Não tire nem deseje

Data de publicação: 05/06/2014

Padre Zezinho, scj*


“Não se aposse do que não lhe pertence nem deseje o que não é seu.” Poderíamos assim resumir o sexto, o sétimo, o nono e o décimo mandamentos, segundo são conhecidos pelos católicos. A raiz está no decálogo, contido entre outros livros, no do Deuteronômio (cf. Dt 5,1-21). Por razões pedagógicas, sendo que é muito extenso, a Igreja o resumiu em dez frases fundamentais.

Os três primeiros levam ao dever de louvar e aceitar a autoridade de Deus; o quarto, a reconhecer as autoridades deste mundo, a começar pelos pais; o quinto, e o sexto, ao controle e direcionamento dos instintos; o sétimo, ao respeito pelo direito de posse ou de compromisso do outro, o oitavo, ao bom nome e à honra do outro; e o nono e o décimo exigem que se controle inclusive o desejo por quem já se deu a uma outra pessoa ou pelos bens que já pertencem a outro.

É disso que trata a lei de Deus, dada aos judeus e a nós, seguidores de Jesus Cristo. O outro está presente em cada uma dessas leis.

O Outro? − O grande Outro, ou seja, Deus, deve ser amado e respeitado, nossos pais e as outras autoridades na terra precisam ser reverenciados. A vida e o sexo, que sempre envolvem um ao outro, devem ser protegidos e respeitados, nunca destruídos ou conspurcados. Os bens do outro não devem ser tomados nem às escondidas nem à força. O nome do outro, assim como o nome de Deus, merece respeito. A pessoa amada pelo outro e os bens do outro não precisam nem mesmo ser cobiçados. É que, alimentando tais desejos, a pessoa acaba por se apossar do que desejava. É melhor fugir até do desejo.

Jesus não faz por menos. Quando os apóstolos pediram a Ele que lhes ensinasse a orar, ao ensinar o Pai-nosso Mateus resumia assim os dez mandamentos. Se você nunca percebeu isso compare Deuteronômio 5,1-21 e  Mateus 6,9-13. Já falamos e ainda falaremos dessa doutrina. O que por ora precisamos lembrar é que o exercício da fé e da cidadania passa pelo controle das ações e dos desejos. 

O ser humano é rebelde. Se não controlar, o seu riacho vai transbordar errado, no lugar errado e nas pessoas erradas. Rios controlados dão água, luz, energia e vida para o povo. Sem controle, não servem nem mesmo para o lazer.  Deus nos quer controlados e disciplinados. Até porque o rio não perde a sua liberdade quando lhe armam um dique. Apenas corre diferente e de maneira mais útil!


*Escritor, compositor e cantor.





Fonte: Família Cristã 913 - Jan/2012
Postado por: Família Cristã




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