Ética do exemplo

Data de publicação: 05/08/2014

Léo Pessini    
                                                         

 

O “capital humano” é o maior patrimônio de uma organização e deve ser artisticamente cuidado

    

Ética do exemplo cordial no mundo profissional!  Precisamos reverenciar os mestres que fazem diferença em nossa sociedade, pela causa que abraçaram, e que são sempre inspiração de esperança e vida. Nessa busca, encontramos Adib Jatene, cirurgião cardiologista brasileiro. Nasceu no interior do Acre, em Xapuri, o pai morreu cedo, a mãe passou por dificuldades para se sustentar. Veio para São Paulo (SP), ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chegou a ser professor titular, secretário de Saúde do município de São Paulo e também ministro da Saúde. 

Ao olhar para a sua trajetória de vida, Adib vê três mestres que o ajudaram. Quando criança, seu primeiro professor era cego de nascença. “Vi como um cego era capaz de aprender, superando dificuldades.” Com ele, Adib desenvolveu o raciocínio lógico-matemático. Diz: “Aprendi matemática pelos olhos de um cego. Imagine a força que isso tem para mim”.

O segundo mestre na vida de Adib Jatene foi o doutor Euryclides Zerbini, pioneiro nos transplantes no Brasil, conhecido carinhosamente como O Operário do Coração, que integrou seu discípulo em sua equipe de cirurgia cardíaca. Diz Adib: “Mudou minha vida. Meu plano era me formar em saúde pública e voltar para o Acre”. Zerbini criou um ambiente efervescente de pesquisas cardíacas, das quais Adib participava. Assim como a técnica, Zerbini deixou um pensamento sempre presente na vida de Adib Jatene e, principalmente, nos momentos mais difíceis: “Não há nada que resista ao trabalho”. Guardamos dele a mensagem de que suas realizações profissionais eram fruto de 99% de transpiração e 1% de inspiração e talvez genialidade. Portanto, todos nós temos a possibilidade de sermos gênios nessa ótica. Aqui temos uma lição a aprender.

O terceiro professor de Adib foi Dante Pazzanese, que, para além dos conhecimentos científicos, seu ilustre discípulo também eterniza um pensamento que revela muita sabedoria de vida: “Ele me dizia que devemos sempre combater dois sentimentos. A inveja, que não nos deixa reverenciar quem é melhor do que a gente, e a vaidade, que nos faz esquecer que sempre temos algo a aprender com as pessoas”.

 

A ética faz milagres − Milagres acontecem em nossas vidas quando nos deixamos guiar pela bússola da ética, do humanismo e da solidariedade. Transformações e crescimento consistentes, quer sejam na esfera pessoal, como profissional ou institucional, são sempre frutos de muita dedicação e perseverança, de se levantar nas quedas, aprender humildemente com os erros e planejar estrategicamente o futuro.

Temos a profunda convicção de que o “capital humano” é o maior patrimônio de uma organização e deve ser artisticamente cuidado. Não basta apenas fazermos as coisas na sua forma corretamente prescrita. Muitos o fazem até com perfeição, utilizando-se de refinadas técnicas, mas sem humanismo e ética. É preciso fazê-lo com beleza, elegância, ternura e encantamento com a vida. Para além da competência técnica, o desafio é sempre aliar competência humana e ética. Precisamos de líderes desta estirpe, com este compromisso.

Portanto, livre-nos Senhor dos educadores e gestores cínicos, como bem definiu Oscar Wilde, daqueles que “sabem o preço de tudo e o valor de nada” e que, consequentemente, a partir de suas ações sacralizam as “coisas” e coisificam pessoas, esquecidos de que as “coisas” podem ter preço, mas as pessoas possuem dignidade. Sejamos vigilantes em  não permitir que sejamos roubados em autorrealização humana e profissional.

 

Destaque:

O “capital humano” é o maior patrimônio de uma organização e deve ser artisticamente cuidado





Fonte: FC edição 930
Postado por: Família Cristã




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