Experimente perdoar

Data de publicação: 18/06/2014

Maria Helena Brito Izzo*

Você sabe qual é o ato mais difícil de ser praticado por um ser humano? Pois eu vou dizer: é saber perdoar. Usar esse verbo na primeira pessoa do presente e com ênfase – “eu perdoo!” – não é para qualquer um e para qualquer situação. Porque o ato de perdoar exige um extremo sentimento de bondade e de pureza vindo do nosso interior mais profundo. Da alma e do coração. Exige amadurecimento e evolução. Exige grandeza de caráter e uma capacidade imensa de recomeçar do zero. Porque não adianta só perdoar, é preciso também esquecer. Não adianta dizer que perdoa se você vai ficar sempre lembrando do erro cometido contra você. Por isso, perdoar é algo tão difícil. É algo tão humano que por vezes chega a tocar o divino.

Jesus Cristo nos ensinou a perdoar 70 vezes sete. Foi uma grande lição de humildade seguida pelos exemplos que Ele pregou. Mas creio que naqueles tempos, sem calculadora ou computador, perdoar naquela proporção era algo sem limites. Hoje, Ele não nos diria para perdoar apenas 490 vezes, mas sim infinitamente. Se perdoar, hoje, é mais fácil do que naquele tempo, não sei. O que sei, sem dúvida, é que perdoar continua sendo algo muito difícil para os seres humanos, de modo geral. Perdoar parece ser mais difícil à medida que a pessoa que nos magoou é alguém próximo, é alguém de quem esperamos um comportamento exemplar. Um exemplo: um pai ou uma mãe. Todo pai ou mãe, em determinado ponto da vida de seus filhos, é uma pessoa modelar, um ídolo que serve de referência, alguém que está acima do bem e do mal. E de quem o que menos se espera é: decepção... Mas às vezes isso acontece.

Um belo dia, os filhos podem descobrir que os pais e as mães são humanos, não são perfeitos e, portanto, sujeitos a erros, falíveis. Como, aliás, são eles próprios. Como, aliás, é todo mundo. Seja por ignorância, teimosia, fragilidade e, eventualmente, por amor, os pais podem errar.

Digno de compaixão − Não se pode exigir de uma criança ou jovem algo que, sinceramente, nem nós mesmos às vezes somos capazes de apresentar. Mas podemos esperar que o amadurecimento e a experiência tragam a eles uma visão melhor da realidade e do que é a vida. Perdoar pode ser algo muito difícil de fazer no momento da decepção, da dor, do desapontamento e da tristeza. Mas pode se tornar algo menos penoso com o passar do tempo. O tempo nos ensina que um erro grave quase sempre é cometido por uma pessoa mais frágil, em um momento de fraqueza e que, no fundo, quem o cometeu é, na verdade, digno de compaixão e não de um coração empedernido.

Resta, por último, esperarmos que essa criança ou jovem um dia compreenda que um dos principais segredos de uma vida em paz é saber dar o perdão. Trato com pessoas em meu consultório todos os dias e sei que perdoar não é fácil. Mas também sei que muito mais difícil ainda é ter que viver sem perdoar. Jamais perdoar não faz bem à vida. Perdoar, por incrível que pareça, faz bem e funciona como uma terapia. Carregar um sentimento negativo e pesado só contribui para entristecer e escurecer a nossa existência. Experimente ser um humano quase divino: experimente perdoar ao menos uma vez. Você tirará um imenso peso das suas costas e da sua alma. E o mundo pode se tornar um pouco melhor do que é.

*Terapeuta familiar.




Fonte: Família Cristã 907 - Jul/2011
Postado por: Família Cristã




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