Uma lição de saúde

Data de publicação: 27/05/2014

Antônio Edson

As oportunidades que uma criança terá ao longo de sua vida é que, na verdade, definirão o seu futuro. Em um contexto maior, isso também deve ser entendido como uma questão de saúde pública


O desempenho escolar de seus filhos pode estar ligado às suas condições de saúde. É o que indicou, em parte, uma pesquisa divulgada recentemente pelo economista Daniel Roland, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (Universidade de São Paulo), cujo objetivo foi analisar o impacto da saúde sobre o desempenho escolar de alunos da 4ª série do Ensino Fundamental. “Os resultados indicam a existência de um impacto positivo, mas apenas em alguns indicadores” – ressalta o pesquisador. Isso porque, segundo ele, não há no País uma base de dados que apresente ao mesmo tempo indicadores de saúde e de desempenho escolar. O estudo aproveitou a base de dados do SUS (Sistema Único de Saúde) e da Prova Brasil, sistema de avaliação criado em 2005 pelo Ministério da Educação. Mas, ainda que os resultados não sejam conclusivos, podem dar pistas. Nas cidades em que foram registrados surtos de dengue no período pesquisado (2005 a 2007), o desempenho dos estudantes chegou a ser 6% inferior em relação a outros municípios.

É uma obviedade, sobretudo para os pais responsáveis que podem oferecer amor e boas oportunidades de desenvolvimento a seus filhos, que crianças saudáveis e bem nutridas têm condições para irem bem na escola. Mas para os profissionais da saúde pública é preciso cuidado ao associar saúde e desempenho escolar. “Pode haver associação, mas não uma relação de causalidade. Nenhum estudo conseguiu ainda estabelecer uma relação satisfatória de causa e efeito entre saúde e rendimento escolar. Isso porque a capacidade de aprendizado de uma criança depende de muitas variáveis” – garante dr. Paulo Gallo, professor do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP. “É preciso levar em conta, entre outros itens, os estímulos amorosos que a criança recebe da família,o espaço que ela tem para brincar, como ela é acolhida na escola e sua capacidade em estabelecer redes sociais. As oportunidades que uma criança terá ao longo de sua vida é que, na verdade, definirão o seu futuro” – completa o especialista.

Frente da Primeira Infância – “Para apresentar um bom desenvolvimento, a criança precisa ter acesso não só à saúde e a uma boa nutrição, mas também à higiene e a estímulos que a façam interagir com o mundo e desperte nela a vontade de aprender” – detalha a pedagoga Márcia Mamede, assistente técnica da Pastoral da Criança, que acompanha o desenvolvimento de mais de 1,8 milhão de crianças brasileiras de até seis anos. Segundo ela, uma criança que apresenta um quadro de desnutrição grave geralmente está ligada a condições de vida muito precárias em que faltam até os estímulos, o que prejudica sua interação com o mundo. “Por isso, a Pastoral da Criança se preocupa com o desenvolvimento integral dessa criança. Como dizia nossa fundadora, a doutora Zilda Arns, ‘quando a família vai bem, a  criança também vai bem’” – completa Márcia.

O interesse da sociedade em assegurar um bom desenvolvimento às crianças até resultou, este ano, na formação da Frente Parlamentar da Primeira Infância, cuja constituição foi aprovada em março na Câmara dos Deputados. O objetivo é garantir qualidade de vida às gestantes e o desenvolvimento integral de suas crianças. Isso compreende estimular suas competências e habilidades físicas, emocionais e cognitivas. A Frente Parlamentar da Primeira Infância também vai lutar pela conquista de novas ofertas de cuidado que se aliarão às ofertas tradicionais já existentes dirigidas às mulheres e crianças. Dessa iniciativa fazem parte não só entidades como a Pastoral da Criança, o Banco Mundial e a OEA (Organização dos Estados Americanos), como profissionais do campo da saúde pública, biólogos, psicológos, nutricionistas e médicos. “É fundamental pensar a saúde das crianças como uma condição física, mental e emocional” – defende a psiquiatra Liliane Penello, uma das articuladoras da Frente Parlamentar.



Primeira dose, já!


Em julho de 2011, a Pastoral da Criança, o Ministério da Saúde e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) lançaram a Campanha Antibiótico – 1ª Dose Imediata. E já era tempo. Anualmente, o Brasil registra cerca de 4 mil mortes causadas por infecções respiratórias, como as pneumonias, entre crianças menores de cinco anos, e uma significativa parte dessas mortes seria evitada se a primeira dose do antibiótico fosse aplicada logo após a consulta médica, ainda dentro do Posto de Saúde. Pois esse é exatamente o objetivo da Campanha: orientar os gestores municipais de saúde e a sociedade em geral sobre a necessidade da aplicação dessa primeira dose do medicamento nas UBS (Unidades Básicas de Saúde), especialmente quando se tratar de crianças com suspeita de pneumonia.




Fonte: Família Cristã 908 - Ago/2011
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Um gigante no sertão
Estátua dedicada a padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), completa meio
Um olhar que viu
Tatiana Belinky, nome importante no mundo da literatura no Brasil, celebra centenário de nascimento.
Marco Frisina no Brasil
O Brasil recebeu a visita do Monsenhor Marco Frisina, compositor e Maestro de música Sacra
Os doze profetas que encantam
As esculturas de Aleijadinho, em Congonhas do Campo (MG), fazem parte do maior museu a céu aberto
Arte e natureza
Visitantes têm experiências múltiplas em um dos maiores centros de arte contemporânea a céu aberto do mundo
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados