Bioética e água (II)

Data de publicação: 22/07/2014

Léo Pessini


Quem já não experimentou a força vivificadora da água: O encontro com água é uma vivência originária de todos os seres vivos, hoje e desde sempre.
 
                                                                                                                       


Em todas as religiões e tradições religiosas a água possui um significado muito rico, na essência simboliza e garante a vida.  Em média, 60% do peso de nossos corpos é constituído de água. Nada é mais fundamental para a vida do que a água e os seres vivos, e em especial o ser humano não conseguem sobreviver sem ela. Ritos e relatos míticos de civilizações ancestrais utilizam a água como elemento fundamental de bênção dos céus a garantir vida para os seres vivos. 

A água se constitui num dos mais valiosos bens existentes e num máximo perigo. Inundações, tsunamis, precipitações, enchentes... qual  o povo que não tem experiências para contar sobre esses eventos?  Chuva e mortes no sul, seca e morte no nordeste brasileiro? Em São Paulo o nosso Rio Tietê poluído é ainda uma verdadeiro esgoto a céu aberto... Quem já não conviveu com esta dura realidade: Um gole de água fresca, tirada da fonte, que mata a sede, o banho agradável em água fria ou quente, o cheiro da terra ou da mata depois de uma chuva longamente esperada, a semente germinando, o murmúrio dos riachos, os campos fresquinhos no orvalho da manhã – Quem já não experimentou a força vivificadora da água: O encontro com água é uma vivência originária de todos os seres vivos, hoje e desde sempre. 

 

Cuidado com a água − A cada ano a ONU define um tema para abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos. Em 2012 o tema foi “Água e segurança alimentar”. Existem sete bilhões de pessoas para alimentar no mundo hoje. Estatísticas dizem que cada um de nós, bebe em média de 2 a 4 litros de água diariamente, além da água utilizada para produzir o que comemos: produzir 1 kg de carne, por exemplo, consume 15 mil litros de água, enquanto 1 kg de trigo consome 1.500 litros. Um bilhão de pessoas no mundo já vive em condições de fome crônica e os recursos hídricos estão escassos.

Do jeito como andam as coisas o cenário em relação ao futuro vai piorando e comprometendo sempre mais o futuro da vida. Não podemos cultivar uma atitude pessimista e uma perspectiva apocalíptica de destruição e fim de tudo. Felizmente temos entre nós alguns exemplos proféticos como de Dom Luis Infati, Bispo de Aysén  (sul do Chile) que perante toda esta problemática da falta de água na sua região, redigiu uma carta pastoral, não para pedir pão aos céus , mas  “A água de cada dia nos dá hoje”.  Em muitos lugares de nossos países, nos meios populares onde existiam as “romarias da terra”, mais recentemente se tornaram romarias “da terra e das águas”.

Perguntamo-nos: Qual poderia ser nossa contribuição para mudança deste quadro inquietante? Podemos consumir produtos que fazem uso menos intensivo de água; reduzir o desperdício de alimentos. Hoje no mundo 30% dos alimentos produzidos nunca serão consumidos e a água usada para produzi-los é perdida; produzir mais alimentos, de melhor qualidade com menos água e ter uma dieta saudável. Não desperdiçar água em nossas casas...

Finalizando, lembramos do atual prefeito da cidade de Kafr Kana, antiga Caná da Galileia, na desértica Palestina, declarou: “Se Jesus voltasse, hoje, por aqui, nós lhe pediríamos que transformasse vinho em água, no lugar de água em vinho”.  Precisamos lutar para que a água como um bem material e social, não seja transformada numa mera mercadoria, mas seja um direito de todos os seres vivos e um bem universal a que todos tenham acesso. 

           





Fonte: FC edição 927
Postado por: Família Cristã




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