Pan-Amazônia

Data de publicação: 11/09/2014

Por Osnilda Lima, fsp - Signis Brasil



Pesquisadores da Pan-Amazônia denunciam causas dos impactos socioambientais na região Amazônica

No encontro para a criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica que acontece até o próximo dia 12, na quarta-feira (10), a reflexão foi a partir da Visão Panorâmica da Pan-Amazônia com a assessoria do doutor em Ciência do Desenvolvimento Socioambiental, José Guilherme Carvalho e do Sociólogo e Pesquisador na Área de Mineração e Direitos Territoriais, Luis Ventura.

Os assessores falaram dos Grandes Projetos de Desenvolvimentos na Amazônia e seus impactos sobre as populações tradicionais da Região.

Segundo José Guilherme, há três grandes ideias consolidadas que justificam e legitimam os grandes empreendimentos: a ideia de progresso, da supremacia da ciência e o domínio do homem sobre a natureza.

Para Carvalho, a ideia consolidada sobre o progresso moldou a forma do pensamento ocidental desde o Século XVI e serve para justificar todas as ações, por exemplo, das civilizações europeias contra as populações ancestrais o que justificou um conjunto de ações e atrocidades, sobretudo, contra as populações indígenas.

“Quando os povos indígenas, populações extrativistas, os ribeirinhos, as mulheres e demais grupos sociais que vivem na floresta Amazônica se posicionam contrário aos grandes projetos de infraestrutura, eles são tidos como contrários ao progresso. Nessa perspectiva, ser contra o progresso é ser contra o desenvolvimento da sociedade”, lembra.

Segundo Carvalho, esse discurso justifica a apropriação privada dos recursos naturais e a invasão dos territórios e dos povos da floresta.

Outra ideia consolidada é a da supremacia da ciência sobre os conhecimentos ancestrais. Ou a supremacia dos conhecimentos científicos contra o conhecimento tradicional/vulgar. Para Carvalho isso é importante para compreender o que ocorre na Pan-Amazônia. E cita o exemplo de quando o governo brasileiro iniciou o processo de construção da hidrelétrica de Belo Monte. Os indígenas que viviam na região chamada Volta Grande, no Xingu (PA), disseram aos técnicos do governo que quando as obras se iniciassem o Rio iria diminuir de vazante.

No entanto, os técnicos contrapuseram o conhecimento indígena afirmando que tinham um relatório de seis mil páginas assegurando que isso não ocorreria. A mesma coisa aconteceu com as construções das hidrelétricas no Rio Madeira. No entanto, o conhecimento ancestral estava correto.

“Os que produzem conhecimentos ancestrais sabem de toda a dinâmica da natureza na região, mas são desconsiderados perante as construções das obras. Em nossa sociedade esse conhecimento não tem valor nenhum, a valorização é do conhecimento científico”, sentencia Carvalho.

Ele assegura que a ideia de supremacia do conhecimento científico é usada contra as populações da Amazônia, é isso se torna uma forma de dominação. “A ciência vem sendo usada a favor dos mega empreendimentos que afetam os territórios dessas populações ancestrais”, afirma.

Um terceiro elemento é o domínio dos homens sobre a natureza. “A partir dos Séculos XVI e XVII deixamos de pertencer à natureza e começamos a nos ver a parte, na natureza. O ser humano passou a dominar a natureza e subjugá-la para atender unicamente aos interesses humanos. Essa ideia hoje é levada até última instância. Na natureza tudo tem um preço”, garante Carvalho.

Segundo ele, essa é uma situação perigosa para as populações indígenas, extrativistas ou remanescentes de quilombo, pois seus territórios ainda mantêm preservado grande parte dos recursos naturais o que gera interesses das grandes empresas nacionais e internacionais. Carvalho lembra que hoje há uma grande valorização da matéria prima. E esses recursos estão nos territórios dos povos da floresta. Com isso há um ataque brutal sobre esses recursos. Não há sequer um trecho desses territórios na Amazônia que não esteja envolvido em algum conflito. O território da Amazônia está em disputa pelos diversos tipos de interesses pela matéria prima.

Os impactos dos empreendimentos

Já o sociólogo, Luis Ventura, ressalta que esses empreendimentos geram diversos tipos de violências na vida e cultura das populações tradicionais. Ele afirma que o modelo agrominério exportador gera e cria uma situação permanente de impactos e agressões às populações tradicionais.

Ventura assegura que a onda do desenvolvimentismo não é um projeto Novo. Ela ocorre desde o início do processo de colonização e que hoje há uma intensificação desse modelo.

Segundo ele, o avanço não só do agronegócio, mas do agrominério que está ligado diretamente com a grilagem de terras e a desterritorialização das comunidades tradicionais e que a combinação desses processos causa conflitos sociais.

“O crescimento em curto prazo, a lógica impositiva, a manutenção das políticas e as receitas geradas pelos projetos justificam ser em nome do interesse público. E com isso os mega projetos são implantados sem a consulta das populações locais. Que interesse público é esse que justifica tais ações?, questiona Ventura.

Segundo o sociólogo não existem estudos sérios de impactos ambientais, as populações tradicionais não são ouvidas. Ele assegura que há uma indústria de adequação dos estudos para justificar a implantação dos mega projetos na Região




Fonte: Signis Brasil
Postado por: Família Cristã




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