Edição de Junho de 2014

Data de publicação: 27/05/2014

Edição de Junho da Revista Família Cristã




Sentido comunitário

Salve-se quem puder? Não! O sentido comunitário é um “bichinho duro de matar”. Aliás, ele não morre

À primeira vista, pareceu uma multidão de solidões amontoadas, olhos fixos e ouvidos atentos às falas vindas do palco. Diante da realidade sendo discorrida, parecia um salve-se quem puder. No entanto, aos poucos, vozes aqui e acolá começaram a sobressair. Não eram falas individuais, e sim lideranças que representam comunidades, organizações e grupos de pesquisas.

O sentido comunitário foi ganhando visibilidade, ele é um “bichinho duro de matar”. Uma esperança resiste, persiste, insiste.Com essa paráfrase de Eduardo Galeano, escritor uruguaio, pode-se dar uma imagem ao Seminário Internacional Carajás 30 Anos: Resistências e Mobilizações Frente a Projetos de Desenvolvimento na Amazônia Oriental que aconteceu em São Luis, capital do Maranhão, em maio de 2014.

Foi nesse Seminário que conheci moradores de Piquiá de Baixo, bairro da zona rural da cidade de Açailândia (MA), que nasceu em 1958 com os acampamentos de operários que ali se instalaram para construir a rodovia Belém/Brasília.

Hoje, Piquiá de Baixo está cercado por 5 siderúrgicas, unidades produtoras de ferro gusa, por armazéns de minério e pelos trilhos da Estrada de Ferro Carajás (EFC).  A comunidade é impactada diretamente pela poluição emitida pelas indústrias. Além da poluição no ar, no solo e na água, há a poluição sonora das siderúrgicas e do trem que passa de hora em hora transportando minério com seus 330 vagões.

“Somos violentados em nossos direitos. As guseiras jogam pó de ferro em nossas casas. Será que é normal no mundo se enxergar o ar que se respira?”, questiona Willian Pereira de Melo, que precisou se mudar do bairro onde viveu 35 anos, devido à perda de 40% da visão e a um câncer de pele contraído pela esposa.

Pela contínua inalação de metais pesados, são comuns na população as doenças respiratórias como asma, bronquite, tosse crônica e alergias dermatológicas.

Essa é a história de uma comunidade que luta por seus direitos que são violados cotidianamente, a começar pelo ar que respiram. Ela busca o reassentamento.

A reportagem na integra você encontra nesta edição de junho da Revista Família Cristã. A luta de Piquiá de Baixo está na capa desta edição com a foto de Marcelo Cruz. É comum os moradores passarem as mãos nos móveis e as levantarem para mostrar a força do pó de ferro que invade constantemente as residências, deixando vencidos os moradores. Mas, no sentido comunitário, encontraram forças para lutar por seus direitos.

CARTA AO LEITOR

Tempos de futebol

Por volta das 17 horas de 16 de julho de 1950, aos 34 minutos do segundo tempo do jogo entre Brasil e Uruguai que decidiria o vencedor da quarta Copa do Mundo de Futebol, o ponta uruguaio Alcides Ghiggia correu pela ala direita do campo, venceu na velocidade o lateral Bigode e o goleiro brasileiro, indeciso entre fechar o ângulo esquerdo da meta ou se posicionar mais para o meio da pequena área e bloquear um cruzamento, optou pela segunda alternativa. Ghiggia disparou um “petardo no canto desguarnecido da cidadela nacional”, como dizia a crônica esportiva da época, e marcou o gol mais fúnebre da história do recém-inaugurado Estádio do Maracanã, que, então, recebia cerca de 180 mil pessoas. Com seu único gol na Copa, a primeira do pós-guerra e na qual muitos países europeus destroçados pelo conflito – Alemanha, França, Hungria etc. – não compareceram, o pequenino Ghiggia, hoje do alto de seus 87 anos, confirmou-se como o maior carrasco do futebol brasileiro.

Do lado de cá, o bode expiatório não foi a festa antecipada – tão ao gosto dos brasileiros – que provocou a mítica “garra celeste”, mas Moacir Barbosa. Após o trágico maracanazo, o estigmatizado goleiro jogou mais algum tempo e passou seus últimos dias – morreu em 2000 – em um apartamento cedido por um dirigente do Vasco da Gama, time que defendeu, em um balneário do litoral paulista. Em um domingo, sozinho num restaurante, foi reconhecido por um jornalista. “O senhor não é o Barbosa, da Copa de 50?”. E conversaram sobre o mar, a vida, a família. Amenidades. Delicadamente, evitaram o futebol. Afinal a sentença de culpado já havia sido dada a Barbosa e a pena cumprida. O País do futebol é assim: elege heróis e mártires com igual veleidade. O que não faz diferença porque, no fim, todos caem na vala comum do esquecimento. Agora em 2014 mesmo, o povo aplaudirá patriotas ou vaiará mercenários. Tanto faz, porque em um mundo de celebridades que não duram além de 15 minutos certamente nenhum deles será reconhecido daqui a 50 anos. Nesse jogo, ao menos, o injustiçado Barbosa levou a melhor.

Revista Família Cristã
familiacrista@paulinas.com.br



ENTREVISTA

Democracia.com.br
Para Bia Barbosa, fundadora do Intervozes, o Marco Civil da Internet é uma legislação mais ampla e que trata de várias questões da rede





ESPAÇO DO LEITOR

Revista Família Cristã, 80 anos
Espaço aberto para o leitor opinar sobre os conteúdos e a história da Família Cristã





CULTURA DE PAZ

É pau, é pedra. É o fim do caminho?
Brasil desmente a ideia de ter um “povo cordial” ao deter o maior número de linchamentos do mundo. Mais do que nunca urge defender uma cultura de paz





DINÂMICA FAMILIAR

Estações do amor
Homens e mulheres corajosamente derrotam o desamor para vivenciar a arte de amar, alfabetizando-se na primeira e última lição nas estações da escola da vida





EM FAMÍLIA

Conhece-te a ti mesma
Evento internacional sobre o Método Billings reúne em São Paulo especialistas mundiais em planejamento familiar e controle da natalidade natural. A começar pelo padre canadense Joseph Hattie




FILHOS

Cabelo de anjo
A solidariedade infantil é uma luz que ilumina a humanidade e mostra novos caminhos de paz para o mundo





COMPORTAMENTO

Ceder ou não ceder, eis a questão
“Você quer ter razão ou quer viver em paz? Que mal há em, de vez em quando, ceder aqui ou ali”, Maria Helena Brito Izzo





JUVENTUDE E FÉ

Pula a fogueira
“O sacrifício tem seu valor e necessidade, mas, na verdade, a fé se mostra com obras de amor-caridade”, Padre Reginaldo Carreira






MATURIDADE

Envelhescência
Na caminhada da vida, a pessoa atravessa várias fases, algumas mais instigantes que outras, a envelhescência traz possibilidade de rever os passos e projetar outros





ALIMENTAÇÃO

A raiz da vida
Pão do Brasil, pão dos trópicos, pão da terra, camelo vegetal ou rainha do Brasil, a mandioca está presente na culinária regional brasileira e espalhada pelo mundo




SAÚDE

Nação cansada
Estudo aponta que 98% dos brasileiros entrevistados estão cansados, o estresse, a alimentação desequilibrada e a acomodação tem deixado a população exausta





BIOÉTICA

O futuro pós-humano e a bioética
“O ser humano não tem como fugir nesta hora crítica de nossa história. Ele tem de assumir esta responsabilidade de fazer uma escolha sapiente”, Léo Pessini





PAZ INQUIETA

Namoro no alpendre
“Perdemos a noção de distância e de proximidade, assim como perdemos a de disciplina e educação. Nossas mães tinham razão quando controlavam sem controlar!”, Padre Zezinho, scj.




ENCARTE

O papo é matrimônio (Encarte 5)
Ser equipe discípula missionária




O EVANGELHO NA COMUNIDADE

Página 46 – 6 de julho – 14º Domingo do Tempo Comum
Página 47 – 13 de julho – 15º Domingo do Tempo Comum
Página 48 – 20 de julho – 16º Domingo do Tempo Comum
Página 49 – 27 de julho – 17º Domingo do Tempo Comum




FORMAÇÃO LITÚRGICA

Visões da prática da confissão
“‘Deus não se cansa de perdoar! Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Não fujamos da ressurreição de Jesus’, ressalta o papa Francisco”, Frei Luiz S. Turra, ofm cap.





FORMAÇÃO TEOLÓGICA

O dom da ciência
“Luz de Deus no olhar humano, a ciência é o dom dos profetas e dos santos”, Maria Inês Carniato, fsp.




ESPIRITUALIDADE

Uma centralidade
“No coração da espiritualidade paulina, está Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida”, Patrícia Silva, fsp.





CÁRITAS

Quem ganha a copa
Reflexões em vista da realidade dos atingidos e da sociedade local, em sua luta contra as violações de direitos decorrentes da realização dos jogos da Copa 2014 e Olimpíadas 2016 nas cidades-sede




COPA 2014

Gol de cabeça
O médico e neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis lidera a construção de um exoesqueleto robótico, que possibilitará a um jovem sem movimentos nos membros inferiores dar o chute inicial à Copa do Mundo




HAITI

Haitianos no Brasil, nenhuma novidade
“Diferentemente do que aconteceu, nos séculos anteriores, com imigrantes italianos e alemães que vieram cultivar a terra, a maior parte dos haitianos possui formação superior”, Nayá Fernandes




COPA

Jogar a favor da vida
O Mundial volta ao Brasil trazendo antigos e novos desafios que vão além dos 90 minutos dos jogos ou das linhas que demarcam os campos de futebol





REPORTAGEM

Um lugar onde se vê o ar
Ribeirinhos, quilombolas, indígenas, camponeses, estudiosos da Amazônia dialogaram sobre os impactos sofridos pela exploração do minério





POVOS DA FLORESTA

Estudo de Impacto Ambiental
“É necessário que as comunidades afetadas acompanhem o EIA/Rima, que se façam notar, que sejam entrevistadas e, sobretudo, participem das audiências públicas nas quais o documento é apresentado”, Felício Pontes Jr.




CULTURA

Respiro
Exposição fotográfica, no Brasil e na Itália, mostra o cotidiano de uma comunidade no estado do Maranhão que sofre com os impactos da exploração do minério





PANORAMA

A lista de Mauthausen
A história de religiosos que, em um inferno austríaco, não pouparam suas próprias vidas para vencer a tirania do nazismo





ACRESCENTE

Caipiras
O caipira está presente no imaginário popular brasileiro em filmes, livros, telenovelas e polêmicas





CULINÁRIA

A rainha do Brasil
A mandioca está onipresente no cardápio, em todo o País






TRABALHOS MANUAIS

O Brasil veste caipira!
As festas juninas continuam elegantes com quadrilhas e forró, muito milho e pipoca




Fonte: Família Cristã 942 - Jun/2014
Postado por: Família Cristã




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