Casos de rejeição

Data de publicação: 11/08/2014

Maria Helena Brito Izzo* 
                                                 

 

Ao ser rejeitado, ninguém precisa se sentir tão desprezível a ponto de se achar o último dos mortais ou, pior, achar que vai mudar, pela força, a opinião dos outros

 

“Eu jamais entraria para um clube que me aceitasse como sócio.” O dito atribuído a Groucho Marx, um dos maiores comediantes do cinema, ficou famoso por refletir o humor incendiário de seu autor, um artista capaz de rir – e fazer rir – de si próprio. Mas, como nem todos têm a genialidade de um Groucho Marx, pode-se imaginar que a sensação que inspirou sua frase, a rejeição, é, na verdade, mais dolorosa do que risível para a maioria dos mortais. Pois é um fato: ninguém veio ao mundo para se sentir rejeitado e, sim, amado.

Todos  gostamos de nos sentir acolhidos, queridos e estimulados nesse clube chamado vida. No máximo – ou no mínimo, se for o caso –, sermos corrigidos com carinho. Mas a vida, infelizmente, nos foi dada com essa imperfeição: não corresponde sempre aos nossos desejos e, vez por outra, nos decepciona. Todo mundo, por mais que seja feliz, bonito ou rico, já sentiu pelo menos uma vez o espinho de uma rejeição. E a sua dor aguda. Ou você conhece alguém que passou invicto pela vida?

Eu não conheço, talvez por contingência da profissão que escolhi. Afinal, assim como dentistas são procurados para consertar os dentes das pessoas, psicólogos e terapeutas são os profissionais indicados para recuperar a autoestima daqueles que não conseguem se recuperar sozinhos de grandes processos de rejeição. Isso dá trabalho, pois onde houver algum relacionamento humano pode haver, cedo ou tarde, uma rejeição. Ela pode acontecer entre casais, amigos, irmãos, vizinhos, colegas de trabalho etc. Há rejeições de todos os tipos. Pode ser a mais superficial, gratuita, gerada por uma antipatia, ou a mais profunda, quase intrauterina,  envolvendo  pai e mãe e causas complexas. E aquela que, pelo menos antigamente, era sinônimo de dor de cotovelo: amamos uma pessoa desesperadamente e somos correspondidos por ela até o dia em que... Bem, deixamos de ser. Como se vê, a rejeição tem vários tons. E todos são cinzas e escuros. Mas não se pode dizer que uma doa mais ou menos do que a outra.

 

Extremos – O que o leitor deve saber é que o estrago causado por uma rejeição pode ser avaliado pela capacidade de reagir a ela. Nossas reações podem variar da prostração à agressividade, passando por uma variada gama de sensações. No primeiro caso, somos tentados a achar que merecemos, de fato, ser rejeitados, dando razão a quem nos humilha. Se fomos preteridos ou ignorados, é porque, de alguma forma, “não correspondemos às expectativas da outra pessoa”. Fizemos por merecer! Já no segundo caso, não aceitamos a rejeição e queremos forçar, literalmente, a nossa aceitação. Tipo: “Você vai ter que me engolir!”. Para ilustrar essa situação não são, infelizmente, raros os casos em que, nas separações entre casais, por exemplo, uma das partes toma uma atitude mais violenta contra a outra. Esse inconformismo também atende por outro nome: orgulho ferido.

Certamente é um problema cairmos em qualquer extremo. Ao ser rejeitado, ninguém precisa se sentir tão desprezível a ponto de se achar o último dos mortais ou, pior, achar que vai mudar, à força, a opinião das outras pessoas. Até porque não vai. A melhor forma de responder a uma rejeição é procurar se gostar mais, acreditar mais em si e ir atrás do que se quer. Aproveitar para reavaliar o comportamento. Vamos concordar: é difícil mesmo não rejeitar gente arrogante, autoritária e egoísta. Por último, ninguém deve se achar tão importante a ponto de esperar que vá ser aceito e amado por todos. Se isso não aconteceu nem com Jesus Cristo...

 

*Terapeuta familiar





Fonte: FC edição 931
Postado por: Família Cristã




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