com essas palavras que a revista Oriente Cristão, editada em Palermo, na Itália, descreveu o encontro de Paulo VI e Atenágoras.
Este, voltando-se para o papa, chama-o de “Santíssimo Irmão de Cristo”, teve de imediato o reconhecimento histórico do encontro definido como “abraço de almas”, e as esperançosas respostas num momento que marcou época e foi reconhecido como “prelúdio de comunhão”.

“Há séculos que o mundo cristão vive a noite da separação. Os seus olhos estão cansados de olhar nas trevas. Possa este encontro, no alvorecer de um dia luminoso e bendito, em que as gerações futuras, comungando do mesmo cálice do Santo Corpo e do precioso Sangue do Senhor, louvarão e glorificarão, na caridade, na paz e na unidade, o único Senhor e Salvador do mundo”, disse Atenágoras.

O patriarca ecumênico de Constantinopla havia chegado a Jerusalém no dia 5 de janeiro, acompanhado de um grupo de bispos. Foi recebido pelo rei Hussein, da Jordânia, em Amã, estando presentes também, além do patriarca greco-ortodoxo de Jerusalém, Benedictus, uma delegação de bispos greco-ortodoxos, um representante do patriarcado latino de Jerusalém e um grande grupo de Franciscanos da Custódia da Terra Santa. Encaminhando-se para a sede do patriarcado greco-ortodoxo de Jerusalém, ele quis de imediato fazer uma visita ao Santo Sepulcro.

Marco na história – Foram 45 minutos que marcaram a história das relações ecumênicas: o encontro de Paulo VI com Atenágoras. Uma primeira parte do encontro, que foi reservado, durou cerca de um quarto de hora, mas alguns trechos dessa conversa se tornaram conhecidos, porque um microfone da empresa de Rádio e Televisão Italiana (RAI), que permaneceu ligado, registrou uma comovente “conversa que não estava no programa”. Seguiram-se depois discursos ofi ciais: “As divergências de ordem doutrinal, litúrgica, disciplinar, que deverão ser examinadas em tempo e lugar, aquilo que a partir de agora pode e deve progredir é essa caridade fraterna, a habilidade de encontrar novas formas de manifestar-se; uma caridade que, trazendo o ensinamento do passado, esteja disposta a perdoar, levada a crer de mais boa vontade no bem do que no mal, atenta antes de tudo em se conformar ao Mestre Divino e se deixar atrair e transformar por Ele”, dizia, com voz comovida, Paulo VI.

A visita de Atenágoras foi retribuída por Paulo VI na manhã seguinte, 6 de janeiro, na residência do patriarca de Mikrà Galileia, no Monte das Oliveiras.
Aqui o encontro durou uns dez minutos, a portas fechadas. A seguir, houve uma entrevista para a imprensa, com representantes de jornais e televisões do mundo inteiro.

Terminada a visita de Paulo VI à Terra Santa, o patriarca ecumênico de Constantinopla permaneceu mais dois dias na Cidade Santa. A 7 de janeiro, ele visitou Belém, data em que se celebrava o Natal ortodoxo, e encontrou-se com o patriarca melquita Maximus IV e o patriarca armênio Inácio Pedro XVI Batanian. À noite, voltou ao Santo Sepulcro, ou melhor, à Basílica da Ressurreição, como é chamada pela tradição oriental, e rezou dentro da edícula para “invocar aí o reavivamento das duas Igrejas, a do Oriente e a do Ocidente”.

No dia seguinte, 8 de janeiro, Atenágoras foi com sua comitiva para Amã, onde seria novamente recebido e cumprimentado pelo rei Hussein da Jordânia, e às 13h30 voltava para Constantinopla.

Há 50 anos

O abraço entre Paulo VI e Atenágoras, patriarca ortodoxo de Constantinopla, selou o fim de uma excomunhão de quase um milênio. Segundo Andrea Riccardi, historiador italiano, “poucos dias do século passado são tão importantes como o dia 5 de janeiro de 1964”. Um encontro que durou 45 minutos. Um trecho do diálogo entre os líderes religiosos:

Paulo VI − Exprimo-lhe toda a minha alegria, toda a minha emoção. Penso que este é realmente um momento que vivemos na presença de Deus.
Atenágoras − Na presença de Deus. Repito: na presença de Deus.

Paulo VI − E eu não tenho outro pensamento enquanto falo com o senhor, que aquele de falar com Deus.

Atenágoras − Estou profundamente comovido, Santidade. As lágrimas me vêm aos olhos.

Paulo VI − Como este é um verdadeiro momento de Deus, devemos vivê-lo com toda a intensidade, toda a retidão e todo o desejo...

Atenágoras − ... de andar avante...

Paulo VI − ... de fazer avançar os caminhos de Deus. Vossa Santidade tem alguma indicação, algum desejo que posso realizar?

Atenágoras − Temos o mesmo desejo. Quando tomei conhecimento pelos jornais que o senhor decidira visitar este país, me veio imediatamente a ideia de expressar o desejo de lhe encontrar aqui e estava certo que teria o consentimento de Vossa Santidade...






Fonte: Família Cristã 941Maio 2014
Postado por: Família Cristã




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