Um lugar para eles

Data de publicação: 22/08/2014

Reginaldo Carreira

Se tivermos uma juventude que assuma a responsabilidade de encontrar um “lugar” digno para aqueles que são privados de seus direitos, teremos uma sociedade mais cristã e mais digna


“Não havia lugar para eles!” É o que narra São Lucas, no seu Evangelho, ao falar sobre o nascimento de Jesus. Maria e José procuravam um lugar para se hospedarem, e não havia lugar para eles. Era o tempo do recenseamento, e provavelmente havia toda uma estrutura compatível à época, para acomodar as caravanas que chegavam a Belém. Mas, como em nosso tempo, os pobres ficavam à mercê das sobras. Coube a Maria, prestes a dar à luz, e a José, seu esposo, ficarem na estrebaria, junto aos animais. Talvez se soubessem que o Rei dos Judeus nasceria ali , se soubessem que o recém-nascido naquela noite era o próprio Filho de Deus, se compreendessem quem eram os pais do menino que estava por vir, os teriam acolhido de outra forma. Mais ainda! Se tivessem condições de abarcarem todo o seu valor na história da humanidade, e como Ele marcaria o mundo com sua mensagem, quem sabe não os acolheriam e os deixassem no melhor lugar.

Jesus continua a chegar sem avisar, pedindo um lugar para ficar, e por muitas vezes escolhe o rosto dos mais pobres para pedir acolhida. Os tempos são outros, mas sabemos que ainda hoje há muitos excluídos na nossa sociedade. Ainda há muitos homens e mulheres, meninos e meninas, que não têm onde ficar. “Não há lugar para eles!” Não há hospedaria, não há pouso, não há comida, não há cobertor, não há teto, não há oportunidades, não há escolha, não há direitos... Também nem sempre há corações dispostos a acolhê-los. E aqui fica a grande pergunta: “Há lugar para eles em nosso coração?”.

 

Um lugar para Jesus − Um dos gestos de caridade que costumam ocorrer durante o Advento é a doação de cestas básicas para as famílias carentes no Natal, como um gesto concreto dos grupos de Novena de Natal, os quais se formam nos bairros ou nos diversos movimentos e pastorais da Igreja. A Pastoral da Juventude, em seus diversos seguimentos, geralmente repete gestos semelhantes a esse a cada ano. Um dos frutos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foi a consciência da desigualdade social vigente em nosso país e no mundo, e a compreensão de que é compromisso do cristão fazer algo para mudar essa situação. Muitos já tinham essa consciência – mesmo porque não é uma realidade específica da cidade-sede da JMJ –, mas, diante de tanta disparidade social vista nas ruas do Rio de Janeiro (RJ), e vivida de forma mais intensa devido ao evento, creio que a consciência cristã de responsabilidade social cresceu. E, com essa consciência de responsabilidade, cresceu também a compreensão de que a real evangelização abrange o homem todo, em todas as dimensões de sua vida.

Se tivermos uma juventude que assuma a responsabilidade de encontrar um “lugar” digno para aqueles que são privados de seus direitos, teremos uma sociedade mais cristã e mais digna. Se encontrarmos um “lugar para eles”, teremos encontrado um “lugar para Jesus”, pois Ele mesmo ensina: “Foi a mim que o fizestes”! (cf. Mt 25, 40).

 

Destaque:

 

 Se tivermos uma juventude que assuma a responsabilidade de encontrar um “lugar” digno para aqueles que são privados de seus direitos, teremos uma sociedade mais cristã e mais digna





Fonte: FC edição 936
Postado por: Família Cristã




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