Quando o silêncio fala

Data de publicação: 08/08/2014

Reginaldo Carreira

O silêncio, acompanhado por Deus, nos dá a capacidade de darmos passos concretos para uma conversão profunda e uma resposta missionária ousada e coerente ao pedido de Jesus

 

Aprendemos, com o tempo, que nem sempre as palavras são capazes de expressar o que sentimos. Muitas vezes, elas são desnecessárias e, por outras tantas, atrapalham mais que ajudam. Entendemos, também com o tempo, que o que compreendemos e interpretamos do que ouvimos nem sempre foi o que quiseram dizer de verdade. O que é certo é que qualquer pré-julgamento – positivo ou negativo –, que fazemos ou recebemos, pode estar errado; e só à medida que o tempo passa é que vai se conferindo o acerto ou o erro cometidos.

Lembro que há muito tempo me encontrei com um conhecido que estava num evento em uma posição de destaque. Passou por mim e, “segundo meus critérios”, fingiu não me ver e não me cumprimentou. Fiquei incomodado com a situação e já realizei meu nada misericordioso pré-julgamento, afinal “quem ele pensa que é para me tratar assim?”. Continuei a observá-lo de longe enquanto ainda tentava compreender o ocorrido. Não precisei de muito tempo para perceber que ele havia perdido parte da visão, e estava sendo amparado por alguns amigos, pois lhe era difícil até mesmo caminhar totalmente sozinho.

Não preciso dizer que fui cumprimentá-lo e fiquei profundamente arrependido. “Quem eu pensava que era para te-lo julgado assim?” Se ao invés do pré-julgamento eu tivesse observado um pouco mais e refletido um pouco mais, aguardando que a verdade aparecesse, eu teria me incomodado um pouco menos. E, se por acaso realmente fosse uma atitude de grosseria, o meu tempo de “reflexão” já teria me dado condições para perdoá-lo ou ao menos olhá-lo com misericórdia. Que bom que ao menos não havia manifestado meu pré-julgamento a ninguém, ou ainda traria essa responsabilidade em meus ombros.

Esse é um fato muito simples perto de tantos acontecimentos semelhantes que podem nos acontecer e tirar a nossa paz. Devemos orar e vigiar para não cedermos a esse tipo de tentação do julgamento, especialmente própria do imediatismo que vivemos hoje.

 

Silêncio e escuta − Uma das formas mais eficazes de evitarmos o erro é exercitarmo-nos na capacidade de silenciar e escutar a voz de Deus, que fala na sua Palavra, nos acontecimentos da vida, nos irmãos, enfim, que se manifesta constantemente na nossa história. Precisamos compreender o valor do silêncio! Como São João da Cruz ensina, sua vida de oração se tornou uma “solidão sonora”. O silêncio, a reclusão, a solidão do cristão sempre vêm acompanhados da presença amorosa de Deus, e basta um coração aberto e sustentado pela fé, mesmo que ainda pequena, para que Ele se manifeste.

O silêncio, acompanhado da presença de Deus, nos dá condições de refletir o que dizer e se é preciso dizer. O silêncio, acompanhado por Deus, nos dá a capacidade de darmos passos concretos para uma conversão profunda e uma resposta missionária ousada e coerente ao pedido de Jesus através da sua Igreja. O silêncio, acompanhado pela presença de Deus, nos dá a possibilidade de conhecermos melhor nosso irmão, sua história de vida, seus anseios e suas fraquezas, de forma que possamos agir com mais misericórdia e sem grandes exigências ou preconceitos.

É o silêncio, acompanhado da presença amorosa de Deus, que nos permite ver além das aparências, como Deus, que vê o coração! (cf.1Sm 16,7), e reconhecer os valores que superam as fragilidades do irmão. Por fim, é só o silêncio, acompanhado da presença de Deus, presença esta que se dá pela manifestação do Espírito Santo, que nos fará ver as graças derramadas sobre a juventude durante a Jornada Mundial da Juventude, e após este acontecimento tão marcante para toda a Igreja.

 

Destaque:

O silêncio, acompanhado por Deus, nos dá a capacidade de darmos passos concretos para uma conversão profunda e uma resposta missionária ousada e coerente ao pedido de Jesus





Fonte: FC edição 934
Postado por: Família Cristã




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